{"id":54236,"date":"2018-03-13T06:36:24","date_gmt":"2018-03-13T09:36:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=54236"},"modified":"2018-03-13T06:36:24","modified_gmt":"2018-03-13T09:36:24","slug":"brasil-perde-r-13-bi-com-isencao-a-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=54236","title":{"rendered":"Brasil perde R$ 1,3 bi com isen\u00e7\u00e3o a agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<h2 id=\"link_lead\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 em 2017, as ind\u00fastrias de agrot\u00f3xicos movimentaram cerca de R$ 30 bilh\u00f5es, conforme o pr\u00f3prio setor. E pelas contas feitas pelas organiza\u00e7\u00f5es Terra de Direitos e FIAN Brasil, junto com a Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos e pela Vida e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia (ABA), o pa\u00eds deixou de arrecadar pelo menos R$ 1,3 bilh\u00e3o com as isen\u00e7\u00f5es concedidas a esses produtos.<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"imagem-box imagem-box-2\" style=\"text-align: justify;\">\n<address>Pixabay<\/address>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"\u00a0\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/agrotoxicos116752.jpg\" alt=\"\u00a0\" \/><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e3o isentos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e n\u00e3o recolhem praticamente nada de Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) em muitos estados.<\/p>\n<p>O valor \u00e9 o mesmo do or\u00e7amento deste ano da cidade de Palmas, capital do Tocantins, com 286 mil habitantes. Ou mesmo o da redu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente de 2018 (3,7 bilh\u00f5es) quando comparado ao de R$ 5 bilh\u00f5es de 2013, que vai fazer uma falta danada. Muitos parques n\u00e3o ter\u00e3o recursos para fazer preven\u00e7\u00e3o contra inc\u00eandios, por exemplo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de deixar de arrecadar tudo isso, o pa\u00eds ainda tem de custear o atendimento m\u00e9dico prestado \u00e0s pessoas que adoecem devido \u00e0s intoxica\u00e7\u00f5es agudas causadas por esses mesmos venenos que praticamente n\u00e3o pagam impostos.<\/p>\n<p>As mesmas entidades calculam que, para cada US$ 1 gasto com agrot\u00f3xicos, s\u00e3o dispendidos US$ 1,28 com tratamento m\u00e9dico com intoxica\u00e7\u00f5es. Mas o valor est\u00e1 subdimensionado porque a exposi\u00e7\u00e3o, com o tempo, causa diversos tipos de c\u00e2ncer, e outros males que v\u00e3o aparecer nos trabalhadores rurais \u2013 e nos consumidores de alimentos envenenados \u2013 muitos anos depois.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o entram na conta os incalcul\u00e1veis danos ambientais, a perda da biodiversidade, como o exterm\u00ednio de insetos polinizadores, entre eles abelhas, e a contamina\u00e7\u00e3o do solo e das \u00e1guas, que por sua vez trar\u00e1 doen\u00e7as e mais preju\u00edzos financeiros para todos.<\/p>\n<p>Na esfera estadual as perdas s\u00e3o igualmente incalcul\u00e1veis. No entanto, uma estimativa feita em S\u00e3o Paulo a partir de dados oficiais pelo defensor p\u00fablico da Defensoria Estadual de Santo Andr\u00e9, Marcelo Novaes, mostra que em 2015, o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) deixou de arrecadar pelo menos R$ 1,2 bilh\u00e3o \u2013 da\u00ed a desconfian\u00e7a de o Brasil perde muito mais do que a estimativa das entidades.<br \/>\n<b><br \/>\nAlckmin abre m\u00e3o de R$ 1,2 bilh\u00e3o por ano para incentivar uso de agrot\u00f3xicos<\/b><\/p>\n<p>O valor \u00e9 o mesmo do d\u00e9ficit estadual naquele ano. Em outros estados, como o Rio Grande do Sul, o F\u00f3rum Ga\u00facho de Combate aos Efeitos dos Agrot\u00f3xicos est\u00e1 levantando informa\u00e7\u00f5es junto ao governo para fazer uma estimativa de quanto se paga ali para a popula\u00e7\u00e3o ser envenenada. Um dos maiores consumidores de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds, o RS tem regi\u00f5es que lideram ranking nacional de casos de c\u00e2ncer, conforme o Instituto Nacional do C\u00e2ncer Jos\u00e9 de Alencar (Inca), vinculado ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>As isen\u00e7\u00f5es aos agrot\u00f3xicos dividem setores do governo de Michel Temer. \u00d3rg\u00e3os como o Ibama, Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Consea) e o pr\u00f3prio Inca s\u00e3o contra. J\u00e1 a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o (AGU) entende que elevar impostos de agroqu\u00edmicos aumenta o custo dos alimentos. E o Comit\u00ea T\u00e9cnico de Assessoramento para Agrot\u00f3xicos (CTA), que tem participa\u00e7\u00e3o de representantes dos minist\u00e9rios da Agricultura, do Meio Ambiente, e da Sa\u00fade, e a Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda, j\u00e1 manifestaram a tend\u00eancia de manter as regras atuais.<\/p>\n<p>A imoralidade \u00e9 tamanha que em 2016 advogados ligados \u00e0 Rede Nacional dos Advogados Populares (Renap), por meio do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), ingressaram com a A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n\u00ba 5.553. Eles questionam a legalidade das cl\u00e1usulas 1\u00aa e 3\u00aa do Conv\u00eanio n\u00ba 100\/97, do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (Confaz) e o Decreto 7.660\/2011.<\/p>\n<p>Esses dispositivos concedem benef\u00edcios fiscais ao mercado de agrot\u00f3xicos, com redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 60% da base de c\u00e1lculo do ICMS, al\u00e9m da isen\u00e7\u00e3o total do IPI de determinados tipos de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Em outubro, a procuradora-geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge, divulgou o parecer da PGR sobre a quest\u00e3o, analisada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ministro Edson Fachin. Na avalia\u00e7\u00e3o, Raquel diz que os instrumentos tribut\u00e1rios no pa\u00eds percorrem um caminho inverso. &#8220;Eis que, ao estipularem benef\u00edcios fiscais aos agrot\u00f3xicos, intensificam o seu uso e, portanto, sujeitam o meio ambiente, a sa\u00fade e a coletividade dos trabalhadores aos perigos inerentes ao manuseio em larga escala&#8221;. E que &#8220;o magist\u00e9rio jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal inclina-se a dar prefer\u00eancia ao direito ao meio ambiente, quando necessita ponder\u00e1-lo com outros interesses coletivos&#8221;.<br \/>\n<b><br \/>\nRaquel Dodge considera que isen\u00e7\u00f5es fiscais aos agrot\u00f3xicos s\u00e3o inconstitucionais<\/b><\/p>\n<p>Os fabricantes j\u00e1 est\u00e3o pressionando o STF. A sociedade, ainda n\u00e3o. Por isso, na \u00faltima segunda-feira (5) a Terra de Direitos, a FIAN Brasil, a Campanha Permanente e a ABA protocolaram no STF pedido para ingressar como Amicus Curiae no processo que questiona a constitucionalidade do benef\u00edcio. A condi\u00e7\u00e3o de Amicus permite que as organiza\u00e7\u00f5es possam contribuir com a discuss\u00e3o e fornecer mais elementos para os ministros do STF avaliarem a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a advogada popular da Terra de Direitos e do Coletivo Jur\u00eddico da Campanha Permanente Contra os Agrot\u00f3xicos, Naiara Bittencourt, a redu\u00e7\u00e3o na base de c\u00e1lculo do ICMS de at\u00e9 60% por causa do conv\u00eanio que est\u00e1 sendo questionado no STF al\u00e9m de outras pol\u00edticas agr\u00edcolas que induzem o consumo de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds sustentam &#8220;a configura\u00e7\u00e3o do modelo agr\u00edcola concentrado, dependente e envenenado&#8221;.<\/p>\n<p>O agricultor e estudante de Direito, Thales Mendon\u00e7a, acrescenta que esses benef\u00edcios fiscais foram concedidos sem justificativa concreta e sem debate com a sociedade. O argumento \u00e9 a sua import\u00e2ncia para a economia. &#8220;Esses insumos s\u00e3o produzidos em sua maioria por empresas transnacionais, concentradas, e utilizados em larga escala na produ\u00e7\u00e3o brasileira.Tanto \u00e9 que somos o pa\u00eds que mais consome agrot\u00f3xicos no mundo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo Naiara e Thales, entre os argumentos t\u00e9cnicos para manter esses benef\u00edcios fiscais est\u00e3o os princ\u00edpios da essencialidade e seletividade tribut\u00e1rias. S\u00e3o eles que determinam que, quanto maior a import\u00e2ncia social do bem, haver\u00e1 maiores benef\u00edcios e incentivos fiscais do Estado. Ou seja, se \u00e9 essencial para a coletividade, deve ter isen\u00e7\u00f5es ou redu\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias.<\/p>\n<p>Tal princ\u00edpio, importante para reduzir as desigualdades sociais e facilitar o consumo de bens b\u00e1sicos para a reprodu\u00e7\u00e3o da vida da popula\u00e7\u00e3o, no entanto, acaba desvirtuado e aplicado equivocadamente. Afinal, os agrot\u00f3xicos n\u00e3o s\u00e3o bens essenciais, como s\u00e3o os medicamentos, por exemplo.<\/p>\n<p>Para eles, trata-se, na verdade, de uma transfer\u00eancia de recursos p\u00fablicos aos setores privados, de forma obscura e impl\u00edcita. &#8220;Tais preju\u00edzos s\u00e3o socializados entre toda a popula\u00e7\u00e3o. E al\u00e9m de receberem incentivos fiscais para a venda de agrot\u00f3xicos, as ind\u00fastrias raramente despendem recursos para reparar danos causados \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente&#8221;, destaca Naiara.<\/p>\n<p>&#8220;Abrir m\u00e3o de receita p\u00fablica em um momento de congelamento de investimento em \u00e1reas sociais, por 20 anos, por meio da Emenda Constitucional 95\/2016, sob o pretexto de enfrentamento de d\u00e9ficits, \u00e9 uma afronta&#8221;, afirma Thales.<\/p>\n<p>Em vez dos benef\u00edcios concedidos aos agrot\u00f3xicos, as entidades que eles representam \u2013 e que ingressaram com o Amicus \u2013 defendem incentivos fiscais aos alimentos em sua comercializa\u00e7\u00e3o final ou produtos e maquin\u00e1rios que facilitam pr\u00e1ticas agr\u00edcolas ambientalmente sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>De todo alimento que chega \u00e0 mesa dos brasileiros, 70% vem da agricultura familiar, em muitos casos de bases tradicionais e ecol\u00f3gicas. Apesar dos latif\u00fandios, a agricultura convencional em larga escala n\u00e3o alimenta a popula\u00e7\u00e3o e muito menos paga impostos proporcionalmente ao tamanho do setor dentro da economia nacional.<\/p>\n<p>Dados da Receita Federal mostram que o setor agropecu\u00e1rio, que n\u00e3o abre m\u00e3o dos agrot\u00f3xicos, tamb\u00e9m \u00e9 bem tratado do ponto de vista tribut\u00e1rio. Em 2015, o pa\u00eds arrecadou um total R$ 826 bilh\u00f5es em impostos, vindos de todos os setores da economia. O setor agricultura, pecu\u00e1ria e relacionados contribuiu com apenas R$ 1,92 bilh\u00e3o, o que corresponde a 0,23% do bolo. Um valor \u00e9 irris\u00f3rio quando o agroneg\u00f3cio festejado em cadeia nacional, em hor\u00e1rio nobre da TV, responde por 25% da riqueza produzida no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Fonte: Rede Brasil Atual<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00f3 em 2017, as ind\u00fastrias de agrot\u00f3xicos movimentaram cerca de R$ 30 bilh\u00f5es, conforme o pr\u00f3prio setor. 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