{"id":7563,"date":"2014-05-05T08:20:28","date_gmt":"2014-05-05T11:20:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=7563"},"modified":"2014-05-05T08:20:28","modified_gmt":"2014-05-05T11:20:28","slug":"usina-de-itaipu-completa-30-anos-de-operacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=7563","title":{"rendered":"USINA DE ITAIPU COMPLETA 30 ANOS DE OPERA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<div>A Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu completa hoje (5) 30 anos de opera\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo, gerou um total de 2.167.763.264 megawatts-hora (MWh) \u2013 energia suficiente para suprir o consumo de todo o Planeta por um m\u00eas, sete dias, 11 horas e 42 minutos. A produ\u00e7\u00e3o acumulada do per\u00edodo poderia tamb\u00e9m abastecer a Regi\u00e3o Centro-Oeste por praticamente 66 anos, o Brasil por quatro anos e oito meses ou a Am\u00e9rica Latina por mais de dois anos e cinco meses.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cS\u00e3o n\u00fameros impressionantes, principalmente se levarmos em conta que por tr\u00e1s dessa obra est\u00e3o o Brasil e o Paraguai: dois pa\u00edses que, na \u00e9poca, eram considerados perif\u00e9ricos e sem capacidade para tocar um empreendimento de tal magnitude\u201d, disse \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/strong>o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek.<\/div>\n<div>\n<p>A usina gera 2,8 mil empregos diretos: 1,4 mil em cada um dos dois pa\u00edses. Para constru\u00ed-la, foram necess\u00e1rios U$$ 27 bilh\u00f5es, captados em org\u00e3os nacionais e internacionais, incluindo as rolagens financeiras. Atualmente, a d\u00edvida \u00e9 US$ 13 bilh\u00f5es. Cerca de 60% dos custos anuais t\u00eam como destino o pagamento dessa d\u00edvida.<\/p>\n<p>\u201cMas ela ser\u00e1 quitada em 2023. A partir de ent\u00e3o, teremos apenas os custos de opera\u00e7\u00e3o, o que poder\u00e1 resultar em tarifas mais m\u00f3dicas, caso seja esse o interesse do governo. Outro caminho que pode ser adotado \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o, com o objetivo de ampliar o setor com novas usinas financiadas. H\u00e1 ainda um terceiro caminho, que \u00e9 misturar os dois anteriores\u201d, explica o superintendente da \u00e1rea de Opera\u00e7\u00e3o de Itaipu, Celso Torino.<\/p>\n<p>Itaipu j\u00e1 distribuiu US$ 280 milh\u00f5es em\u00a0<em>royalties<\/em>. Desse total, 45% foram destinados aos munic\u00edpios que tiveram \u00e1reas alagadas, 45% aos estados e 10% aos minist\u00e9rios de Minas e Energia, da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o e do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ser mais a usina com maior capacidade instalada do mundo \u2013 ela perdeu o posto para a Hidrel\u00e9trica Tr\u00eas Gargantas, na China, com 22,4 mil MW \u2013 Itaipu, cuja capacidade \u00e9 14 mil MW, continua sendo a maior geradora de energia, gra\u00e7as ao maior volume de \u00e1gua que passa por suas turbinas.<\/p>\n<p>\u201cNossa localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o diferencial, e \u00e9 por isso que somos mais produtivos do que a usina chinesa, apesar de termos menor capacidade instalada. Nenhuma usina recebe tanta \u00e1gua quanto Itaipu. Todas a \u00e1gua da Bacia do Paran\u00e3 [constitu\u00edda pelos rios com origem em Bras\u00edlia, Minas Gerais, Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo, no Paran\u00e1 e sul de Mato Grosso] obrigatoriamente passa por aqui. A mesma \u00e1gua que passa por 45 outras usinas gera energia tamb\u00e9m em Itaipu, mostrando de forma clara e inquestion\u00e1vel como \u00e9 renov\u00e1vel essa matriz energ\u00e9tica\u201d, explica Samek.<\/p>\n<p>A usina bate recordes seguidos. Em 2012, foram gerados 98,3 milh\u00f5es de MWh, recorde batido no ano seguinte, quando atingiu a marca de 98,63 milh\u00f5es de MWh, enquanto Tr\u00eas Gargantas gerou pouco mais de 80 mil MWh. Itaipu poderia ter ultrapassado a marca de 100 milh\u00f5es de MWh no ano passado, n\u00e3o fossem algumas medidas preventivas adotadas devido \u00e0 Copa das Confedera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2014, h\u00e1 possibilidade de esse recorde n\u00e3o ser batido devido a medidas preventivas e \u201ccuidados especiais\u201d adotados por causa da Copa do Mundo. \u201cPara a Copa do Mundo, teremos o m\u00e1ximo de equipamentos de confiabilidade na usina, bem como equipes refor\u00e7adas\u201d, antecipou Torino. \u201cSer\u00e1 dif\u00edcil batermos novo recorde porque estamos operamos com sistema de seguran\u00e7a maior\u201d, completou Samek. .<\/p>\n<p>A qualidade da usina \u00e9 elogiada pelo diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia (Coppe), Luiz Pinguelli Rosa. \u201cItaipu \u00e9 uma obra de engenharia primorosa, com um sistema muito eficiente em termos de manuten\u00e7\u00e3o\u201d, destaca o professor de energia do Programa de Planejamento Energ\u00e9tico do instituto.<\/p>\n<p>\u201cEm 2001, na \u00e9poca em que o pa\u00eds teve de fazer racionamento de energia, Itaipu n\u00e3o parou. Faltava energia em v\u00e1rias usinas, mas l\u00e1 n\u00e3o. Ela tinha muita \u00e1gua. O problema estava na transmiss\u00e3o de energia. Se houvesse uma estrutura [de transmiss\u00e3o] como a atual, certamente teriamos melhores condi\u00e7\u00f5es para lidar com o problema\u201d, disse ele \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Para Samek, a interliga\u00e7\u00e3o do sistema avan\u00e7ou nos \u00faltimos anos. \u201cFoi montado um esquema chamado Erac [Esquema Regional de Al\u00edvio de Carga] que, ao identificar problemas mais s\u00e9rios, mant\u00e9m com energia lugares considerados estrat\u00e9gicos e desliga \u00e1reas mais remotas. Seria algo como um apag\u00e3o seletivo, que preserva \u00e1reas sens\u00edveis, onde o preju\u00edzo seria muito maior caso houvesse queda [no fornecimento de energia]\u201d, explica o diretor- geral de Itaipu.<\/p>\n<p>\u201cE se houver problema em outra usina e ela tiver de ser isolada do sistema, temos condi\u00e7\u00f5es de, em dez minutos, repor cerca de 3 mil MW de energia ao sistema\u201d, completou Torino. Itaipu foi a primeira a adotar corrente cont\u00ednua no Brasil. A energia sai da usina e viaja 1,1 mil quil\u00f4metros direto, sem passar por esta\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias. \u201cIsso n\u00e3o existia no Brasil. S\u00f3 agora, 30 anos depois, usamos a mesma tecnologia para fazer a linha que liga as usinas do Rio Madeira at\u00e9 Araraquara (SP), com perda inferior a 2% ao longo do caminho\u201d, disse Samek.<\/p>\n<p>Segundo Torino, grandes desafios aguardam Itaipu nos pr\u00f3ximos anos. Entre eles, est\u00e1 o de preservar a produtividade da usina e a boa gest\u00e3o de conhecimentos por ela adquiridos. \u201cPrecisamos repassar isso a futuros trabalhadores, sem que a efici\u00eancia do empreendimento seja prejudicada\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo dos 30 anos de opera\u00e7\u00e3o, a usina n\u00e3o gerou apenas energia. \u201cGeramos muito conhecimento. A intelig\u00eancia que se acumulou para construir Itaipu, especialmente pelos profissionais das \u00e1reas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, cientistas e ambientalistas, foi aproveitada tamb\u00e9m no nosso parque tecnol\u00f3gico\u201d, ressaltou o diretor.<\/p>\n<p>Entre os projetos desenvolvidos no parque da usina est\u00e3o o carro el\u00e9trico brasileiro e acess\u00f3rios para esse tipo de ve\u00edculo, como baterias para aproveitamento de energias solar e hidr\u00e1ulica. \u201cAvan\u00e7amos muito no desenvolvimento de t\u00e9cnicas de armazenamento e produ\u00e7\u00e3o de energia por meio de hidrog\u00eanio\u201d, lembrou Samek.<\/p>\n<p>Itaipu gera tamb\u00e9m tecnologias sociais. Ap\u00f3s constatar que o reservat\u00f3rio da usina e os\u00a0 rios da regi\u00e3o haviam sido contaminados por fezes de gado e de porcos criados na \u00e1rea, os t\u00e9cnicos desenvolveram sistemas de aproveitamento energ\u00e9tico a partir das fezes desses animais. Com equipamentos de gera\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de energia, as fezes s\u00e3o transformadas em biog\u00e1s para abastecer, de energia el\u00e9trica, fazendas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCentenas de produtores e cinco cooperativas j\u00e1 adotaram a tecnologia. Os dejetos que sobram [desse processo] viram adubo para as planta\u00e7\u00f5es\u201d, informou o diretor. \u201cAgora, nosso desafio \u00e9 fazer uma cidade inteira ser abastecida por essa energia\u201d, acrescentou, referindo-se \u00e0 cidade paranaense de Entre Rios do Oeste, que tem cerca de 4 mil habitantes.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da usina para o desenvolvimento da regi\u00e3o ultrapassa a fronteira, beneficiando consideravelmente o Paraguai, \u201cembora eles ainda paguem parcela da d\u00edvida de constru\u00e7\u00e3o\u201d, explica o diretor do Coppe. \u201cEssa usina \u00e9 um caso exemplar de coopera\u00e7\u00e3o internacional, porque o Paraguai, na \u00e9poca, n\u00e3o tinha a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de fazer uma obra como essa, que viria a se tornar a de maior gera\u00e7a\u00f5 el\u00e9trica de todo o mundo\u201d, acrescenta. \u201cItaipu faz parte de uma estrat\u00e9gia de aproxima\u00e7\u00e3o e desenvolvimento conjunto [da regi\u00e3o], encabe\u00e7ada pelo ent\u00e3o presidente Ernesto Geisel\u201d.<\/p>\n<p>Recentemente, o Paraguai foi beneficiado com uma segunda linha de transmiss\u00e3o ligando a usina \u00e0 capital do pa\u00eds, Assunc\u00e3o, feita pela binacional com recursos da verba que o Brasil d\u00e1 ao Mercosul. \u201cAs discord\u00e2ncias entre o Paraguai e o Brasil est\u00e3o relacionadas principalmente ao valor pago pelo excedente [da energia cotada para o pa\u00eds vizinho]. Eles reclamam tamb\u00e9m da d\u00edvida, que \u00e9 cobrada at\u00e9 hoje na tarifa\u201d, explicou o professor.<\/p>\n<p>\u201cAntes disso, o problema era com a Argentina, que na \u00e9poca tinha muita rivalidade com o Brasil. A disputa pela hegemonia [na Am\u00e9rica do Sul] era muito grande. Eles alegaram que poderia haver ruptura da barragem, e que isso a colocava em\u00a0 situa\u00e7\u00e3o de risco por causa de uma poss\u00edvel inunda\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Pinguelli.<\/p>\n<p>Brasil 247<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu completa hoje (5) 30 anos de opera\u00e7\u00e3o. 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