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Lula defende ação conjunta do Brics sobre tarifas dos EUA

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Lula defende ação conjunta do Brics sobre tarifas dos EUA

 

Presidente reafirmou que ligará para Narendra Modi e Xi Jinping para debater o tema. Ele afirma que a prioridade é encontrar novos mercados para os produtos sobretaxados

 

23.08.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, Presidente da África do Sul, Matamela Cyril Ramaphosa, Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Damodardas e Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Foto Oficial dos Líderes do BRICS. Sandton Convention Centre, Joanesburgo – África do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Com prioridade total na busca de novos mercados para os produtos de exportação brasileiros que receberam a tarifa adicional do governo dos Estados Unidos, o presidente Lula reafirmou em entrevista à Reuters, na quarta-feira (6), o compromisso do governo em auxiliar os empresários e em proteger os empregos das cadeias produtivas afetadas. De acordo com o presidente, ele buscará junto a outros líderes do Brics uma resposta conjunta.

“Vou tentar fazer uma discussão com eles sobre como cada um está dentro da situação, qual é a implicação que tem em cada país, para a gente poder tomar uma decisão”, afirma.

Na conversa, ele reafirmou a intenção de conversar com líderes como Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e Xi Jinping, presidente da China, a fim de emitir um posicionamento colegiado do grupo.

Na quarta, a Casa Branca anunciou a elevação das tarifas comerciais para os produtos indianos. O governo de Donald Trump adicionou uma tarifa extra de 25% e elevou a sobretaxa a 50% contra a Índia, assim como aconteceu com mais da metade dos produtos brasileiros destinados aos EUA. Trump justifica a atitude contra o governo Modi com a acusação de que o país compra petróleo russo, que é alvo de embargo pelos países da União Europeia, os países do G7, incluindo os EUA, e a Austrália.

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No final de julho, EUA e China chegaram a um acordo para suspender por 90 dias a taxação recíproca. Com a imposição de tarifas por Trump, a taxa sobre produtos chineses chegaria a 145%, mas, com a suspensão, ficou em 30%. Os chineses responderam com uma sobretaxa de 125% aos produtos norte-americanos. Isso levou à retomada das negociações, e a tarifa foi reduzida para 10%, enquanto um acordo definitivo é negociado.

Proteção

A tarifa de 50% contra produtos brasileiros, entre eles o café e a carne bovina, entrou em vigor na quarta (6). O governo brasileiro mantém a tentativa de diálogo para negociar o “tarifaço”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem uma reunião virtual agendada com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, na próxima quarta-feira (13), para debater alternativas.

Haddad enviará ao presidente Lula um texto, que pode ser em formato de medida provisória (MP), com medidas para mitigar os efeitos das tarifas norte-americanas. O conjunto de ações prevê, segundo o ministro, concessão de crédito e aumento das compras governamentais para os setores mais impactados.

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Na entrevista à Reuters, o presidente destacou o compromisso com empresas e trabalhadores brasileiros.

“Estamos preparando como é que nós vamos lidar com as empresas brasileiras que vão ter prejuízos. Temos que criar condições de ajudar essas empresas. Temos a obrigação de cuidar da manutenção dos empregos das pessoas dessas empresas. Eu posso dizer para os empresários brasileiros é que estamos juntos, fazendo o que tiver na possibilidade do governo para garantir a continuidade da comercialização com os Estados Unidos, garantir que não terão prejuízos e garantir que os trabalhadores não ficarão abandonados”, disse Lula.

Soberania

De acordo com o líder brasileiro, Trump não demonstrou, de fato, que está disposto a negociar. Ele ainda afirmou que não irá retaliar a decisão e insistirá no diálogo.

“Eu estou fazendo tudo isso [negociando] quando poderia anunciar uma taxação dos produtos americanos. Não vou fazer porque não quero ter o mesmo comportamento do presidente Trump. Eu quero mostrar que quando um não quer, dois não brigam, e eu não quero brigar com os Estados Unidos”, salienta.

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Na sua avaliação, as justificativas para o “tarifaço” são uma intromissão enorme: “Ele que cuide dos Estados Unidos, do Brasil, cuidamos nós. Só tem um dono esse país, e só um dono que manda no presidente da República, é o povo, o povo que elegeu, o povo que pode tirar”.

Sobre o trecho em que o governo de Washington envolve a regulamentação de Big Techs, Lula lembra: “Esse país é soberano, tem uma Constituição, tem uma legislação. É nossa obrigação regular o que a gente quiser regular de acordo com os interesses e a cultura do povo brasileiro. Se não quiser regulação, saia do Brasil”, completa Lula.