{"id":67433,"date":"2019-04-29T08:15:59","date_gmt":"2019-04-29T11:15:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=67433"},"modified":"2019-04-28T21:42:51","modified_gmt":"2019-04-29T00:42:51","slug":"tereza-costa-rego-90-anos-da-mulher-que-cravou-sua-arte-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=67433","title":{"rendered":"Tereza Costa R\u00eago: 90 anos da mulher que cravou sua arte na hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/tereza1131016.jpg\" rel=\"shadowbox[gb]\"><img decoding=\"async\" title=\"Tereza Costa R\u00eago escreveu uma hist\u00f3ria movida \u00e0 intensidade\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/tereza1131016.jpg\" alt=\"Tereza Costa R\u00eago escreveu uma hist\u00f3ria movida \u00e0 intensidade\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #fbfbfb; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 19.2px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 300; letter-spacing: normal; line-height: 23.04px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">A artista pl\u00e1stica, dona de obras monumentais, celebra, dia 28 de abril, nove d\u00e9cadas de uma vida dedicada ao amor e ao seu fazer art\u00edstico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">Tereza Costa R\u00eago celebra os seus 90 anos neste domingo, 28 de abril. Foi no seu apartamento, \u00e0 beira-mar de Olinda, no bairro de Casa Caiada, que a artista recebeu esta rep\u00f3rter e o fot\u00f3grafo que assina as imagens desta mat\u00e9ria. Na entrada da sua casa, o tapetinho de corujas anuncia o que ela viria a nos dizer mais tarde: \u201cEu sou mais bicho que gente\u201d, revelando todo o seu amor por animais, presentes na maioria das suas produ\u00e7\u00f5es. Tereza \u00e9 uma for\u00e7a da natureza e celebr\u00e1-la \u00e9, tamb\u00e9m, reverenciar a sua arte, um legado n\u00e3o s\u00f3 para Pernambuco, mas para o Brasil, para o mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Enquanto Tereza termina de se arrumar para nos receber, dividimos a sala, repleta de telas da artista, com Gilda, \u201cGilda Costa R\u00eago\u201d, a sua cachorrinha, uma figurinha simp\u00e1tica da ra\u00e7a West Highland White Terrier, presente do neto. Naquele apartamento mora h\u00e1 pouco mais de um ano e meio. Antes, era uma casa de alguns andares no Amparo, parte alta da cidade. A mobilidade reduzida depois de uma queda for\u00e7ou a mudan\u00e7a para um espa\u00e7o sem tantos obst\u00e1culos. A outra resid\u00eancia virou a sua reserva t\u00e9cnica e, sobretudo, um ref\u00fagio.<\/span><\/p>\n<div><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">Tereza surgiu no corredor quase que como um furac\u00e3o delicado: falante, de peito aberto, com uma humildade proporcional \u00e0 grandiosidade de sua obra, e uma eleg\u00e2ncia nada discreta, de \u00f3culos escuros. A conversa ocorreu em frente a um de seus quadros preferidos, \u201cMulher nua de costas\u201d, de 2009. Come\u00e7o lembrando o seu anivers\u00e1rio, os 90 anos e a chamo de \u201csenhora\u201d, um grande equ\u00edvoco: \u201cUm artista sempre \u00e9 voc\u00ea, mesmo que seja muito velho\u201d , ela pede, e mudo a minha forma de trata-la a partir dali. Tereza conta que n\u00e3o \u00e9 das mais entusiastas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 data festiva: \u201cEu fico fazendo as contas de que poderia ter feito mais\u201d, revela, humildemente. \u201cQuando a pessoa faz 90 anos, fica naquela agonia de fim de linha\u201d, continua. Mas revela que vive bem porque \u00e9 feliz e toma vinho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Mas ela n\u00e3o faz, nem de longe, o tipo que se entrega a este tipo de questionamento; conta que vai continuar pintando, inclusive os seus conhecidos quadros grandes. \u00c9 a\u00ed, ent\u00e3o, que Tereza solicita \u00e0 sua ajudante, Maria, que pegue uma tela ainda em fase de acabamento. Tereza desculpa-se pelas imperfei\u00e7\u00f5es \u2013poss\u00edveis e vis\u00edveis apenas aos seus olhos- e pede , depois de alguns minutos, que ele seja levado dali, de volta ao quarto onde tem produzido no apartamento, para ela \u201cn\u00e3o se aperrear\u201d.<\/span><br \/>\n<b><span style=\"color: #444444;\">Dona do seu tempo<br \/>\n<\/span><\/b><br \/>\n<span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> A sua hist\u00f3ria nos prende como num filme dos melhores. Tereza foi criada para o casamento e para o lar, sonhos, ali\u00e1s, que nunca foram os seus, mas de sua fam\u00edlia, pertencente \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira de Pernambuco. Tereza era a \u00fanica mulher em meio a cinco irm\u00e3os. \u201cA minha educa\u00e7\u00e3o foi muito repressiva pela minha m\u00e3e, que era muito cat\u00f3lica; n\u00e3o podia nada, tudo era pecado, tudo ia para o inferno\u201d, lembra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> O talento para o desenho sempre foi observado pelo irm\u00e3o, o respons\u00e1vel por convencer a fam\u00edlia a matricula-la na Escola de Belas Artes do Recife. \u201cEu aprendi desenho, perspectiva e conheci muitas pessoas que hoje s\u00e3o meus grandes amigos\u201d, comenta. Foi na institui\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a amizade com um grande parceiro de arte e de vida, Reynaldo Fonseca. De perto ou da sua gera\u00e7\u00e3o restam poucos: Francisco Brennand, Jos\u00e9 Cl\u00e1udio, Montez Magno e o pr\u00f3prio Reynaldo. Tereza desponta como nome de peso num cen\u00e1rio dominado por homens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Tereza lembra de outra mulher que tamb\u00e9m viveu de sua arte, Maria Carmem, uma das suas grandes amigas. \u201cEra uma grande pintora, principalmente uma grande desenhista, talvez a maior desenhista de Pernambuco, era do n\u00edvel de Abelardo da Hora\u201d, diz, saudosa.<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">Casou-se cedo, com o pai das suas duas filhas. \u201cUm casamento sem gra\u00e7a\u201d, sentencia, e s\u00f3 o pode fazer porque descobriu o amor verdadeiro, com doses intensas de paix\u00e3o em um relacionamento marcado pela quebra de paradigmas sociais t\u00edpicos da elite da qual fazia parte. Di\u00f3genes Arruda, grande l\u00edder comunista brasileiro, foi o amor da sua vida. Tereza o conheceu nas rodas pol\u00edticas comandadas por seu irm\u00e3o Murilo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Alguns encontros depois e a concretiza\u00e7\u00e3o amorosa e sexual do que j\u00e1 vinha sendo sedimentado em conversas e olhares. \u201cDe amigo virou uma grande paix\u00e3o\u201d, lembra. \u00c9 a\u00ed, ent\u00e3o, que Tereza torna-se a primeira mulher da sua fam\u00edlia a virar desquitada: intrag\u00e1vel para a fam\u00edlia, amigos, colunas sociais. Tereza abriu m\u00e3o da sua vida de privil\u00e9gios para viver com \u201cum comunista que n\u00e3o tinha onde cair morto\u201d, como ela mesma define Di\u00f3genes<\/span>.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">Quando embarcou na aventura rom\u00e2ntica com Di\u00f3genes, Tereza tamb\u00e9m decolou intelectualmente, cada vez mais interessada nos estudos. \u201cDi\u00f3genes, onde ele chegava, botava as pessoas para estudar. Eu estudei muito o marxismo e fui uma pessoa do PCdoB\u201d, conta. Tereza chegou aos grupos de intelectuais mais facilmente do que ela imaginava. \u201cApesar de eu ser uma burguesa para eles, eu fui muito bem recebida, nunca tive problemas\u201d, ressalta. At\u00e9 o amor tem um custo, e o que Tereza pagou foi alto: s\u00e3o inestim\u00e1veis o sofrimento e a saudade durante os anos que Di\u00f3genes passou preso e sendo torturado, durante a Ditadura Militar brasileira \u2013 entrou em 1968, saiu em 1972. As visitas de 15 em 15 dias ao Carandiru, \u00e0 espera da sua vez, na fila, com comida, geralmente lombo assado, foram massacrantes. Ao passo que aliviava a saudade, abria ainda mais aquela ferida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> A artista pl\u00e1stica circulou pelas salas mais bem frequentadas intelectualmente do Brasil e do mundo. Foi num desses eventos que conheceu Darcy Ribeiro, antrop\u00f3logo, escritor e pol\u00edtico brasileiro; para Tereza, a pessoa mais inteligente com quem j\u00e1 dividiu uma conversa. Tereza viveu intensamente a ideia de comunismo e chegou a cursar doutorado na Sorbonne e escolheu para a sua tese o tema \u201cA forma\u00e7\u00e3o do proletariado brasileiro enquanto classe\u201d. \u00c9 claro que, em muitos momentos, Tereza recorria a Di\u00f3genes para tirar algumas d\u00favidas. A rela\u00e7\u00e3o dos dois era mais do que dividir a vida, era terreno f\u00e9rtil para a troca intelectual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Depois de todo o sofrimento pelas pris\u00f5es que passou, pelos ex\u00edlios e pela clandestinidade, Di\u00f3genes morre de uma parada card\u00edaca, quando estava recebendo o l\u00edder pol\u00edtico Jo\u00e3o Amazonas no aeroporto de Congonhas, em S\u00e3o Paulo, no dia 25 de novembro de 1979. Tereza, que viu aquele homem enfrentar a morte de tantas e tantas maneiras, n\u00e3o p\u00f4de se conformar com aquela forma est\u00fapida e brutal de morrer. Aparentemente sem motivo, sem causa. Coisa de gente. Tereza conta que a sua rea\u00e7\u00e3o, ao ver aquele homem, portal de sua vida e de seu amor, morto, sem raz\u00e3o aparente, foi s\u00f3 pegar no seu pesco\u00e7o e perguntar: \u201cTinha que morrer agora? Por que voc\u00ea fez isso comigo?\u201d, uma rea\u00e7\u00e3o quase de crian\u00e7a, aos prantos.<\/span><\/p>\n<p><b>A mulher e sua arte<\/b><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> A morte de Di\u00f3genes foi, de alguma maneira, divisor de \u00e1guas na vida de Tereza. Se por um lado ela havia perdido o grande amor da sua vida; ela toma um posicionamento e busca se desvencilhar da Tereza criada para ser decorativa, da Tereza mulher do l\u00edder pol\u00edtico. A partir dali, era s\u00f3 ela: Tereza e sua arte, marinheira s\u00f3 de sua trajet\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> \u00c9, assim, ent\u00e3o, que a sua arte ganha corpo, for\u00e7a. E o nu feminino, que ela come\u00e7ou a estudar indo escondida \u00e0s aulas de modelo vivo na Escola de Belas Artes, aparece cada vez mais nas suas telas. A hist\u00f3ria de Pernambucano tamb\u00e9m floresce nas suas pinceladas, principalmente com a s\u00e9rie \u201c7 Luas de Sangue\u201d, de 1988, em que revive v\u00e1rios fatos hist\u00f3ricos do estado, a exemplo da Batalha dos Guararapes. Involuntariamente, come\u00e7a a usar o vermelho nas suas obras. E esta vem a ser a sua maior impress\u00e3o em tudo que faz: a cor viva, corrente reflete bem o que Tereza fez nestas nove d\u00e9cadas.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">A dimens\u00e3o dos seus quadros virou uma marca sua: quando n\u00e3o telas enormes, pain\u00e9is de cinco, seis e at\u00e9 oito metros. Em 2017, celebrou os seus 88 anos com exposi\u00e7\u00e3o em que exibiu a sua mais recente cria\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca, o painel \u201cMulheres de Tejucupapo\u201d, uma obra-prima que extrapola qualquer limite territorial e ganha status de universal, feito em acr\u00edlico, com 8m X 2,2m: \u201cAquele quadro saiu do meu \u00fatero, n\u00e3o foi da minha cabe\u00e7a. \u00c9 um neg\u00f3cio muito forte\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Outra caracter\u00edstica que merece destaque na sua arte \u00e9 a presen\u00e7a de animais: cobras, bodes, cachorros, gatos. \u201cEu nunca vi um tatu, mas eu sou fascinada com tatu\u201d, conta, sobre o bicho que aparece em tantas e tantas obras suas.<\/span><\/p>\n<p><b>O saldo da intensidade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Quando Tereza conta de suas inspira\u00e7\u00f5es, revela que n\u00e3o gosta de nada preferido, rejeitando por completo a ideia de \u00eddolos. \u201cEu tive um homem preferido e paguei caro por isso\u201d, explica. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 do tipo que se pega a muitos fazeres, \u00e9 focada. Ao perguntar se ela gosta de tecnologia, mal espera que eu termine e j\u00e1 responde: \u201cEu n\u00e3o sei de nada. Nem quero. Toma muito tempo, e eu estou velha, meu tempo \u00e9 precioso para a minha pintura. N\u00e3o quero dispersar aprendendo essas coisas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Tereza lembra da homenagem que recebeu da Prefeitura do Recife em 2011, quando elementos das suas obras estamparam a decora\u00e7\u00e3o do Carnaval da cidade, assinada por Joana Lira. A artista conta que foi o momento mais emocionante da vida, principalmente por ver a sua arte na rua. E rememora o momento em que chegou ao Classic Hall e viu o ex-governador Eduardo Campos e a mulher, Renata, \u00e0 sua espera depois da ponte, por onde ela passou deslumbrada, ao observar as suas mulheres em tamanho que a vista precisa passear um bocado para alcan\u00e7ar. \u201cQuando eu olhei, estavam os dois com camisa com o meu desenho. Quando eu vi o meu desenho no peito do governador, que era meu filho de uma certa forma, foi lindo\u201d, contou, saudosa.<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">Quando pe\u00e7o para que ela comente o momento pol\u00edtico atual, mais especificamente o governo do presidente Jair Bolsonaro, Tereza desconversa: \u201cVamos falar de flores?\u201d e sorri. Mas a veia pol\u00edtica \u00e9 mais forte e ela faz quest\u00e3o de emitir a sua opini\u00e3o. \u00c0 \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es, vale lembrar, Tereza participou de um v\u00eddeo com outras mulheres pernambucanas contra o ent\u00e3o candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. \u201cEu acho uma tristeza. Um pa\u00eds t\u00e3o maravilhoso, com um territ\u00f3rio t\u00e3o maravilhoso, onde tudo d\u00e1, e a gente com Bolsonaro mandando e desmandando \u00e9 triste\u201d, opina.<\/span><\/p>\n<p><b>Pedido \u00e9 ordem<\/b><\/p>\n<p><span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #444444; font-family: 'Lato',sans-serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; line-height: 19.2px; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\"> Os 90 anos de uma hist\u00f3ria intensa, s\u00f3lida e visceral poderiam ser suficientes para Tereza. Mas n\u00e3o. Tereza quer mais da vida. E com todo o direito. Ela conta que se habituou a viver da sua arte, do seu trabalho. \u201cEu gostaria de fazer uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo\u201d, um desejo que come\u00e7ou a nutrir n\u00e3o faz muito tempo. Este \u00e9 um desejo de uma mulher que j\u00e1 exp\u00f4s na Fran\u00e7a, China, Portugal. Imediatamente, nos vem o apelo: o que ainda est\u00e1 faltando para as obras de Tereza ocuparem os sal\u00f5es do Masp? <\/span><\/p>\n<div>Por Portal Vermelho<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A artista pl\u00e1stica, dona de obras monumentais, celebra, dia 28 de abril, nove d\u00e9cadas de uma vida dedicada ao amor<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false,"_wpscppro_dont_share_socialmedia":false,"_wpscppro_custom_social_share_image":0,"_facebook_share_type":"","_twitter_share_type":"","_linkedin_share_type":"","_pinterest_share_type":"","_linkedin_share_type_page":"","_instagram_share_type":"","_medium_share_type":"","_threads_share_type":"","_google_business_share_type":"","_bluesky_share_type":"","_mastodon_share_type":"","_selected_social_profile":[],"_wpsp_enable_custom_social_template":false,"_wpsp_social_scheduling":{"enabled":false,"datetime":null,"platforms":[],"status":"template_only","dateOption":"","timeOption":"","customDays":"","customHours":"","customDate":"","customTime":"","schedulingType":""},"_wpsp_active_default_template":true},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-67433","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/67433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=67433"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/67433\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67435,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/67433\/revisions\/67435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=67433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=67433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=67433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}