{"id":2213,"date":"2013-10-22T07:36:53","date_gmt":"2013-10-22T10:36:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=2213"},"modified":"2013-10-22T07:36:53","modified_gmt":"2013-10-22T10:36:53","slug":"libra-cria-novo-eixo-de-forcas-no-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=2213","title":{"rendered":"LIBRA CRIA NOVO EIXO DE FOR\u00c7AS NO PETR\u00d3LEO"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/petro.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-2214\" alt=\"petro\" src=\"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/petro-300x104.png\" width=\"300\" height=\"104\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quem apostou contra, perdeu. E perdeu feio. Logo ap\u00f3s o resultado do leil\u00e3o do campo de Libra, realizado na tarde desta segunda-feira 21, no Rio de Janeiro, os manifestantes que pressionavam na entrada do hotel Windsor Barra come\u00e7aram a se dispersar, as a\u00e7\u00f5es da Petrobras confirmam uma alta de quase 6% na bolsa de valores, os cofres da Uni\u00e3o foram abertos para a entrada de um b\u00f4nus de R$ 15 bilh\u00f5es e, especialmente, uma nova alian\u00e7a estrat\u00e9gica no universo do petr\u00f3leo acabara de surgir. Agora, goste-se ou n\u00e3o, nada ser\u00e1 como antes.<\/p>\n<p>Com as privadas Shell, holandesa, e Total, francesa, as chinesas CNOOC e CNC e a brasileira Petrobras lado a lado no mesmo cons\u00f3rcio vencedor, o mundo recebeu um sinal de que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na multibilion\u00e1ria plataforma de intrigas e interesses em torno do petr\u00f3leo havia acabado de mudar. Juntas, elas possuem nada menos que 30 bilh\u00f5es de barris em reservas comprovadas. Isso as colocaria, com folga, se fossem uma s\u00f3 empresa, no primeiro lugar do ranking mundial do setor.<\/p>\n<p>Com o resultado do leil\u00e3o de Libra, de sa\u00edda perderam as grandes companhias americanas, que ficaram de fora da maior faixa de explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal. Logo ap\u00f3s a descoberta da espionagem oficial dos EUA sobre a Petrobras e o governo brasileiro, a Exxon, maior petrol\u00edfera do mundo, e a Chevron, terceira no ranking, anunciaram que estavam voltando para casa. O mesmo caminho tomou a inglesa BP, que aparece na quarta posi\u00e7\u00e3o entre as dominantes no setor.<\/p>\n<p>ESPA\u00c7O PARA ESPECULA\u00c7\u00c3O &#8211; Sem tr\u00eas das quatro gigantes, ganharam espa\u00e7o na m\u00eddia tracional brasileira as primeiras especula\u00e7\u00f5es sobre o fracasso do leil\u00e3o. Nas \u00faltimas semanas, com o crescimento dessa corrente que combina altas doses de sinistrose com fracassomania, o governo brasileiro pareceu isolado em avalia\u00e7\u00f5es otimistas sobre o resultado imediato e os reflexos futuros do leil\u00e3o de Libra.<\/p>\n<p>No dia anterior ao leil\u00e3o, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, apareceu em entrevista no jornal O Estado de S. Paulo dizendo que o Pa\u00eds esperava por cerca de US$ 180 bilh\u00f5es em investimentos em torno da explora\u00e7\u00e3o de libra, nos pr\u00f3ximos 30 anos. E depois de conhecido o resultado, a diretora-geral da ANP, Magda Chambriad, anunciou que R$ 300 bilh\u00f5es em royalties dever\u00e3o ser pagos nas pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas. O dinheiro ter\u00e1, por for\u00e7a de lei, de ser destinado para os setores da Educa\u00e7\u00e3o (75%) e da Sa\u00fade (25%).<\/p>\n<p>Estes progn\u00f3sticos, de antes e depois do leil\u00e3o, hoje s\u00e3o absolutamente cr\u00edveis. Afinal, nenhum cons\u00f3rcio pagaria \u00e0 Uni\u00e3o R$ 15 bilh\u00f5es para ter direito a explorar uma \u00e1rea na qual n\u00e3o cr\u00ea encontrar o que espera. E o que se espera s\u00e3o at\u00e9 12 bilh\u00f5es de barris at\u00e9 2043. Deles, extra\u00eddos os custos operacionais, a Uni\u00e3o ter\u00e1 direito a 40,1% do valor de venda.<\/p>\n<p>Antes, no entanto, o maior volume de informa\u00e7\u00f5es na m\u00eddia tradicional sobre o assunto tirava o leitor do rumo certo:<br \/>\n&#8220;O fato de as empresas multinacionais privadas n\u00e3o participarem do leil\u00e3o de Libra indica que, em vez do risco de mercado, h\u00e1 um risco de governo, pois vai ocorrer muita interven\u00e7\u00e3o do governo brasileiro, disse ao jornal O Globo, cheio de raz\u00e3o, o ex-presidente da ANP David Zylbersztajn, tamb\u00e9m ex-genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n<p>O pessimismo, como se poderia esperar, ganhou o endosso dos especialistas de \u00faltima hora no complexo setor de petr\u00f3leo. E cresceu quando se veiculou que haveria apenas um lance entre os cons\u00f3rcios concorrentes. &#8220;E seja o que Deus, os vencedores e a improvisa\u00e7\u00e3o brasileira quiserem&#8221;, registrou a colunista Eliane Cantanh\u00eade, do jornal Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p>No final do ano passado, Eliane se notabilizou por ser a principal veiculadora de avalia\u00e7\u00f5es que o Brasil, dissesse o governo o que dissesse, estava na imin\u00eancia de um apag\u00e3o energ\u00e9tico. Como se sabe, nenhuma luz se apagou apesar das dezenas de artigos dela com a mesma previs\u00e3o obscura. Desta feita, Eliane foi mais uma a bater a tecla, apontada por Zylberstajn, de que apenas estatais participariam do certame.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 esta segunda 21, os que jogavam na derrota do modelo desenhado pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo para o leil\u00e3o ganharam mais uma esperan\u00e7a. A espanhola Repsol anunciou sua sa\u00edda da disputa. O recuo coincidiu com o avan\u00e7o dos manifestantes que, entre as areias, os coqueiros e a exuber\u00e2ncia solar da Barra da Tijuca, no Rio, acossavam a muralha de soldados do ex\u00e9rcito que protegia o hotel Windsor Barra. Ali, autoridades brasileiras e representantes das concorrentes se aprontavam para conhecer, finalmente, depois de meses, a verdade por detr\u00e1s da especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E a verdade, para horror dos catastrofistas de todos os naipes, apareceu rapidamente, cerca de 30 minutos ap\u00f3s o in\u00edcio do leil\u00e3o. Enquanto, digamos, formadores de opini\u00e3o como Eliane cravavam, na v\u00e9spera, que &#8220;as futuras gera\u00e7\u00f5es&#8221; iriam experimentar as consequ\u00eancias de um certame mal feito e publica\u00e7\u00f5es como o jornal Valor Econ\u00f4mico j\u00e1 anunciavam que a Petrobras, com certeza, iria recuar no ranking dos exportadores de petr\u00f3leo, a vida mostrou que todo aquele gasto de papel e tinta n\u00e3o imprimira muito mais que bobagens.<\/p>\n<p>SHELL E TOTAL CALARAM FRACASSOMAN\u00cdACOS &#8211; A presen\u00e7a da Shell, segunda maior petrol\u00edfera do mundo, e da igualmente privada Total, da Fran\u00e7a, s\u00e9tima no ranking, ambas com somados 40% de presen\u00e7a no cons\u00f3rcio vencedor deixou falando sozinhos todos os que jogavam na tese do perigo estatal. E, pior, no perigo estatal e vermelho. Afinal, dizia-se entre fontes da m\u00eddia tradicional que as estatais chinesas CNOOC e CNC iriam fazer um arreglo tal com a Petrobras que, na pr\u00e1tica, a companhia brasileira apenas faria aumentar seu isolamento e seus gastos, uma vez que precisaria manter uma grande presen\u00e7a no cons\u00f3rcio para faz\u00ea-lo ficar de p\u00e9, superior a 50%. O discurso de manuten\u00e7\u00e3o da estatiza\u00e7\u00e3o do setor j\u00e1 estava quase saindo das gavetas empoeiradas da velha imprensa.<\/p>\n<p>Mas que nada. Na batida do martelo, o que se viu foi a Petrobras participar com 40% do bolo, enquanto as duas chinesas ficaram com 20% e os demais 40% foram divididos igualmente entre Shell e Total. Essa f\u00f3rmula deixa clara, de per si, uma combina\u00e7\u00e3o equilibrada entre gigantes privadas e estatais. Mas n\u00e3o apenas isso. Igualmente sobressai um novo eixo de entendimento na maior fronteira do petr\u00f3leo brasileiro.<\/p>\n<p>Em lugar da Chevron respons\u00e1vel pelo vazamento de milh\u00f5es de litros de \u00f3leo cru no litoral fluminense, como ocorreu h\u00e1 dois anos, tem-se agora a Shell que tem d\u00e9cadas de presen\u00e7a f\u00edsica no pa\u00eds. Debaixo da pecha de se beneficiar da espionagem americana, a Exxon deu lugar \u00e0 Total, vinda de uma Fran\u00e7a com crescentes interesses de costurar acordos estrat\u00e9gicos com o Brasil. E, sim, as chinesas com seu f\u00f4lego quase infinito para investimentos, uma vez que podem acessar ao maior caixa do planeta, administrado pelo governo comunista de Pequim, ocuparam menos espa\u00e7o do que muitos divulgavam.<\/p>\n<p>A partir de agora, essas empresas \u2013 e mais a Petrobras \u2013 ter\u00e3o de dividir informa\u00e7\u00f5es, seus t\u00e9cnicos passar\u00e3o a se conhecer e muita tecnologia come\u00e7ar\u00e1, na pr\u00e1tica, a ser trocada. Para vencer as profundas barreiras de \u00e1gua e rocha at\u00e9 chegar ao pr\u00e9-sal, de onde poder\u00e3o retirar entre 8 e 12 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo nos pr\u00f3ximos 30 anos, as cinco novas irm\u00e3s ter\u00e3o de trabalhar duro em torno dos mesmo objetivos. Antes que se aposte em crises de relacionamento, vale lembrar que tamb\u00e9m h\u00e1 as cartas da parceria e do entendimento para serem jogadas. E foram estas cartas as baixadas no leil\u00e3o de Libra.<\/p>\n<p>Brasil 247<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem apostou contra, perdeu. E perdeu feio. 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