{"id":73260,"date":"2022-02-21T06:10:00","date_gmt":"2022-02-21T09:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=73260"},"modified":"2022-02-21T21:14:27","modified_gmt":"2022-02-22T00:14:27","slug":"com-bolsonaro-e-pandemia-expectativa-de-vida-no-brasil-cai-44-anos%ef%bf%bc%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=73260","title":{"rendered":"Com Bolsonaro e pandemia, expectativa de vida no Brasil cai 4,4 anos\ufffc\ufffc"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEntre 1980 e 2019, ganhou-se quatro meses por ano de expectativa de vida. Entre 2019 e 2021, perdeu-se quatro meses por m\u00eas de expectativa de vida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/expectativa_de_vida.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pandemia de Covid-19 \u2013 que foi particularmente agravada no Pa\u00eds com a neglig\u00eancia do governo Jair Bolsonaro \u2013 retirou 4,4 anos de expectativa de vida dos brasileiros. Em 2019, uma pessoa nascida no Brasil tinha a expectativa de viver, em m\u00e9dia, at\u00e9 os 76,6 anos. Hoje vive cerca de 72,2 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Proje\u00e7\u00f5es da Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas Sociais (Disoc), do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), apontam para novas tend\u00eancias demogr\u00e1ficas. Juntos, o bolsonarismo e a pandemia aceleraram o decrescimento da popula\u00e7\u00e3o \u2013 e anteciparam em uma d\u00e9cada a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento da m\u00e3o de obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a pesquisadora Ana Am\u00e9lia Camarano, coordenadora de Estudos e Pesquisas de Igualdade de G\u00eanero, Ra\u00e7a e Gera\u00e7\u00f5es, da Disoc\/Ipea, a redu\u00e7\u00e3o da expectativa de vida foi muito \u201cforte\u201d, em decorr\u00eancia do \u201caumento da mortalidade. De mar\u00e7o de 2020 a dezembro de 2021, houve perda de 4,4 anos na expectativa de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cIsso \u00e9 muita coisa. Perder 4,4 anos em 22 meses significa uma perda de vida de 0,36 ano ou quatro meses em cada m\u00eas\u201d, argumenta. \u201cEntre 1980 e 2019, ganhou-se quatro meses por ano de expectativa de vida. Entre 2019 e 2021, perdeu-se quatro meses por m\u00eas de expectativa de vida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mortalidade da Covid-19 se tornou uma vari\u00e1vel importante no envelhecimento populacional, para o qual historicamente pesava mais a queda da natalidade. Al\u00e9m de mais mortes, menos pessoas nasceram. Os nascimentos j\u00e1 vinham diminuindo antes da crise sanit\u00e1ria porque a fecundidade estava caindo no Brasil. Mas, de acordo com Ana Am\u00e9lia, \u201ca pandemia trouxe tamb\u00e9m aumento da mortalidade materna, levando \u00e0 mortalidade de beb\u00eas e ao adiamento de gravidezes, acrescenta a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cJ\u00e1 estava previsto que a popula\u00e7\u00e3o diminuiria a partir de meados da d\u00e9cada de 2030, mas com a pandemia isso deve acontecer at\u00e9 o fim desta d\u00e9cada. Come\u00e7a a haver diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o total e tamb\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa (PIA)\u201d, prev\u00ea Ana. Segundo proje\u00e7\u00f5es da pesquisadora, a popula\u00e7\u00e3o brasileira deve ir de 204,6 milh\u00f5es em 2020 para 212,2 milh\u00f5es em 2025, 209,7 milh\u00f5es em 2030 e 204,2 milh\u00f5es em 2035. A PIA deve passar de 136 milh\u00f5es em 2020 para 142,7 milh\u00f5es em 2025, 139,8 milh\u00f5es em 2030, e 133,1 milh\u00f5es em 2035.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ana Am\u00e9lia afirma que tanto a popula\u00e7\u00e3o total quanto a PIA devem crescer de 2020 a 2025, apesar de menor natalidade e maior mortalidade. O motivo: a PIA nasceu antes da pandemia e s\u00f3 ser\u00e1 afetada pela queda da natalidade decorrente da Covid em 2035. \u201cQuanto \u00e0 mortalidade, o efeito foi desacelerar o crescimento da PIA para depois levar a uma redu\u00e7\u00e3o que j\u00e1 estava prevista. Antecipamos em cerca de dez anos a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento da m\u00e3o de obra.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela chama aten\u00e7\u00e3o para consequ\u00eancias da transi\u00e7\u00e3o acelerada como o \u201cdesequil\u00edbrio dos mecanismos de transfer\u00eancia intergeracionais\u201d no Brasil. \u201cEm uma popula\u00e7\u00e3o, pais cuidam dos filhos e filhos cuidam dos pais. A tend\u00eancia \u00e9 ter mais pais e menos filhos, seja para cuidar, seja para pagar a conta da Previd\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dem\u00f3grafo Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves, professor da Escola Nacional de Ci\u00eancias Estat\u00edsticas por quase 20 anos, a pandemia n\u00e3o mudar\u00e1 o rumo da tend\u00eancia demogr\u00e1fica no Brasil. \u201cDe modo geral, a pandemia aumentou a mortalidade e diminuiu a natalidade. Isso para o mundo e para o Brasil tamb\u00e9m\u201d, diz. \u201cDesde o in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria, diminuiu em 300 mil o n\u00famero de nascimentos e aumentou em 400 mil o de mortes, o que levou a um crescimento vegetativo menor em 700 mil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2019, foram 2,8 milh\u00f5es de nascimentos e 1,28 milh\u00e3o de \u00f3bitos no pa\u00eds, segundo dados do Portal da Transpar\u00eancia relativos ao registro civil. Em 2020, o n\u00famero de nascimentos caiu para 2,64 milh\u00f5es e o n\u00famero de \u00f3bitos subiu para 1,47 milh\u00e3o, com crescimento vegetativo indo para 1,17 milh\u00e3o de pessoas. Em 2021, o n\u00famero de nascimentos caiu para 2,62 milh\u00f5es e o n\u00famero de \u00f3bitos subiu para 1,73 milh\u00e3o, com crescimento vegetativo ficando abaixo de 900 mil pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diniz Alves observa que o Brasil e o mundo est\u00e3o passando por um processo de transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, com diminui\u00e7\u00e3o das taxas de mortalidade e de natalidade. \u201cA pandemia da n\u00e3o vai mudar o rumo da tend\u00eancia demogr\u00e1fica, de decrescimento, mas deve antecipar isso\u201d, afirma. Ele acredita que a pandemia seja algo pontual e que o Brasil voltar\u00e1 \u00e0 tend\u00eancia anterior, com nascimentos diminuindo, a um ritmo menor que na pandemia, e menos \u00f3bitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Com informa\u00e7\u00f5es do Valor Econ\u00f4mico<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por Portal Vermelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEntre 1980 e 2019, ganhou-se quatro meses por ano de expectativa de vida. 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