{"id":95471,"date":"2025-09-02T07:09:41","date_gmt":"2025-09-02T10:09:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=95471"},"modified":"2025-09-02T07:09:41","modified_gmt":"2025-09-02T10:09:41","slug":"eua-planejam-administrar-gaza-por-10-anos-e-expulsar-populacao-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=95471","title":{"rendered":"EUA planejam administrar Gaza por 10 anos e expulsar popula\u00e7\u00e3o palestina"},"content":{"rendered":"<div class=\"row row-small\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mt-30\">\n<h1>EUA planejam administrar Gaza por 10 anos e expulsar popula\u00e7\u00e3o palestina<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Plano revelado pelo Washington Post prev\u00ea tutela norte-americana em Gaza, remo\u00e7\u00e3o em massa de palestinos e megaprojetos lucrativos, enquanto vistos s\u00e3o suspensos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-info \">\n<div class=\"author\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/lucas-toth\/\">Lucas Toth<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado pelo portal Vermelho<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post--image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/33209d5e-bee8-4abb-a3e2-d4ba7cfe6837.jpeg\" \/>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Um plano para o p\u00f3s-guerra em Gaza, revelado pelo\u00a0<em>Washington Post<\/em>\u00a0neste domingo (31), prev\u00ea que os Estados Unidos administrem o enclave devastado pela guerra por pelo menos uma d\u00e9cada, transformando-o em um polo de turismo e tecnologia enquanto promove a remo\u00e7\u00e3o em massa da popula\u00e7\u00e3o palestina.<\/p>\n<p>O documento de 38 p\u00e1ginas, chamado GREAT Trust, prev\u00ea que os mais de 2 milh\u00f5es de habitantes sejam deslocados sob a justificativa de sa\u00eddas \u201cvolunt\u00e1rias\u201d, em troca de compensa\u00e7\u00f5es financeiras, ou confinados em zonas restritas durante a reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A proposta, desenvolvida por israelenses ligados \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria de Gaza (GHF), \u00e9 apresentada como um projeto lucrativo para investidores, mas representa, para os palestinos, a institucionaliza\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de expuls\u00e3o e expropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O prospecto obtido pelo\u00a0<em>Washington Post<\/em>\u00a0detalha mecanismos de incentivo financeiro para a sa\u00edda dos palestinos. Propriet\u00e1rios de terras receberiam tokens digitais em troca dos direitos de reurbaniza\u00e7\u00e3o de suas propriedades.<\/p>\n<p>Esses t\u00edtulos poderiam ser resgatados futuramente por apartamentos em uma das seis a oito novas \u201ccidades inteligentes movidas por IA\u201d planejadas para o enclave ou utilizados para financiar uma nova vida fora de Gaza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cada palestino que aceitasse deixar o territ\u00f3rio teria direito a US$ 5.000 em dinheiro, subs\u00eddios para quatro anos de aluguel e um ano de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O plano estima que cada partida volunt\u00e1ria representaria uma economia de US$ 23 mil para o fundo, em compara\u00e7\u00e3o com os custos de manter palestinos em zonas de \u201csuporte vital\u201d controladas durante a reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O GREAT Trust foi elaborado pelos mesmos respons\u00e1veis pela GHF, organiza\u00e7\u00e3o que distribui alimentos em Gaza desde maio em coordena\u00e7\u00e3o com os militares israelenses e empresas privadas norte-americanas de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico da funda\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 marcado por controv\u00e9rsias: segundo a ONU, mais de mil palestinos foram mortos tentando receber ajuda em seus pontos de distribui\u00e7\u00e3o, a maioria baleada por soldados israelenses.<\/p>\n<p>Ao incorporar a l\u00f3gica da GHF em um plano de longo prazo, o GREAT Trust amplia as cr\u00edticas de que se trata de uma iniciativa de car\u00e1ter colonial, que busca legitimar a remo\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o palestina ao mesmo tempo em que abre espa\u00e7o para megaprojetos bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>O documento afirma que o fundo n\u00e3o dependeria de doa\u00e7\u00f5es, mas seria financiado por investimentos p\u00fablico-privados, garantindo lucros aos investidores enquanto se desenha o deslocamento de um povo inteiro.<\/p>\n<p><strong>A Riviera sobre as ru\u00ednas de Gaza<\/strong><\/p>\n<p>O plano do GREAT Trust apresenta Gaza n\u00e3o como um territ\u00f3rio palestino devastado pela guerra, mas como um espa\u00e7o a ser transformado em vitrine para grandes investidores internacionais.<\/p>\n<p>Nas p\u00e1ginas do documento, o enclave aparece redesenhado como uma \u201cRiviera do Oriente M\u00e9dio\u201d, com resorts de luxo \u00e0 beira-mar, ilhas artificiais semelhantes \u00e0s constru\u00eddas em Dubai, arranha-c\u00e9us residenciais e parques de alta tecnologia.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es incluem uma zona industrial \u201cinteligente\u201d ao longo da fronteira leste com Israel, destinada a abrigar f\u00e1bricas de ve\u00edculos el\u00e9tricos e centros de dados regionais.<\/p>\n<p>No extremo sul, seriam constru\u00eddos um novo porto e aeroporto, integrados por estradas modernas \u00e0 infraestrutura do Egito, de Israel e da Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Parte desses megaprojetos carrega nomes de l\u00edderes \u00e1rabes: uma rodovia circular apelidada de \u201cRodovia MBS\u201d, em refer\u00eancia ao pr\u00edncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, e uma estrada norte-sul batizada com o nome do presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed.<\/p>\n<p>O financiamento inicial seria garantido pela apropria\u00e7\u00e3o imediata de cerca de 30% das terras de Gaza, classificadas como \u201cp\u00fablicas\u201d pelos autores do plano.<\/p>\n<p>Em notas marginais dos documentos internos, os pr\u00f3prios elaboradores reconheceram o risco de que a opera\u00e7\u00e3o fosse vista como expropria\u00e7\u00e3o de terras, mas ainda assim mantiveram a proposta como \u201ca maior e mais f\u00e1cil fonte de colateral\u201d.<\/p>\n<p>Com base nesse arranjo, os c\u00e1lculos do fundo estimam um retorno quase quatro vezes maior em dez anos sobre um investimento inicial de US$100 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A promessa \u00e9 de um fluxo cont\u00ednuo de receitas \u201cautogeradas\u201d, provenientes dos megaprojetos que iriam da constru\u00e7\u00e3o civil \u00e0s ind\u00fastrias tecnol\u00f3gicas. O documento chega a projetar a cria\u00e7\u00e3o de 1 milh\u00e3o de empregos em um territ\u00f3rio hoje reduzido a ru\u00ednas, sem \u00e1gua pot\u00e1vel, energia el\u00e9trica ou hospitais em funcionamento.<\/p>\n<p><strong>Uma vis\u00e3o colonial com compara\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas<\/strong><\/p>\n<p>Os autores do plano n\u00e3o escondem o car\u00e1ter colonial da proposta. Para justificar a administra\u00e7\u00e3o direta de Gaza pelos Estados Unidos, compararam o GREAT Trust aos protetorados norte-americanos no Pac\u00edfico depois da Segunda Guerra Mundial e ao papel desempenhado por Douglas MacArthur no Jap\u00e3o e por George Marshall na Alemanha.<\/p>\n<p>A analogia refor\u00e7a a ideia de que a Faixa de Gaza seria tratada como um territ\u00f3rio sob tutela, \u00e0 espera de uma \u201creforma\u201d antes de ser entregue a uma autoridade local moldada aos interesses externos.<\/p>\n<p>O documento prev\u00ea que Gaza seja administrada por pelo menos 10 anos sob controle norte-americano, at\u00e9 que uma \u201centidade palestina reformada e desradicalizada\u201d esteja pronta para assumir o poder.<\/p>\n<p>Essa futura estrutura de governo, segundo o texto, deveria se integrar aos Acordos de Abra\u00e3o, firmados por Trump em seu primeiro mandato para normalizar rela\u00e7\u00f5es entre Israel e alguns pa\u00edses \u00e1rabes. N\u00e3o h\u00e1 qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos, a seguran\u00e7a do territ\u00f3rio seria garantida por contratados militares privados \u201cocidentais\u201d e por nacionais de terceiros pa\u00edses, com atua\u00e7\u00e3o progressivamente reduzida at\u00e9 a transfer\u00eancia para uma \u201cpol\u00edcia local treinada\u201d.<\/p>\n<p>Israel manteria, no entanto, direitos gerais de seguran\u00e7a para intervir sempre que julgasse necess\u00e1rio. O arranjo \u00e9 descrito como um mecanismo tempor\u00e1rio, mas que na pr\u00e1tica consolida a exclus\u00e3o palestina das decis\u00f5es sobre seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ao apresentar Gaza como uma pe\u00e7a central de uma regi\u00e3o \u201cpr\u00f3-americana\u201d, o plano a insere em um desenho geopol\u00edtico maior, que fala em acesso a recursos energ\u00e9ticos, minerais estrat\u00e9gicos e corredores log\u00edsticos regionais.<\/p>\n<p>Dessa forma, o projeto deixa de ser apenas uma proposta de reconstru\u00e7\u00e3o e se afirma como um projeto de domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica, onde a popula\u00e7\u00e3o palestina \u00e9 reduzida a vari\u00e1vel descart\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00e3o palestina e novas restri\u00e7\u00f5es de vistos<\/strong><\/p>\n<p>As propostas de expuls\u00e3o em massa j\u00e1 despertaram forte rep\u00fadio entre palestinos. \u201cEu me recuso a ser levado para outro pa\u00eds, mu\u00e7ulmano ou n\u00e3o. Esta \u00e9 a minha terra natal\u201d, afirmou Abu Mohamed, de 55 anos, ao\u00a0<em>Washington Post<\/em>.<\/p>\n<p>O palestino sobrevive em Gaza em uma casa parcialmente destru\u00edda em Khan Younis. Sua fala ecoa a indigna\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias que classificam o plano como uma tentativa de disfar\u00e7ar a limpeza \u00e9tnica sob a apar\u00eancia de partidas volunt\u00e1rias.<\/p>\n<p>Enquanto o prospecto do GREAT Trust circula, a administra\u00e7\u00e3o Trump adota medidas concretas para isolar os palestinos tamb\u00e9m no exterior.<\/p>\n<p>No domingo (31), o\u00a0<em>New York Times<\/em>\u00a0revelou que Washington suspendeu a emiss\u00e3o de quase todos os vistos de visitante para portadores de passaporte palestino.<\/p>\n<p>A medida impede viagens para tratamento m\u00e9dico, estudos universit\u00e1rios, visitas a familiares e atividades comerciais, atingindo tanto palestinos da Cisjord\u00e2nia quanto da di\u00e1spora.<\/p>\n<p>O Departamento de Estado confirmou a decis\u00e3o e ordenou que consulados apliquem a se\u00e7\u00e3o 221(g) da Lei de Imigra\u00e7\u00e3o e Nacionalidade de 1952 para recusar em massa os pedidos.<\/p>\n<p>A ordem atinge inclusive o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e cerca de outros 80 dirigentes, proibidos de viajar para a Assembleia Geral da ONU que ocorrer\u00e1 em setembro.<\/p>\n<p>O gabinete de Abbas expressou \u201cprofundo pesar e espanto\u201d, pedindo a revers\u00e3o da medida.<\/p>\n<p>Ex-funcion\u00e1rios dos EUA criticaram a decis\u00e3o. Hala Rharrit, que deixou o Departamento de Estado em protesto contra a pol\u00edtica para Gaza, classificou a medida como uma \u201crecusa em aberto\u201d.<\/p>\n<p>Especialistas em imigra\u00e7\u00e3o afirmam que se trata de uma decis\u00e3o pol\u00edtica, destinada a apoiar a posi\u00e7\u00e3o de Israel e a impedir que vozes palestinas denunciem o massacre em f\u00f3runs internacionais. Para milhares de fam\u00edlias com parentes nos Estados Unidos, a decis\u00e3o representa mais uma camada de separa\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--tags\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--section-title\"><\/div>\n<div class=\"post-content--author\">\n<div><a class=\"post-content--author-name\" href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/lucas-toth\/\">Lucas Toth<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EUA planejam administrar Gaza por 10 anos e expulsar popula\u00e7\u00e3o palestina &nbsp; Plano revelado pelo Washington Post prev\u00ea tutela norte-americana<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-95471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=95471"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95472,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95471\/revisions\/95472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=95471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=95471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=95471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}