{"id":68341,"date":"2019-06-24T08:15:17","date_gmt":"2019-06-24T11:15:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=68341"},"modified":"2019-06-23T20:47:31","modified_gmt":"2019-06-23T23:47:31","slug":"renato-rabelo-a-reestruturacao-produtiva-e-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=68341","title":{"rendered":"Renato Rabelo: a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e o trabalho"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/renato-rabelo-2-foto-cezar-xavier-portal-grabois_(2)132773.jpg\" alt=\"\u00c2\u00a0\" \/><\/p>\n<p class=\"single-subtitle\">Palestra sobre a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, o trabalho, e as profundas transforma\u00e7\u00f5es do mundo atual. Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o Trabalho, e as grandes Transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Segundo Karl Marx, as Revolu\u00e7\u00f5es Industriais t\u00eam sido mais revolucion\u00e1rias na transforma\u00e7\u00e3o das sociedades que os pr\u00f3prios maiores revolucion\u00e1rios de cada \u00e9poca. Essas revolu\u00e7\u00f5es produzem mudan\u00e7as disruptivas na forma\u00e7\u00e3o das for\u00e7as produtivas, que modificam as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e levam a transforma\u00e7\u00f5es na superestrutura estatal, no Estado, nas suas institui\u00e7\u00f5es e nas rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Em nossa \u00e9poca, com a chamada 4\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, as mudan\u00e7as v\u00e3o sendo mais dr\u00e1sticas e mais velozes \u2013 um verdadeiro mix de tecnologias \u2013 que constituem na continua\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da 3\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, com a internet das coisas, a computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, as redes 5G, a nova forma acumula\u00e7\u00e3o de energia, tendo como marca saliente (disruptiva) a intelig\u00eancia artificial, m\u00e1quina adequada a um sistema cognitivo.<\/p>\n<p>Em termos gerais, a Ind\u00fastria 4.0 compreende a ideia de f\u00e1bricas inteligentes com m\u00e1quinas conectadas em rede e a sistemas que podem visualizar toda cadeia produtiva, podendo tomar decis\u00f5es por si s\u00f3. Surgem novas formas de conectividade de m\u00e1quinas com m\u00e1quinas e de m\u00e1quinas com as pessoas \u2013 os rob\u00f4s colaborativos e as impressoras 3D.<\/p>\n<p><b>Etapa do capitalismo contempor\u00e2neo que emerge a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Se se considera o capitalismo desde o p\u00f3s-Segunda Guerra \u2013 pol\u00edticas de regula\u00e7\u00e3o e compromisso social \u2013 a etapa atual se distancia dessa perspectiva. Vive-se hoje o sistema do capitalismo financeirizado \u2013 capital a juros, capital fict\u00edcio e rentismo.<\/p>\n<p>A financeiriza\u00e7\u00e3o imp\u00f5e de forma sist\u00eamica a subordina\u00e7\u00e3o do Estado, inclusive do seu or\u00e7amento e da sua d\u00edvida, aos des\u00edgnios da exclusiva valoriza\u00e7\u00e3o do capital (Super\u00e1vit prim\u00e1rio, papel dos BCs). Marx previu e tratou essa Etapa como as formas mais \u201cdesenvolvidas\u201d do capital, pr\u00f3prio do seu desenvolvimento org\u00e2nico, n\u00e3o sendo um atraso ou uma deforma\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>A financeiriza\u00e7\u00e3o tornou-se o centro, o polo dominante, precisamente, a finan\u00e7a tornou-se onipresente, normal e geral na atual etapa capitalista.<\/p>\n<p>Em seu movimento de expans\u00e3o o capital tende a se descolar das bases que asseguram o seu pr\u00f3prio processo de valoriza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 porque o capitalismo \u201cdesqualifica\u201d sistematicamente a for\u00e7a de trabalho, mas porque o emprego crescente da m\u00e1quina torna sua participa\u00e7\u00e3o (For\u00e7a de Trabalho) cada vez mais dispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Marx, nos Grundrisse, vislumbrou esse momento do avan\u00e7o dos m\u00e9todos capitalistas de produ\u00e7\u00e3o, quando tornaria o tempo de trabalho uma \u201cbase miser\u00e1vel\u201d para valoriza\u00e7\u00e3o da imensa massa de valor do capital.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia e a tecnologia ao acelerar e transformar o processo de valoriza\u00e7\u00e3o do capital, por outro lado, desencadeia um processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>Desse modo, o dinheiro-capital realiza o seu conceito de valor que se valoriza e busca acrescentar seu valor sem media\u00e7\u00e3o da mercadoria for\u00e7a de trabalho. D-M-D\u2019 se converte em D-D\u2019. O sistema capitalista acaba estreitando a base sobre a qual se apoia esse processo de valoriza\u00e7\u00e3o do capital. Ant\u00f4nio Erm\u00edrio grande empres\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 falecido, afirmava: \u201cUma raz\u00e3o para o governo baixar os juros \u00e9 tirar essa gente, esses novos ricos, da vida mansa dos juros e obrig\u00e1-los a fazer for\u00e7a, a gerar riqueza para que o PIB brasileiro ande para frente\u201d.<\/p>\n<p>A s\u00edntese \u00e9 que a atual etapa do capitalismo financeirizado, globalizado, e autonomizado \u2013 na sua Quarta Era tecno-cientifica \u2013 engendra maior avan\u00e7o do capital fict\u00edcio, do rentismo. Ou melhor, as tecnologias da Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (QRI) n\u00e3o s\u00e3o neutras, est\u00e3o sendo utilizadas para impulsionar o capitalismo financeirizado.<\/p>\n<p><b>A sociedade que desponta da financeiriza\u00e7\u00e3o, nas condi\u00e7\u00f5es da QRI<\/b><\/p>\n<p>Em termos aproximados estamos num curso de uma sociedade capitalista na qual os detentores da riqueza financeira acumulam valor, produto do aumento da produtividade (\u201ctempo livre\u201d), sob a forma de capital fict\u00edcio \u2013 direitos sobre a riqueza e a renda &#8212; estes s\u00e3o os bem-sucedidos.<\/p>\n<p>Enquanto isso os mais fracos s\u00e3o \u201cliberados\u201d do trabalho \u2013 sofrem amea\u00e7a permanente do desemprego, da crescente precariedade das novas ocupa\u00e7\u00f5es, da queda do sal\u00e1rio real, do aumento exponencial da desigualdade e da exclus\u00e3o social, que pode se transformar numa grande amea\u00e7a, com o descarte desses exclu\u00eddos, ditos indesej\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os r\u00e1pidos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos provocar\u00e3o fortes impactos, j\u00e1 em curso, sobre as empresas \u2013 vasta press\u00e3o competitiva, fal\u00eancias, fus\u00f5es, maior concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital em grandes cons\u00f3rcios financeiros e seus conglomerados empresariais. Por sua vez, o trabalho humano sofre um impacto violento, que o atinge de forma sist\u00eamica.<\/p>\n<p>A chamada Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, com o mix tecnol\u00f3gico mencionado, vai cortar milh\u00f5es de postos de trabalho, segundo relat\u00f3rio apresentado pela entidade que organiza o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial de Davos.<\/p>\n<p>O processo que vai se instalando \u00e9 de precariza\u00e7\u00e3o laboral crescente, trabalho intermitente, sem v\u00ednculo formal com as empresas, perda completa de direitos e desemprego estrutural, vide a situa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds. Da\u00ed a aprova\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista no Brasil, que vai em dire\u00e7\u00e3o a esta nova forma de rela\u00e7\u00e3o capital\/trabalho.<\/p>\n<p>O que j\u00e1 vem acontecendo em forma crescente \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o do trabalho pela automa\u00e7\u00e3o. Atualmente, no Brasil, mais de 70% do trabalho veem da \u00e1rea de servi\u00e7os, e precisamente \u00e9 a\u00ed que as fun\u00e7\u00f5es desaparecer\u00e3o, porquanto podem ser totalmente automatizadas. E assim v\u00e1rios tipos de trabalho e profiss\u00f5es com automa\u00e7\u00f5es total ou parcial.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 atrasado na marcha da Revolu\u00e7\u00e3o 4.0, n\u00e3o est\u00e1 preparado tecnologicamente. Mas se n\u00e3o modernizar a sua produ\u00e7\u00e3o, retomando seu processo de reindustrializa\u00e7\u00e3o aumentar\u00e1 extremamente sua defasagem em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses l\u00edderes, podendo sair do bloco das dez maiores economias do mundo.<\/p>\n<p>A concorr\u00eancia imp\u00f5e aos capitalistas a ditadura do tempo de trabalho socialmente necess\u00e1rio e, simultaneamente, os obriga \u00e0 busca incessante de sua redu\u00e7\u00e3o para ganhar a dianteira.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que modernizam a base material da sociedade n\u00e3o podem ser barrados, fazem parte da criatividade da intelig\u00eancia humana, s\u00e3o engrenagens que permitem o desenvolvimento humano em todos os sentidos, s\u00e3o avan\u00e7os materiais que engendram o aprimoramento crescente das forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4mico-social das sociedades.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o de uma exig\u00eancia hist\u00f3rica, contudo, essa evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica-cientifica contempor\u00e2nea deve estar voltada para constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade que assegure a emancipa\u00e7\u00e3o social, o desenvolvimento e a prosperidade nacional, o avan\u00e7o civilizacional e a paz entre os povos e pa\u00edses.<\/p>\n<p><b>Diante dessa realidade de grandes desafios: surge a quest\u00e3o da alternativa<\/b><\/p>\n<p>Nos marcos do capitalismo, nas condi\u00e7\u00f5es expostas, a luta pela valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho ocupa uma centralidade, e deve compreender uma a\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 objetivos maiores: os trabalhadores atrav\u00e9s de seus sindicatos, das centrais sindicais e seus partidos devem lutar na atualidade por um Projeto de pa\u00eds, que abra caminho para uma outra sociedade, que suplante a financeiriza\u00e7\u00e3o, o rentismo, e coloque a Revolu\u00e7\u00e3o 4.0 \u00e0 servi\u00e7o de toda sociedade.<\/p>\n<p>No curso da luta, desde j\u00e1, torna-se premente o debate e o conhecimento entre os trabalhadores, atrav\u00e9s de suas organiza\u00e7\u00f5es acerca da QRI, para que possam influir na aplica\u00e7\u00e3o e rumos da nova tecnologia e de suas inova\u00e7\u00f5es. O cen\u00e1rio que vai sendo desenhado de maior precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e taxas de desemprego inquietantes coloca novos desafios sobre o pr\u00f3prio modelo das organiza\u00e7\u00f5es sindicais.<\/p>\n<p>As bandeiras de luta de maior alcance, sempre vinculadas aos anseios dos trabalhadores, v\u00e3o sendo destrinchadas e compatibilizadas conforme a realidade de cada pa\u00eds: a luta estrat\u00e9gica pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho; uma inova\u00e7\u00e3o, a tributa\u00e7\u00e3o de cada rob\u00f4 instalado nas empresas e em qualquer setor, como meio para formar uma nova l\u00f3gica para o financiamento da seguridade social; um programa universal de renda m\u00ednima para compensar a maior perda de empregos.<\/p>\n<p>E diante do novo contexto produtivo que busca desvincular os trabalhadores de sua organiza\u00e7\u00e3o coletiva e individualizar os direitos, o DIEESE considera que: nessa situa\u00e7\u00e3o como os sindicatos atra\u00edrem o \u201ctrabalhador digital\u201d, como organiz\u00e1-los, como realizar o financiamento sindical e a negocia\u00e7\u00e3o coletiva, conclui que tudo isso deva ser remodelado e adaptado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a quest\u00e3o essencial da comunica\u00e7\u00e3o, novos instrumentos para mobiliza\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, sobretudo do uso eficaz das redes sociais entre os trabalhadores e na rela\u00e7\u00e3o com a sociedade.<\/p>\n<p>Enfim, diante de: 1) Um sistema de capitalismo financeirizado; 2) Nas condi\u00e7\u00f5es que adv\u00e9m de uma chamada QRI, a servi\u00e7o desse sistema; 3) No contexto de uma transi\u00e7\u00e3o pelo dom\u00ednio do poder mundial, a quest\u00e3o da ALTERNATIVA a seguir ocupa uma centralidade na luta por uma nova sociedade.<\/p>\n<p>No trabalho conjunto de 5 Funda\u00e7\u00f5es \u2013 a Funda\u00e7\u00e3o Mauricio Grabois, a Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Mangabeira, a Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, a Funda\u00e7\u00e3o Leonel Brizola\/Alberto Pasqualini e a Funda\u00e7\u00e3o Lauro Campos &#8212; apresentado no ano passado, no esfor\u00e7o de contribuir para o debate eleitoral em 2018, elaborou um Manifesto conjunto, tendo em vista: superar a grave crie brasileira e distinguir um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento destinado ao Brasil atual \u2013 um Projeto desenvolvimentista em novas bases para reconstru\u00e7\u00e3o do Brasil. Quest\u00e3o que se tornou mais atual e candente.<\/p>\n<p>O programa de 2009, do PCdoB, j\u00e1 indicava o caminho estrat\u00e9gico, compreendido na indica\u00e7\u00e3o de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, como o meio de se alcan\u00e7ar \u00e0 transi\u00e7\u00e3o socialista no Brasil.<\/p>\n<p>Por Portal Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Palestra sobre a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, o trabalho, e as profundas transforma\u00e7\u00f5es do mundo atual. 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