{"id":64195,"date":"2019-01-08T07:24:28","date_gmt":"2019-01-08T10:24:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=64195"},"modified":"2019-01-08T07:24:28","modified_gmt":"2019-01-08T10:24:28","slug":"qual-o-paradigma-chines-sinomics-ou-o-socialismo-de-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=64195","title":{"rendered":"Qual o paradigma chin\u00eas? &#8220;Sinomics&#8221; ou o &#8220;Socialismo de Mercado&#8221;?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"single-subtitle\">As quatro d\u00e9cadas de robusto e resiliente crescimento econ\u00f4mico chin\u00eas, n\u00e3o podem ser apenas caracterizados como resultado de um sistema \u201ccapitalista de Estado\u201d, conforme acreditam desde muitos ortodoxos at\u00e9 a ampla maioria dos pesquisadores marxistas.<\/p>\n<p>Por Alberto Gabriele e Elias Jabbour*<\/h2>\n<div class=\"box-imagem-topo\">\n<address>\u00a0<\/address>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/economia-chinesa-e1509995917727128080.png\" rel=\"shadowbox[gb]\"><img decoding=\"async\" title=\"\u00a0\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/economia-chinesa-e1509995917727128080.png\" alt=\"\u00a0\" \/><\/a><\/div>\n<div id=\"txt_home\" class=\"htmlchars\" style=\"text-align: justify;\">Artigo recente publicado na ag\u00eancia Xinhua (1), assinado por Zheng Xin e Wang Xiuqiong chama a aten\u00e7\u00e3o a um tema\/quest\u00e3o cada vez mais recorrente entre os economistas, sobretudo heterodoxos: dado o longevo, robusto e resiliente crescimento econ\u00f4mico por quase quatro d\u00e9cadas, o caso chin\u00eas j\u00e1 pode ser considerado como um paradigma, nomeado, conforme os autores do artigo, \u201cSinomics\u201d?<\/p>\n<p>O artigo, na verdade, \u00e9 um tanto quanto sem profundidade, mas guarda o m\u00e9rito de ao expor a vis\u00e3o de alguns dos mais renomados economistas chineses de lan\u00e7ar luz \u00e0 forma como os pr\u00f3prios economistas chineses tem tratado o desenvolvimento recente de seu pr\u00f3prio pa\u00eds. A principal refer\u00eancia intelectual do artigo, o professor Li Daokui \u2013 ex consultor do Banco Mundial \u2013 faz uma observa\u00e7\u00e3o interessante, onde coloca como \u201cobriga\u00e7\u00e3o dos economistas contempor\u00e2neos chineses sintetizar as novas teorias surgidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas em linguagem compreens\u00edvel ao restante do mundo (\u2026)\u201d.<\/p>\n<p>Sobre as novas teorias surgidas, o artigo indica as influ\u00eancias intelectuais sobre o professor Li, dentre as principais, \u201co marxismo, as teorias ocidentais sobre a economia de mercado e o legado do pensamento dos cl\u00e1ssicos chineses\u201d. O texto ainda chama a aten\u00e7\u00e3o a observa\u00e7\u00f5es de outros economistas chinesas indicando dire\u00e7\u00e3o semelhante ao do professor Li.<\/p>\n<p>De nossa parte, gostar\u00edamos de expor alguns apontamentos. \u00c9 evidente que o processo de desenvolvimento econ\u00f4mico chin\u00eas ap\u00f3s 1978 j\u00e1 guarda particularidades suficientes para al\u00e7ar o referido processo ao grau de \u201cnovo paradigma\u201d. O nome deste paradigma (Sinomics), sugerido no artigo, \u00e9 interessante, mas n\u00e3o suficiente para encerrar a discuss\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, trata-se de um bom ponto de partida.<\/p>\n<p>A nosso ver, o que ocorre na China \u00e9 a emerg\u00eancia de uma \u201cnova forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social\u201d (FES) onde modos de produ\u00e7\u00e3o (MP) que surgiram em diferentes \u00e9pocas hist\u00f3ricas convivem entre si em uma verdadeira \u201cunidade de contr\u00e1rios\u201d sob a \u00e9gide e predomin\u00e2ncia da grande propriedade estatal\/socialista concentrada no n\u00facleo da grande produ\u00e7\u00e3o industrial (mais de uma centena de conglomerados empresariais estatais), na grande finan\u00e7a (bancos estatais, provinciais e municipais de desenvolvimento) (1).<\/p>\n<p>O sistema pol\u00edtico e socioecon\u00f4mico chin\u00eas, observado holisticamente, \u00e9 uma estrutura de tal diversidade (dado a combina\u00e7\u00e3o de diversas formas e sub-formas de propriedade) que n\u00e3o cabe sua caracteriza\u00e7\u00e3o\/simplifica\u00e7\u00e3o como \u201ccapitalista de Estado\u201d, conforme acreditam desde muitos ortodoxos at\u00e9 a ampla maioria dos pesquisadores marxistas. Assim como formas bin\u00e1rias de percep\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno (por exemplo, a China como puramente \u201ccapitalista\u201d ou \u201csocialista\u201d) \u2013 al\u00e9m de impor uma categoria aprior\u00edstica sobre uma realidade em evolu\u00e7\u00e3o \u2013, pois simplesmente ignoram as imensas contradi\u00e7\u00f5es e complexidades anexas a esta unidade de an\u00e1lise \u2013 da\u00ed a conceitua\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno chin\u00eas como \u201csocialismo de mercado\u201d ser mais fiel a uma forma\u00e7\u00e3o complexa e onde percebe-se a exist\u00eancia de uma clara totalidade sob forma, j\u00e1 exposta acima, de \u201cunidade de contr\u00e1rios\u201d . Indo ao espec\u00edfico, sobre este aspecto (controle, ou n\u00e3o sobre a propriedade), vale lembrar que neste conjunto o Estado exerce controle tanto sobre os principais pre\u00e7os macroecon\u00f4micos (taxas de juros e c\u00e2mbio) quanto no com\u00e9rcio exterior, tratado como um bem p\u00fablico, planificado e de Estado (2).<\/p>\n<p>Por outro lado \u00e9 verdade que existe um importante setor privado na economia chinesa (3), por\u00e9m \u2013 dado a forte presen\u00e7a do setor estatal nos setores estrat\u00e9gicos da economia (com capacidade de gerar efeitos de encadeamento sobre toda a economia, tornando o setor privado um simples ancilar, benefici\u00e1rio dos citados efeitos de encadeamento) \u2013 um olhar mais atento aos dados seria suficiente para demonstrar ser verdade a opini\u00e3o de Trump e de seus assessores de que o controle exercido pelo Estado e o Partido Comunista da China (PCCh) sobre a economia chinesa \u00e9 muito maior do que se imagina. Principalmente atrav\u00e9s da influ\u00eancia \u2013 direta e indireta \u2013 que o Estado e o PCCh exercem sobre (al\u00e9m dos conglomerados estatais) as empresas mistas (sobretudo nas denominadas em ingl\u00eas Limited Liability Companies) (4).<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o reside no surgimento, ou n\u00e3o, de novas teorias em meio aos desafios impostos pelas contradi\u00e7\u00f5es surgidas em meio a este longo processo de desenvolvimento. Na mesma linha de racioc\u00ednio do texto publicado pela Xinhua, os professores Cheng Enfu e Ding Xiaoqin publicaram em 2017 na Monthly Review (5), um bom artigo onde tamb\u00e9m apontam no sentido de a China n\u00e3o poder ser vista \u2013 conforme o senso comum acad\u00eamico \u2013 como um \u201cmilagre\u201d, \u201cmodelo chin\u00eas\u201d ou em termos de \u201ckeynesianos\u201d ou \u201cneoliberais\u201d.<\/p>\n<p>Ambos afirmam, contrariando todo e qualquer senso comum sobre o tema, \u201cque as principais conquistas econ\u00f4micas recentes no pa\u00eds, s\u00e3o devidas aos avan\u00e7os te\u00f3ricos em mat\u00e9ria de Economia Pol\u00edtica originados na pr\u00f3pria China. O artigo avan\u00e7a ao elencar os chamados \u201cOito Princ\u00edpios da Economia Pol\u00edtica Contempor\u00e2nea Chinesa\u201d, que basicamente tem como s\u00f3lida base a rela\u00e7\u00e3o virtuosa entre um Estado forte de estrutura de propriedade p\u00fablica dominando o mercado (6).<\/p>\n<p>A nosso ver, os avan\u00e7os te\u00f3ricos em mat\u00e9ria de Economia Pol\u00edtica por parte dos chineses n\u00e3o somente ocorreram, como devem estar ocorrendo. Por\u00e9m, de antem\u00e3o podemos apontar que o paradigma do \u201csocialismo de mercado\u201d, que conjuga tanto uma nova FES como uma nova teoria do processo de desenvolvimento de uma realidade espec\u00edfica, demanda \u2013 por exemplo \u2013 uma vis\u00e3o mais ampla, larga e moderna de categorias marxistas como forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social e modo de produ\u00e7\u00e3o e abrirmos m\u00e3o de vis\u00f5es utopizantes assentadas, tamb\u00e9m e, por exemplo, em no\u00e7\u00f5es que atribuem ao socialismo a uma mera etapa de transi\u00e7\u00e3o entre o capitalismo e o comunismo.<\/p>\n<p>Um olhar com mais profundidade, e menos idealismo, sobre o socialismo faz-se necess\u00e1rio, inclusive pelas imensas contradi\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 experi\u00eancia chinesa, sobretudo no que tange a desigualdade de renda territorial e social. Por um lado, pol\u00edticas excessivamente liberais adotadas nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 levaram \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um grande fosso separando as zonas rurais das urbanas e entre ricos e pobres (7). Por outro, \u00e9 vis\u00edvel a tend\u00eancia recente de melhora na distribui\u00e7\u00e3o de renda (pela via da aplica\u00e7\u00e3o de diversas pol\u00edticas p\u00fablicas, incluindo a formaliza\u00e7\u00e3o de leis que regulam a rela\u00e7\u00e3o capital x trabalho, in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de um poderoso Estado de Bem-Estar Social e aumentos salariais verificados nos \u00faltimos dez anos acima da produtividade do trabalho). Ao lado da retomada de programas sociais t\u00edpicas \u00e0 \u00e9poca das comunas rurais (principalmente os relacionados \u00e0 \u00e1rea da sa\u00fade p\u00fablica), imensos investimentos em infraestruturas nas zonas e prov\u00edncias mais pobres do pa\u00eds, indicando \u2013 em perspectiva hist\u00f3rica e estrat\u00e9gica \u2013 inaugurando novas e superiores formas de divis\u00e3o social do trabalho (8).<\/p>\n<p>Acreditamos guardar muito sentido a opini\u00e3o de Piketty que indica que uma melhora nos indicadores sociais na China demanda o r\u00e1pido desenvolvimento de impostos progressivos sobre a renda e a riqueza e a institucionaliza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de car\u00e1ter social-democrata. Por\u00e9m, a bem da verdade \u00e9 importante salientar que se assumimos os limites em mat\u00e9ria de distribui\u00e7\u00e3o de renda, tamb\u00e9m deve se considerar que a China \u00e9 um grande, populoso, diverso e complexo pa\u00eds com uma zona rural nada pequena (cerca de 400 milh\u00f5es de pessoas ainda est\u00e3o ocupadas em formas pr\u00e9-capitalistas de produ\u00e7\u00e3o de alimentos). Logo, n\u00e3o \u00e9 prudente comparar o \u00edndice de Gini chin\u00eas com o verificado em pa\u00edses como a It\u00e1lia, Su\u00e9cia ou a Coreia do Sul, dadas tanto as pr\u00f3prias diferen\u00e7as na natureza do emprego e da renda existentes entre as atividades rurais e industriais, quanto as diferen\u00e7as de produtividade do trabalho verificados entre as diversas prov\u00edncias chinesas.<\/p>\n<p>Acrescido das contradi\u00e7\u00f5es expostas da experi\u00eancia socialista chinesa em curso, apontamos que a resili\u00eancia demonstrada pelo capitalismo, que resiste e se desenvolve mesmo em meio a violentas crises, e os novos desenvolvimentos do socialismo na China e no Vietn\u00e3 nos coloca o desafio de observar o socialismo apropriado para a presente \u00e9poca hist\u00f3rica como uma combina\u00e7\u00e3o complexa de modos de produ\u00e7\u00e3o, constitu\u00eddo no moderno socialismo de mercado (9), a ser melhor observado, estudado e compreendido. O desafio da constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cEconomia Pol\u00edtica do Socialismo de Mercado\u201d talvez seja o maior desafio te\u00f3rico imposto aos marxistas na contemporaneidade. Eis o paradigma a ser desvendado.<\/p>\n<p>Por fim, sendo o socialismo de mercado o verdadeiro nome do paradigma econ\u00f4mico de nossa \u00e9poca tendo como n\u00facleo a atual experi\u00eancia chinesa, o desafio te\u00f3rico desloca-se ao modus operandi desta nova FES. Ao menos dois pontos de an\u00e1lise s\u00e3o pertinentes e guarda relev\u00e2ncia \u00e0 explica\u00e7\u00e3o do processo em curso na China: 1) O desenvolvimento\/crescimento do macro-setor n\u00e3o produtivo da economia (infraestruturas sociais, por exemplo) em detrimento relativo do macro-setor produtivo e 2) a ocorr\u00eancia e a regularidade de ciclos decenais de inova\u00e7\u00f5es institucionais que tem permitido um fen\u00f4meno de alta relev\u00e2ncia \u00e0 explica\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico chin\u00eas: de um lado o crescimento qualitativo do papel do Estado (tornando-se, nas palavras de Henderson, o \u201cempreendedor-em-chefe\u201d; o agente direto da coordena\u00e7\u00e3o\/socializa\u00e7\u00e3o do investimento), de outro o crescimento quantitativo do setor privado, ancilar \u00e0 grande propriedade socialista.<\/p>\n<p>Eis alguns pontos essenciais que acreditamos guardar grande sentido n\u00e3o somente para explicar o desenvolvimento chin\u00eas. Mas, principalmente ao apontamento do socialismo do s\u00e9culo XXI como uma alternativa plaus\u00edvel, concreta e longe de utopismos de qualquer natureza.<\/p>\n<p><i>*Alberto Gabriele \u00e9 pesquisador independente e colaborador da Universidade de N\u00e1poles e Elias Jabbour \u00e9 professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGCE-FCE-UERJ)<\/i><\/p>\n<p><b>Notas:<\/b><\/p>\n<p>(1) China Focus:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.xinhuanet.com\/english\/2018-12\/19\/c_137684768.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Reform, opening-up to inspire world with \u201cSinomics\u201d<\/a>, 19\/12\/2018. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p>(2) Sobre essa afirma\u00e7\u00e3o (\u201csocialismo de mercado\u201d como uma NFES), ler: GABRIELE, A.; SCHETTINO, F. (2012). Socialist market economy as a distinct SEF internal to the modern MP. New Proposals: Journal of Marxism and Interdisciplinary Inquiry, v. 5, n. 2, p. 20-50; GABRIELE, A. (2014): The Role of the State in China\u2019s Industrial Development: A Reassessment. Comparative Economic Studies, v. 52, n. 3, p. 325-350; GABRIELE, A. (2016): Lessons from Enterprise Reforms in China and Vietnam. Journal of Economic and Social Thought, v. 3, n. 4, p. 915-936; JABBOUR E.; DANTAS, A. (2017): The political economy of reforms and the present Chinese Transition. Brazilian Journal of Political Economy, v. 37, n. 4, p. 789-807; JABBOUR E.; DANTAS, A. (2018): Na China emerge uma Nova Forma\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mico-Social. Princ\u00edpios, n\u00ba 154, p.70-86 e JABBOUR, E.; PAULA, L. F. (2018). A China e a \u201csocializa\u00e7\u00e3o do investimento\u201d: uma abordagem Keynes-Gerschenkron-Rangel-Hirschman. Revista de Economia Contempor\u00e2nea, n. 22 (1), p. 1-23.<\/p>\n<p>(3) Estudos empreendidos por n\u00f3s, a serem publicados em breve, tem apontado o exemplo da Huawei como algo muito interessante e particular, um verdadeiro case. Esta empresa encontra-se na vanguarda do desenvolvimento da tecnologia 5g. \u00c9 enquadrada, juridicamente, como uma empresa privada, por\u00e9m \u2013 no concreto \u2013, trata-se de uma singular forma mista de propriedade cooperativa onde seus trabalhadores possuem (mesmo que desiguais) cotas de participa\u00e7\u00e3o. Seu fundador \u00e9 um ex-membro do Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o. Suas rela\u00e7\u00f5es com o Estado s\u00e3o semelhantes com as mantidas entre a Motorola, Boeing ou a General Motors com o estado norteamericano, com a diferen\u00e7a, podendo parecer paradoxal, que na China a palavra de maior peso nas decis\u00f5es de investimento estrat\u00e9gico da empresa \u00e9 dada pelo Estado.<\/p>\n<p>(4) Um artigo interessante atestando com afirma\u00e7\u00f5es e dados esse real controle do Estado e do Partido Comunista sobre a economia chinesa pode ser encontrado em: FAN, J; MORCK, B; YEUNG, B. (2011).<a href=\"https:\/\/www.nber.org\/papers\/w17687\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0Capitalizing China. NBER Working Paper, n.17687, Decembe<\/a>r.<\/p>\n<p>(5) ENFU, C; XIAOQIN, D. (2017).\u00a0<a href=\"https:\/\/monthlyreview.org\/2017\/01\/01\/a-theory-of-chinas-miracle\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Theory of China\u2019s \u2018Miracle\u2019<\/a>. Monthly Review, v. 68, n 8, p. 12-23, January.<\/p>\n<p>(6) Os \u201cOito Princ\u00edpios\u201d seriam: 1) Crescimento sustentado pelo avan\u00e7o da Ci\u00eancia e Tecnologia; 2) Produ\u00e7\u00e3o orientada ao bem-estar da popula\u00e7\u00e3o; 3) Domin\u00e2ncia da propriedade p\u00fablica; 4) A primazia do trabalho na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza; 5) O princ\u00edpio do mercado orientado pelo Estado; 6) Conjuga\u00e7\u00e3o de r\u00e1pido crescimento com alta performance; 7) Desenvolvimento equilibrado sob coordena\u00e7\u00e3o estrutural e 8) Soberania econ\u00f4mica e abertura.<\/p>\n<p>(7) Provavelmente, e tamb\u00e9m, a piora em certos indicadores sociais entre as d\u00e9cadas de 1980 e 1990 deve-se, principalmente, ao fim de programas sociais que atuavam no \u00e2mbito das comunas (por exemplo, a a\u00e7\u00e3o dos \u201cm\u00e9dicos descal\u00e7os\u201d). Ou seja, o desmantelamento das comunas foi fator de forte impacto social negativo<\/p>\n<p>(8) Desde, na primavera de 1999, com o lan\u00e7amento do \u201cPrograma de Desenvolvimento do Grande Oeste\u201d, o pa\u00eds tem lan\u00e7ado m\u00e3o de ousadas pol\u00edticas de desenvolvimento territorial com vistas \u00e0 completa unifica\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>(9) O que existe hoje na China (o \u201cmoderno socialismo de mercado\u201d), sob nosso ponto de vista, \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia gerindo (e gerando) uma nova forma\u00e7\u00e3o economico-social (FES) de car\u00e1ter complexa. N\u00e3o se trata de um modelo a ser seguido necessariamente por outros pa\u00edses, nem tampouco uma express\u00e3o dos modelos te\u00f3ricos de socialismo de mercado surgidos desde a d\u00e9cada de 1930 e presente nas obras de economistas poloneses como Oskar Lange, Wlodzimierz Brus, Kazimieri Laski e mais recentemente em trabalhos de Alec Nove.<\/p>\n<p>Fonte: Le Monde Diplomatique<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Publicado originalmente no site Portal Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As quatro d\u00e9cadas de robusto e resiliente crescimento econ\u00f4mico chin\u00eas, n\u00e3o podem ser apenas caracterizados como resultado de um sistema<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false,"_wpscppro_dont_share_socialmedia":false,"_wpscppro_custom_social_share_image":0,"_facebook_share_type":"","_twitter_share_type":"","_linkedin_share_type":"","_pinterest_share_type":"","_linkedin_share_type_page":"","_instagram_share_type":"","_medium_share_type":"","_threads_share_type":"","_google_business_share_type":"","_bluesky_share_type":"","_mastodon_share_type":"","_selected_social_profile":[],"_wpsp_enable_custom_social_template":false,"_wpsp_social_scheduling":{"enabled":false,"datetime":null,"platforms":[],"status":"template_only","dateOption":"","timeOption":"","customDays":"","customHours":"","customDate":"","customTime":"","schedulingType":""},"_wpsp_active_default_template":true},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-64195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/64195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=64195"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/64195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64196,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/64195\/revisions\/64196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=64195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=64195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=64195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}