{"id":95415,"date":"2025-08-28T06:36:53","date_gmt":"2025-08-28T09:36:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=95415"},"modified":"2025-08-28T06:36:53","modified_gmt":"2025-08-28T09:36:53","slug":"juventude-ainda-e-o-segmento-que-mais-morre-de-forma-violenta-no-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=95415","title":{"rendered":"Juventude ainda \u00e9 o segmento que mais morre de forma violenta no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"row row-small\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mt-30\">\n<h1>Juventude ainda \u00e9 o segmento que mais morre de forma violenta no Brasil<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse estrato da popula\u00e7\u00e3o, a maior parte das mortes \u00e9 de negros, enquanto as mulheres s\u00e3o principais v\u00edtimas de viol\u00eancias notificadas no SUS, ocorridas sobretudo em casa<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-info \">\n<div class=\"author\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/priscila-lobregatte\/\">Priscila Lobregatte<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado pelo Portal Vermelho<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post--image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/genocidio-negro_tomaz-silva-agbr.jpg\" \/>Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<p>A viol\u00eancia e os acidentes seguem sendo os maiores algozes da juventude brasileira, sobretudo a negra. E, embora a maioria dos \u00f3bitos atinja os homens, as mulheres sofrem severamente com as agress\u00f5es. Na compara\u00e7\u00e3o com o restante da popula\u00e7\u00e3o, esses recortes refletem os segmentos mais expostos de nossa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse quadro est\u00e1 retratado em informe epidemiol\u00f3gico feito por pesquisadores da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e da Escola Polit\u00e9cnica de Sa\u00fade Joaquim Ven\u00e2ncio (EPSJV\/Fiocruz), tendo como base as notifica\u00e7\u00f5es m\u00e9dico-hospitalares do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e as estat\u00edsticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) relativas a 2022 e 2023.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, 65% dos \u00f3bitos registrados entre os jovens resultam de causas externas. Na popula\u00e7\u00e3o brasileira em geral, esse tipo de morte corresponde a 10%.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2025\/05\/14\/quase-100-mil-criancas-e-adolescentes-foram-mortos-no-brasil-em-11-anos\/\">Quase 100 mil crian\u00e7as e adolescentes foram mortos no Brasil em 11 anos<\/a><\/p>\n<p>Com isso, fica claro que os jovens sofrem maior risco de perder a vida pela viol\u00eancia ou por acidentes. Na popula\u00e7\u00e3o total, a taxa de mortalidade por causas externas \u00e9 de 149,7 casos por 100 mil habitantes, enquanto entre os mais jovens \u00e9 de 185,5\/100 mil. O risco \u00e9 ainda maior para a faixa de 20 a 24 anos, em que a propor\u00e7\u00e3o salta para 218,2\/100 mil.<\/p>\n<p>O estudo aponta tamb\u00e9m para os diferentes tipos de viol\u00eancia que mudam conforme a faixa et\u00e1ria. \u201cNo final da adolesc\u00eancia (15 a 19 anos), os jovens sofrem mais viol\u00eancia em geral, especialmente viol\u00eancia f\u00edsica, e s\u00e3o mais vitimados em conflitos com pessoas de outras gera\u00e7\u00f5es. No per\u00edodo intermedi\u00e1rio (20 a 24 anos), quando est\u00e3o entrando na for\u00e7a de trabalho e deixando a tutela de outros adultos, h\u00e1 o maior risco de morte violenta. Conforme os jovens se consolidam na vida adulta (25 a 29 anos), a viol\u00eancia contra a mulher e a viol\u00eancia psicol\u00f3gica se tornam mais acentuadas\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>G\u00eanero e ra\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Analisando o recorte de g\u00eanero, os pesquisadores mostram que os tipos de viol\u00eancia que levam ao \u00f3bito atingem mais os homens jovens, em especial aqueles entre 20 e 24 anos, de maneira que a taxa de mortalidade de homens \u00e9 oito vezes maior do que a das mulheres na juventude. Por outro lado, as viol\u00eancias notificadas no SUS atingem mais as jovens mulheres, em especial na faixa de 15 a 19 anos.<\/p>\n<p>Entre os homens jovens, mais da metade (50,6%) das mortes por causas externas decorrem de agress\u00e3o \u2014 na popula\u00e7\u00e3o geral, o percentual \u00e9 de 32%. J\u00e1 as mulheres s\u00e3o as maiores v\u00edtimas das viol\u00eancias notificadas no SUS. Entre as dez primeiras causas de morte por agress\u00e3o contra as mulheres, quase 35% ocorreram em casa. Para os homens jovens, este mesmo dado \u00e9 de 10%. Tiro por arma de fogo e cortes causados por objetos penetrantes s\u00e3o as principais causas de morte das mulheres jovens.<\/p>\n<p>\u201cAs maiores v\u00edtimas das viol\u00eancias notificadas pelo SUS s\u00e3o as mulheres, tanto em termos proporcionais como na taxa de incid\u00eancia, no pa\u00eds e em todas as UFs (Unidades Federativas), tanto na popula\u00e7\u00e3o jovem como em geral. Mas, a despropor\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entre as mais jovens. Mulheres constituem 71% dos casos de viol\u00eancia notificadas pelo SUS no Brasil. Entre jovens, a taxa de incid\u00eancia de viol\u00eancias \u00e9 o dobro para mulheres (595\/100mil habitantes) quando comparada com a dos homens (221,6\/100 mil habitantes)\u201d, afirma o boletim.<\/p>\n<p>O recorte racial tamb\u00e9m \u00e9 um demarcador importante e explicita, segundo o estudo, que \u201cna juventude, a desigualdade racial \u00e9 mais acentuada\u201d. No conjunto das mortes externas, 73% das v\u00edtimas eram pretos e pardos \u2014 embora tamb\u00e9m alta, essa propor\u00e7\u00e3o cai na popula\u00e7\u00e3o em geral, ficando em 60%.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa, jovens negros e ind\u00edgenas t\u00eam maior risco de morrer por viol\u00eancias e acidentes, numa rela\u00e7\u00e3o de 227,5 casos por 100 mil habitantes e 177,9\/100 mil respectivamente. \u201cIsso representa praticamente o dobro das taxas dos jovens brancos e amarelos\u201d, diz o estudo. Esse jovens ainda representam 54% das v\u00edtimas de viol\u00eancias notificadas pelo SUS no segmento da juventude.<\/p>\n<p>Outro dado \u00e9 que boa parte da viol\u00eancia e dos \u00f3bitos nessa faixa envolve armas de fogo e motocicletas. No primeiro caso, foram registrados mais de 24 mil ocorr\u00eancias. J\u00e1 em 53% dos acidentes fatais, a maioria com homens, o principal meio de transporte foi a motocicleta. E, do ponto de vista regional, o maior risco de morte violenta entre os jovens est\u00e1 no Nordeste e no Norte.<\/p>\n<p>No estudo, Diogo Santos, do Instituto Fogo Cruzado chama aten\u00e7\u00e3o para o \u201caumento das armas de fogo na m\u00e3o de civis, no Brasil, a partir dos decretos do governo Bolsonaro\u201d nesse cen\u00e1rio de alto grau de viol\u00eancia. Ele lembra que as armas \u201cest\u00e3o mais baratas no mercado paralelo\u201d e que hoje \u201ch\u00e1 mais armas nas m\u00e3os de civis do que nas for\u00e7as policiais do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Outro ponto que ele destaca \u00e9 a expans\u00e3o dos grupos armados no Brasil e a sua atua\u00e7\u00e3o especialmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. \u201cPor exemplo: o Porto do Cabo, em Pernambuco, \u00e9 um porto de escoamento de drogas; outro \u00e9 a rota do Solim\u00f5es, que passa por boa parte da Regi\u00e3o Norte para entrada de drogas. \u00c9 nesses lugares, onde a droga troca de m\u00e3o, que a viol\u00eancia mais acontece. Esse caldeir\u00e3o \u00e9 nacional, esse problema n\u00e3o se combate mais apenas dentro dos estados separadamente; precisa de um enfrentamento nacional\u201d.<\/p>\n<p><strong>Crime organizado<\/strong><\/p>\n<p>O enfrentamento do crime organizado em \u00e2mbito nacional tem sido uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es da sociedade \u2014 medida em pesquisas recentes \u2014 e do governo Lula, que lan\u00e7ou duas grandes propostas para lidar com o problema.<\/p>\n<p>A primeira delas foi a PEC da Seguran\u00e7a P\u00fablica, que trata de mudan\u00e7as constitucionais para equacionar quest\u00f5es mais estruturantes e administrativas da atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica, bem como possibilitar a maior participa\u00e7\u00e3o federal no combate a essas organiza\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s passar, em julho, pela Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a da C\u00e2mara, a proposta est\u00e1 agora em uma comiss\u00e3o especial.<\/p>\n<p>J\u00e1 o projeto de lei contra as organiza\u00e7\u00f5es criminosas, que tem sido chamado de \u201cPlano Real da Seguran\u00e7a\u201d, est\u00e1 sendo finalizado pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica. Seu foco central est\u00e1 nas penas aplicadas, na cria\u00e7\u00e3o da modalidade da organiza\u00e7\u00e3o criminosa qualificada com penas mais pesadas, al\u00e9m de agravantes, entre outros aspectos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--tags\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page--share-wrapper row-small\" aria-label=\"Compartilhe\">\n<div class=\"page--share\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--section-title\">Autor<\/div>\n<div class=\"post-content--author\">\n<div><a class=\"post-content--author-name\" href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/priscila-lobregatte\/\">Priscila Lobregatte<\/a><\/p>\n<div class=\"post-content--author-biography\">Jornalista<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juventude ainda \u00e9 o segmento que mais morre de forma violenta no Brasil &nbsp; Nesse estrato da popula\u00e7\u00e3o, a maior<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-95415","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=95415"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95415\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95416,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95415\/revisions\/95416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=95415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=95415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=95415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}