{"id":27491,"date":"2015-12-21T07:24:59","date_gmt":"2015-12-21T10:24:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=27491"},"modified":"2015-12-21T07:24:59","modified_gmt":"2015-12-21T10:24:59","slug":"silencio-da-midia-e-maior-que-o-barulho-dos-nordestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=27491","title":{"rendered":"Sil\u00eancio da m\u00eddia \u00e9 maior que o barulho dos nordestinos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: justify;\">A Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), como um espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade civil organizada, nesses 16 anos de caminhada vem contribuindo para modificar a imagem estereotipada do semi\u00e1rido \u2013 comumente associada ao gado morto e terra rachada \u2013 por uma imagem de uma regi\u00e3o bela, forte, resiliente e cheia de potencialidades.<\/p>\n<p>Por Catarina de Angola*<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"imagem-box imagem-box-2\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>ASA<\/address>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/silencio_midia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-27492\" src=\"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/silencio_midia-300x209.jpg\" alt=\"silencio_midia\" width=\"300\" height=\"209\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"imagem-box imagem-box-2\" style=\"text-align: justify;\">Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, concentrados nas m\u00e3os de poucos, est\u00e3o a servi\u00e7o de um projeto pol\u00edtico que oprime e invisibiliza os povos do semi\u00e1rido.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo dia 17 de novembro, cerca de 20 mil pessoas constru\u00edram a maior mobiliza\u00e7\u00e3o no Brasil ap\u00f3s a Marcha das Margaridas, realizada no m\u00eas de agosto. Agricultores e agricultoras, pescadores e pescadoras, ind\u00edgenas, quilombolas e militantes de movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais se reuniram nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), \u00e0s margens do Rio S\u00e3o Francisco, no epicentro do semi\u00e1rido brasileiro, para defender uma pauta ampla e diversa em torno dos direitos dos povos do campo, no ato \u201cSemi\u00e1rido Vivo: Nenhum direito a menos\u201d.<\/p>\n<p>Reivindicava-se ali, centralmente, a continuidade dos programas de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido executados pela ASA, o acesso das popula\u00e7\u00f5es \u00e0 terra e territ\u00f3rios, a perman\u00eancia dos programas sociais e a revitaliza\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Sendo esse um ato que mobilizou tantas pessoas em torno de pol\u00edticas p\u00fablicas importantes para a vida e o desenvolvimento da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, como os meios de comunica\u00e7\u00e3o discutiram e pautaram o assunto? E tendo a m\u00eddia um importante papel na informa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, que contribui para a forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o da sociedade, e que acompanha as a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico e atua no monitoramento de suas implementa\u00e7\u00f5es, como abordou um ato p\u00fablico que pautou pol\u00edticas que impactam, direta ou indiretamente, a vida de 22,5 milh\u00f5es de brasileiros e brasileiras que vivem na regi\u00e3o, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE, 2010)? Constatamos que houve sil\u00eancio completo da m\u00eddia hegem\u00f4nica. Vinte mil pessoas na rua, lutando por seus direitos, e n\u00e3o houve sequer uma nota em ve\u00edculos nacionais tradicionais e poucas men\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m nos meios de comunica\u00e7\u00e3o alternativos nacionais.<\/p>\n<p><b>Um pouco de barulho<\/b><\/p>\n<p>O que esse sil\u00eancio nos diz? Ser\u00e1 que o estigma da invisibilidade que marcou o semi\u00e1rido por tanto tempo ainda persiste como ran\u00e7o dos coron\u00e9is da comunica\u00e7\u00e3o que, n\u00e3o por coincid\u00eancia, s\u00e3o tamb\u00e9m os coron\u00e9is da pol\u00edtica? Historicamente, a regi\u00e3o semi\u00e1rida sempre foi vista \u2013 e retratada \u2013 pela grande m\u00eddia como um lugar pobre, in\u00f3spito, miser\u00e1vel.<\/p>\n<p>A m\u00eddia n\u00e3o reconhece quando 20 mil trabalhadores e trabalhadoras do campo v\u00e3o \u00e0s ruas em uma postura ativa cobrar seus direitos, lutar por mais pol\u00edticas p\u00fablicas. Prefere sempre se deixar pautar pela estiagem, procurando cenas de gado morto e ch\u00e3o rachado, figuras que sempre encontram espa\u00e7o privilegiado nos notici\u00e1rios regionais e nacionais. Em algumas regi\u00f5es do semi\u00e1rido brasileiro, 2015 j\u00e1 se encerra como o quinto ano consecutivo de seca. Por\u00e9m n\u00e3o foi registrada nenhuma morte em consequ\u00eancia da estiagem, nenhum saque e o \u00eaxodo rural n\u00e3o cresceu. A vida do povo do semi\u00e1rido melhorou. Mas isso n\u00e3o \u00e9 pauta na m\u00eddia comercial.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o no Brasil e no semi\u00e1rido continua concentrada nas m\u00e3os de poucos grupos econ\u00f4micos que ditam as pautas. Aqueles que n\u00e3o pertencem aos grupos hegem\u00f4nicos n\u00e3o t\u00eam direito \u00e0 voz, n\u00e3o expressam seus pensamentos, t\u00eam direito apenas de ouvir e ver.<\/p>\n<p>Apesar desse sil\u00eancio da m\u00eddia nacional, houve algum barulho na cobertura do ato \u201cSemi\u00e1rido Vivo: Nenhum direito a menos\u201d. Barulho que consideramos aqui como as mat\u00e9rias publicadas pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o locais, no Vale do S\u00e3o Francisco. Pouco mais de 50 mat\u00e9rias foram publicadas ou veiculadas, entre sites e portais de not\u00edcias, jornais impressos, r\u00e1dios, TVs e blogs, al\u00e9m dos conte\u00fados publicados e visibilizados pelas organiza\u00e7\u00f5es e movimentos que organizaram e estiveram presentes na mobiliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o o grande fluxo de conte\u00fados que circularam nas redes sociais sobre o ato.<\/p>\n<p><b>Como furar o cerco?<\/b><\/p>\n<p>Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, concentrados nas m\u00e3os de poucos, est\u00e3o a servi\u00e7o de um projeto pol\u00edtico que oprime e invisibiliza os povos do semi\u00e1rido. Por isso, acreditamos ser importante a democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o para que as pessoas reconhe\u00e7am seu modo de falar, denunciem os conflitos e opress\u00f5es e anunciem as belezas, culturas e hist\u00f3rias vivenciadas em cada canto do semi\u00e1rido brasileiro. Democratizar a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 democratizar o sentido da vida, da luta e resist\u00eancia das comunidades e dos povos.<\/p>\n<p>No caminho da luta pela democratiza\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso que mudan\u00e7a na forma das concess\u00f5es p\u00fablicas de r\u00e1dio e televis\u00e3o, a melhor distribui\u00e7\u00e3o da verba publicit\u00e1ria governamental e a proibi\u00e7\u00e3o da propriedade cruzada dos meios de comunica\u00e7\u00e3o estejam entre as notas pautas. S\u00e3o necess\u00e1rias mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o para que consigamos avan\u00e7ar na conquista da comunica\u00e7\u00e3o como direito. Para al\u00e9m das batalhas no campo institucional, o incentivo a comunica\u00e7\u00e3o popular \u00e9 essencial. Quanto mais gente produzindo comunica\u00e7\u00e3o popular e conseguindo dialogar com a sociedade sobre informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o chegam at\u00e9 elas pelos meios convencionais, maior ser\u00e1 nosso poder de enfrentamento ao discurso hegem\u00f4nico. Incentivar a apropria\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o por grupos invisibilizados pelos grandes meios fazendo com que esses grupos possam produzir suas pr\u00f3prias narrativas \u00e9 uma estrat\u00e9gia muito importante de enfrentamento ao monop\u00f3lio.<\/p>\n<p>A luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o vem fortalecer a pr\u00e1tica da comunica\u00e7\u00e3o popular e comunit\u00e1ria. A ASA constr\u00f3i e fortalece em todos os estados do semi\u00e1rido a Rede de Comunicadores e Comunicadoras Populares, um espa\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, discuss\u00e3o pol\u00edtica e experimenta\u00e7\u00e3o de meios alternativos. \u00c9 pelas m\u00e3os dessa rede que toma forma os Candeeiros, instrumento de sistematiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias que j\u00e1 contou a hist\u00f3ria de cerca de duas mil fam\u00edlias da regi\u00e3o, provando que, sim, temos muito a dizer ao Brasil e ao mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Da Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Publicado originalmente no site Portal Vermelho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Articula\u00e7\u00e3o Semi\u00e1rido Brasileiro (ASA), como um espa\u00e7o de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sociedade civil organizada, nesses 16 anos de caminhada<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false,"_wpscppro_dont_share_socialmedia":false,"_wpscppro_custom_social_share_image":0,"_facebook_share_type":"","_twitter_share_type":"","_linkedin_share_type":"","_pinterest_share_type":"","_linkedin_share_type_page":"","_instagram_share_type":"","_medium_share_type":"","_threads_share_type":"","_google_business_share_type":"","_bluesky_share_type":"","_mastodon_share_type":"","_selected_social_profile":[],"_wpsp_enable_custom_social_template":false,"_wpsp_social_scheduling":{"enabled":false,"datetime":null,"platforms":[],"status":"template_only","dateOption":"","timeOption":"","customDays":"","customHours":"","customDate":"","customTime":"","schedulingType":""},"_wpsp_active_default_template":true},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-27491","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27491","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27491"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27491\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27493,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27491\/revisions\/27493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}