{"id":76884,"date":"2022-12-23T17:43:51","date_gmt":"2022-12-23T20:43:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=76884"},"modified":"2022-12-23T17:43:51","modified_gmt":"2022-12-23T20:43:51","slug":"elias-jabbour-e-luiz-g-belluzzo-o-pensamento-conservador-promete-o-retrocesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=76884","title":{"rendered":"Elias Jabbour e Luiz G. Belluzzo: O pensamento conservador promete o retrocesso"},"content":{"rendered":"<div class=\"row row-small\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mt-30\">\n<h1>Elias Jabbour e Luiz G. Belluzzo: O pensamento conservador promete o retrocesso<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os editoriais dos jornais e os economistas do \u2018mercado\u2019 fazem um movimento de marcha \u00e0 r\u00e9 na hist\u00f3ria<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-info \">\n<div class=\"author\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/elias-jabbour\/\">Elias Jabbour<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/luiz-gonzaga-belluzzo\/\">Luiz Gonzaga Belluzzo<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado pelo Portal Vermelho<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post--image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Design-sem-nome-1-8.jpg?fit=1920%2C1080&amp;ssl=1\" \/>Foto: Wesfoto<\/div>\n<p>Em 1985 um filme fez bastante sucesso e bateu recordes de bilheteria. Dirigida por Robert Zemeckis, a obra conta a hist\u00f3ria de um adolescente que volta ao ano de 1955. De volta para o futuro \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria de algu\u00e9m desesperado, em 1985, para que a vida voltasse a ser como antes. No linguajar dos jovens brasileiros, \u201cdeu ruim\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 que constatar: no mundo real a arte pode estar correndo atr\u00e1s da vida. E n\u00e3o existe campo mais f\u00e9rtil para esse tipo de fen\u00f4meno que os retrocessos intelectuais praticados pelos \u201carautos\u201d da ci\u00eancia econ\u00f4mica e seus comentaristas midi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Faz de conta que todos n\u00f3s fomos levados a acompanhar a imprensa inglesa especializada em economia na chamada \u201cera Vitoriana\u201d (1837-1901). \u00c9poca em que, a despeito de o capitalismo ter sofrido mudan\u00e7as em sua forma de funcionamento, ainda imperava uma vers\u00e3o liberal-conservadora do Estado e das contas p\u00fablicas. Era clara a resist\u00eancia a gastos que sobrecarregassem as gera\u00e7\u00f5es futuras. Os liberais postulavam o \u201cteorema da equival\u00eancia ricardiana\u201d: o agente racional sabe que os truques nominais e o d\u00e9ficit fiscal de hoje ser\u00e3o corrigidos \u201cestruturalmente\u201d por mais impostos amanh\u00e3. A tentativa pol\u00edtica econ\u00f4mica para reduzir o desemprego s\u00f3 resultaria em maiores taxas de infla\u00e7\u00e3o e necessidade de maiores impostos no futuro.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2022\/09\/28\/luiz-gonzaga-belluzzo-se-torna-professor-emerito-da-unicamp\/\">Luiz Gonzaga Belluzzo se torna professor em\u00e9rito da Unicamp<\/a><\/p>\n<p>Uma meia verdade, na pr\u00e1tica, diante do papel pol\u00edtico que a Inglaterra concedeu \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica diante dos custos militares incorridos para financiar seu expansionismo.<\/p>\n<p>No livro In Defense of Public Debt, Barry Eichengreen examina a gest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica nas Guerras Napole\u00f4nicas. O Banco da Inglaterra financiava n\u00e3o diretamente o Tesouro, mas, sim, cuidou de garantir o sistema de pagamentos e, portanto, funcionamento da economia. O banco conseguiu isso ao adiantar cr\u00e9dito contra os receb\u00edveis de comerciantes e industriais. Entre 1797 e 1816, essas opera\u00e7\u00f5es quase quintuplicaram, de \u00a3 5 milh\u00f5es para \u00a3 24 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Aqui vem o truque privado-p\u00fablico. A maioria dos t\u00edtulos de d\u00edvida emitidos pelo governo brit\u00e2nico foram colocados nos portf\u00f3lios dos investidores privados. As autoridades cultivaram o apoio dos investidores sinalizando seu compromisso de manter o valor de suas obriga\u00e7\u00f5es e continuando a pagar o fundo garantia, criado em 1786 por William Pitt. O fundo era uma conta especial cujos recursos eram destinados \u00e0 rolagem da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, os editoriais dos jornais e os economistas do \u201cmercado\u201d fazem um movimento de marcha \u00e0 r\u00e9 na hist\u00f3ria. No planeta em que vivem os sabich\u00f5es da pedra lascada n\u00e3o est\u00e3o os Estados Unidos e China \u201cqueimando dinheiro\u201d para vencer as batalhas empenhadas na conquista da fronteira tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2022\/10\/19\/elias-jabbour-ganha-o-maior-premio-literario-da-china-para-autores-estrangeiros\/\">Elias Jabbour ganha o maior pr\u00eamio liter\u00e1rio da China para autores estrangeiros<\/a><\/p>\n<p>Mais: uma guerra na qual um dos alvos n\u00e3o \u00e9 Kiev ou Moscou, mas sim Berlim, a cidadela que os Estados Unidos pretendem conquistar para transportar a excel\u00eancia tecnol\u00f3gica da ind\u00fastria alem\u00e3 ao territ\u00f3rio americano.<\/p>\n<p>A cada quinze dias um pacote fiscal novo \u00e9 lan\u00e7ado pelos chineses. Cada um com um alvo. O \u00faltimo, \u201cs\u00f3\u201d de US$ 200 bilh\u00f5es voltado \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de empregos urbanos para jovens entre 18 e 25 anos. A Coreia do Sul anuncia mais uma rodada de queima de dinheiro em pra\u00e7a p\u00fablica: querem liderar a constru\u00e7\u00e3o de chips de cinco nan\u00f4metro.<\/p>\n<p>Na imprensa \u201cespecializada\u201d, nos editoriais dos grandes jornais e na caneta dos economistas, tudo se passa como se nada disso estivesse ocorrendo ao nosso redor. E pior: \u00e9 como se n\u00e3o estiv\u00e9ssemos em um pa\u00eds com dezenas de milh\u00f5es de pessoas ou literalmente passando fome ou em plena inseguran\u00e7a alimentar. A deteriora\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico \u00e9 de tal magnitude que os financistas acolhidos no minist\u00e9rio da Fazenda de Bolsonaro n\u00e3o somente furaram o \u201cteto sagrado\u201d seguidamente, mas tamb\u00e9m prometiam a privatiza\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil por valores irris\u00f3rios.<\/p>\n<p>No entanto, diriam os sabich\u00f5es das cavernas, a maior hecatombe estaria por vir no \u201crombo\u201d de 2% do PIB, agora executado pelo \u2018fura bolo\u201d da PEC da Gastan\u00e7a. As \u201cnarrativas\u201d dessa turma nos recordam as brincadeiras da primeira idade quando as mam\u00e3es ensinavam as fun\u00e7\u00f5es dos 5 dedos das m\u00e3os \u00e0s crian\u00e7as: mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo e mata-piolho.<\/p>\n<p>Mais vitorianos que a rainha Vit\u00f3ria, os or\u00e1culos da desgra\u00e7a correm para acusar o futuro governo de portador de uma trag\u00e9dia anunciada com o aumento de gastos. Uns falam em \u201cvolta da burrice\u201d, outros em \u201cdesconfian\u00e7a end\u00eamica\u201d, manchetes deploram a \u201cgastan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Quanto mais ideol\u00f3gico, mais vulgar. Parte-se para a fulaniza\u00e7\u00e3o e a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cgostar de gastar\u201d, como foi o caso de um artigo recente. Nele, o sabich\u00e3o de Neandertal escarafunchou com seu tacape um trecho da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado do futuro secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, Gabriel Gal\u00edpolo.<\/p>\n<p>Nesse trecho, Gabriel chama a aten\u00e7\u00e3o para o papel central da coordena\u00e7\u00e3o estatal no processo de desenvolvimento. Incontinenti, o Pitecantropos Erectus brandiu o tacape!<\/p>\n<p>O assalto te\u00f3rico muito bem orquestrado entre as d\u00e9cadas de 1980 e 1990 empenhou-se em separar Estado e Mercado, assim como se separa Deus e o Diabo. Nosso grande cineasta Glauber Rocha juntou Deus e o Diabo na Terra do Sol para desvelar as agruras do vaqueiro Manuel. Super-explorado pelo Coronel Moraes, Manuel matou o patr\u00e3o em uma briga. Sofreu a persegui\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel dos jagun\u00e7os capitaneados por Ant\u00f4nio das Mortes. Os jagun\u00e7os do mercado e da ortodoxia n\u00e3o se cansam de perseguir os divergentes.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2022\/12\/20\/elias-jabbour-ricos-no-imposto-de-renda-nao-geram-equilibrio-fiscal\/\">Elias Jabbour: Taxar grandes fortunas representa menor desigualdade<\/a><\/p>\n<p>O que passa pela cabe\u00e7a dos liberais das cavernas? Ser\u00e1 que a \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d foi respons\u00e1vel por todas as inova\u00e7\u00f5es institucionais ocorridas entre a Revolu\u00e7\u00e3o Puritana, a lei dos cercamentos e a cria\u00e7\u00e3o do Banco da Inglaterra? Historiadores atentos, at\u00e9 mesmo alguns um tanto desatentos, reconhecem que tais inova\u00e7\u00f5es institucionais abriram caminho \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. \u00a0A \u201cm\u00e3o invis\u00edvel\u201d teria criado o \u201cCredit Mobilier\u201d franc\u00eas, o primeiro banco de desenvolvimento de uma hist\u00f3ria? Sob os ausp\u00edcios de Napole\u00e3o III, o banco de investimento empreendido pelos irm\u00e3os Pereira, Emile e Isaac, tinha o prop\u00f3sito de \u201cconcentrar grandes somas de capital de empr\u00e9stimo para investimento em empresas industriais\u201d.<\/p>\n<p>O capitalismo alem\u00e3o, precocemente concentrado, centralizado e com alta simbiose entre produ\u00e7\u00e3o e finan\u00e7a foi obra de Deus ou do Diabo? A ortodoxia brasileira n\u00e3o se apercebeu que Bismarck valeu-se do Esp\u00edrito Hegeliano para se apoderar do corpo de Guilherme III e lhe incutir os desdobramentos dial\u00e9ticos da Ideia.<\/p>\n<p>Um simp\u00e1tico articulista do jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0nos ofereceu uma p\u00e9rola do pensamento anti-industrialista: \u201cO mundo \u00e9 outro, moderno, tecnol\u00f3gico, digital, n\u00e3o cabe mais basear o crescimento econ\u00f4mico na produ\u00e7\u00e3o industrial\u201d.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o da turma anti-industrialista, os defensores das pol\u00edticas industriais insistem em ilus\u00f5es, tais como a ocorr\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial no final do s\u00e9culo XVIII. A humanidade, at\u00e9 ent\u00e3o sossegada nos misteres do arado e do pastoreio, foi abalroada por esse acontecimento infausto que despertou os devaneios de Alexander Hamilton, nos Estados Unidos, com seu Relat\u00f3rio sobre as Manufaturas e as trucul\u00eancias de Otto von Bismark, encantado com os maquinismos e a ferrovia.<\/p>\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos e da Alemanha se confunde com as inova\u00e7\u00f5es da Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. O a\u00e7o, a eletricidade, o motor a combust\u00e3o, a qu\u00edmica e a farmac\u00eautica s\u00e3o os protagonistas dos combates competitivos da\u00a0Belle \u00c9poque. As transforma\u00e7\u00f5es financeiras do crep\u00fasculo do s\u00e9culo XIX promoveram a centraliza\u00e7\u00e3o do capital requerida para o aumento das escalas de produ\u00e7\u00e3o impl\u00edcitas nas novas tecnologias. Isso seria inconceb\u00edvel sem a concentra\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de d\u00e9bito-cr\u00e9dito nos bancos de dep\u00f3sito e nas proezas dos bancos de neg\u00f3cios, s\u00f4fregos em \u201cfixar\u201d capital-dinheiro em novos investimentos.<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e3o as inova\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia artificial, da biotecnologia, das altera\u00e7\u00f5es nas estruturas at\u00f4micas dos materiais, da impress\u00e3o 3D, das novas energias limpas. Como disse Alfred Whitehead: \u201co homem inventou o m\u00e9todo de inventar\u201d. Resta aos homens (no plural) a incumb\u00eancia de reinventar a vida social para fruir as liberdades e benesses oferecidas pelas proezas de Prometeu.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o poder\u00edamos deixar de observar que uma pessoa em especial n\u00e3o perde a oportunidade de passar vergonha. Deltan Dallagnol. Sim, o ex-procurador que como o \u201cmercado\u201d coloca-se acima do bem e do mal, acusa o Gabriel Gal\u00edpolo de adepto da MMT.<\/p>\n<p>Recentemente Gabriel escreveu na revista\u00a0CartaCapital:<\/p>\n<p><em>\u201cO debate precisa escapar da tenta\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es superficiais e simples oferecidas pelas oposi\u00e7\u00f5es bin\u00e1rias entre p\u00fablico e privado, para integrar Estado e mercado no di\u00e1logo sobre a qualidade das pol\u00edticas, despesas e tributos que fazem sentido.\u00a0Cabe aos bancos p\u00fablicos protagonismo na coordena\u00e7\u00e3o e financiamento dos investimentos necess\u00e1rios \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da sociedade desejada.\u00a0Diante das banalidades liberaloides dos tempos das cavernas, somos tentados a concluir o artigo com as considera\u00e7\u00f5es de Keynes a respeito da participa\u00e7\u00e3o do Estado nas decis\u00f5es de investimento no capitalismo examinadas no Cap\u00edtulo XII da Teoria Geral, Expectativas a Longo Prazo: Como o Estado est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de poder calcular a efici\u00eancia marginal dos bens de capital no longo prazo e com base nos interesses gerais da comunidade, espero v\u00ea-lo assumir uma responsabilidade cada vez maior na organiza\u00e7\u00e3o direta dos investimentos, visto que se afigura prov\u00e1vel que as flutua\u00e7\u00f5es observadas na estimativa do mercado da efici\u00eancia marginal dos diversos tipos de capital, calculada segundo os princ\u00edpios aqui descritos, ser\u00e3o demasiado grandes para poder ser compensadas por meio de mudan\u00e7as vi\u00e1veis da taxa de juros\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O debate p\u00fablico brasileiro, principalmente o relacionado \u00e0s pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal, deveria ser mais amplo. Um pa\u00eds n\u00e3o pode ficar ref\u00e9m de pessoas que pensam e escrevem a mesma coisa h\u00e1 tanto tempo, sem o tempero do contradit\u00f3rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos escondemos atr\u00e1s de f\u00f3rmulas m\u00e1gicas ou \u201cmodelos\u201d de equil\u00edbrio onde as necessidades materiais do povo s\u00e3o um desvio padr\u00e3o. Desconfiem de fan\u00e1ticos. Mais quest\u00f5es: qual a raz\u00e3o nessa f\u00e9 cega na \u201ctaxa de juro neutra\u201d, o filhote bastardo dos modelos DSGE? O que buscam \u00e9 desmonetizar a moeda, transform\u00e1-la em um fen\u00f4meno \u201creal\u201d e, assim, desconstitu\u00ed-la como forma geral da riqueza. A taxa de juros \u2013 instrumento de avalia\u00e7\u00e3o intertemporal da riqueza monet\u00e1rio-financeira \u2013 o elo entre o presente e o futuro \u2013 estaria sempre muito mais inquieta em suas trepida\u00e7\u00f5es se entregue aos desencontros e afli\u00e7\u00f5es dos mercados ocupados na precifica\u00e7\u00e3o de ativos. Sem a regula\u00e7\u00e3o pelo Banco Central da taxa b\u00e1sica que remunera os t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica, o mercado financeiro seria uma mix\u00f3rdia.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong>:\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/a-china-e-as-vantagens-do-socialismo-no-enfrentamento-da-catastrofe-climatica-mundial\/\">A China e as vantagens do socialismo no enfrentamento da cat\u00e1strofe clim\u00e1tica mundial<\/a><\/p>\n<p>Qual a dist\u00e2ncia entre a ci\u00eancia que eles dizem defender e o oportunismo mercadista? Afinal de contas, o que queremos? No que acreditamos? N\u00e3o defendemos um \u201cEstado forte\u201d ou adoramos \u201cgastar\u201d por conta de uma compuls\u00e3o que nasce de uma fixa\u00e7\u00e3o por uma vis\u00e3o demi\u00fargica do Estado.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria econ\u00f4mica e o mundo ao nosso redor nos mostram que a riqueza de uma na\u00e7\u00e3o demanda uma intelig\u00eancia nacional comprometida com uma estrat\u00e9gia de longo prazo, que o avan\u00e7ar do pa\u00eds \u00e0 fronteira tecnol\u00f3gica nunca ocorrer\u00e1 partindo da vontade do setor privado. O mesmo vale para o investimento.\u00a0Desde o golpe de 2016 que esta mesma ortodoxia nos vende a est\u00f3ria da retirada do Estado da economia em favor da entrada do setor privado e sua pot\u00eancia.<\/p>\n<p>Outro comportamento pode ser avaliado em pa\u00edses como os Estados Unidos, n\u00e3o aqui. L\u00e1 as compras governamentais s\u00e3o um poderoso instrumento tanto de pol\u00edticas de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas quanto de prote\u00e7\u00e3o (isso, PROTE\u00c7\u00c3O) de seu mercado interno. Na Alemanha existe um muro levantado de 600 bilh\u00f5es de euros votados \u00e0 conten\u00e7\u00e3o do avan\u00e7o chin\u00eas sobre sua manufatura. Na China, nem se fala. Meninos mimados n\u00e3o leram Alexander Hamilton, muito menos suas (escandalosas?) correspond\u00eancias com List.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, as crian\u00e7as no parquinho da ortodoxia, correm para falar em poupan\u00e7a pr\u00e9via para financiar o investimento. \u201cBatatinha quando nasce, esparrama pelo ch\u00e3o, a menina quando dorme p\u00f5e a m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o.\u201d Joseph Schumpeter descascou a mexerica: \u201c\u00c9 extraordinariamente dif\u00edcil para os economistas reconhecerem que os empr\u00e9stimos banc\u00e1rios e os investimentos financiados a cr\u00e9dito criam dep\u00f3sitos\u201d (e poupan\u00e7a, acrescentamos).<\/p>\n<p>Adultos falam em projeto nacional de desenvolvimento. Moeda p\u00fablica. Cr\u00e9dito direcionado. Conglomerados empresariais. Coordena\u00e7\u00e3o estatal (como em qualquer pa\u00eds capitalista). Imensos bancos p\u00fablicos de investimento. Conta de capitais controlada. Taxa de c\u00e2mbio administrada. E o principal: intelectuais comprometidos com o que de mais caro pode existir a um povo: a sua dignidade.<\/p>\n<p><em>*Artigo publicado originalmente na Carta Capital<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--tags\">\n<div class=\"post-content--section-title\">TAGS<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/conservadorismo\/\" rel=\"tag\">CONSERVADORISMO<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/credito\/\" rel=\"tag\">CR\u00c9DITO<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/desenvolvimento\/\" rel=\"tag\">DESENVOLVIMENTO<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/economia\/\" rel=\"tag\">ECONOMIA<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/industrializacao\/\" rel=\"tag\">INDUSTRIALIZA\u00c7\u00c3O<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/liberalismo\/\" rel=\"tag\">LIBERALISMO<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/mercado-financeiro\/\" rel=\"tag\">MERCADO FINANCEIRO<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/tag\/projeto-nacional-de-desenvolvimento\/\" rel=\"tag\">PROJETO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page--share-wrapper row-small\" aria-label=\"Compartilhe\">\n<div class=\"page--share\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--section-title\">AUTORES<\/div>\n<div class=\"post-content--author\">\n<div class=\"post-content--author-avatar\">\n<div role=\"img\"><\/div>\n<\/div>\n<div><a class=\"post-content--author-name\" href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/elias-jabbour\/\">Elias Jabbour<\/a><\/p>\n<div class=\"post-content--author-biography\">Professor dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (PPGCE) e em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (PPGRI) da UERJ. Membro do Comit\u00ea Central do PCdoB.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"post-content--author\">\n<div><a class=\"post-content--author-name\" href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/luiz-gonzaga-belluzzo\/\">Luiz Gonzaga Belluzzo<\/a><\/p>\n<div class=\"post-content--author-biography\">Economista e professor.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elias Jabbour e Luiz G. Belluzzo: O pensamento conservador promete o retrocesso &nbsp; Os editoriais dos jornais e os economistas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false,"_wpscppro_dont_share_socialmedia":false,"_wpscppro_custom_social_share_image":0,"_facebook_share_type":"","_twitter_share_type":"","_linkedin_share_type":"","_pinterest_share_type":"","_linkedin_share_type_page":"","_instagram_share_type":"","_medium_share_type":"","_threads_share_type":"","_google_business_share_type":"","_bluesky_share_type":"","_mastodon_share_type":"","_selected_social_profile":[],"_wpsp_enable_custom_social_template":false,"_wpsp_social_scheduling":{"enabled":false,"datetime":null,"platforms":[],"status":"template_only","dateOption":"","timeOption":"","customDays":"","customHours":"","customDate":"","customTime":"","schedulingType":""},"_wpsp_active_default_template":true},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-76884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/76884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=76884"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/76884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76885,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/76884\/revisions\/76885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=76884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=76884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=76884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}