{"id":95570,"date":"2025-09-08T07:30:12","date_gmt":"2025-09-08T10:30:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=95570"},"modified":"2025-09-08T07:30:12","modified_gmt":"2025-09-08T10:30:12","slug":"ovacionado-em-veneza-filme-sobre-genocidio-em-gaza-projeta-impacto-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=95570","title":{"rendered":"Ovacionado em Veneza, filme sobre genoc\u00eddio em Gaza projeta impacto mundial"},"content":{"rendered":"<div class=\"row row-small\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mt-30\">\n<h1>Ovacionado em Veneza, filme sobre genoc\u00eddio em Gaza projeta impacto mundial<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obra de Kaouther Ben Hania, A Voz de Hind Rajab recebeu 23 minutos de ova\u00e7\u00e3o e consolida ascens\u00e3o do tema palestino como eixo central do debate cinematogr\u00e1fico<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-info \">\n<div class=\"author\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/cezar-xavier-2\/\">Cezar Xavier<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado pelo Portal Vermelho<\/p>\n<h1>Ovacionado em Veneza, filme sobre genoc\u00eddio em Gaza projeta impacto mundial<\/h1>\n<p class=\"date\">ermelho<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post--image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Captura-de-Tela-2025-09-05-as-15.21.40.png\" \/>A dramatiza\u00e7\u00e3o da diretora Kaouther Ben Hania incorpora liga\u00e7\u00f5es reais entre socorristas e a palestina de 6 anos que estava presa e que eles tentavam salvar dos tanques e balas israelenses<\/div>\n<p>O Festival de Veneza registrou, nesta quarta-feira (3), uma de suas noites mais intensas. A estreia mundial de\u00a0<em>The Voice of Hind Rajab<\/em>\u00a0(<em>A Voz de Hind Rajab<\/em>), da tunisiana Kaouther Ben Hania, foi recebida com 23 minutos de aplausos de p\u00e9, o mais longo da hist\u00f3ria do evento. O feito ultrapassou o recorde de O\u00a0<em>Labirinto do Fauno<\/em>\u00a0(2006), exibido em Cannes e aplaudido por 22 minutos.<\/p>\n<p><em>The Voice<\/em>\u00a0reconstitui os \u00faltimos momentos de Hind Rajab, menina palestina de 6 anos morta com parentes e dois param\u00e9dicos em Gaza, em janeiro de 2024, quando o carro da fam\u00edlia foi atingido por disparos israelenses. Mais do que uma obra de den\u00fancia, tornou-se s\u00edmbolo de um cinema que se p\u00f5e no centro da disputa pol\u00edtica sobre Gaza.<\/p>\n<p><strong>Do trauma \u00e0 linguagem universal<\/strong><\/p>\n<p>A narrativa mescla fic\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00f5es reais e dramatiza\u00e7\u00e3o para mostrar a agonia de Hind, que implorou por socorro em liga\u00e7\u00f5es registradas pelo Crescente Vermelho. O filme n\u00e3o se limita a um retrato pessoal: sugere que a voz da crian\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m a de milhares de palestinos mortos nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>A recep\u00e7\u00e3o emocionada em Veneza, com bandeiras palestinas erguidas na sala e gritos de \u201cPalestina livre\u201d, evidencia a for\u00e7a de uma obra que conecta cinema, ativismo e direitos humanos em escala global.<\/p>\n<p><strong>Hollywood se envolve e amplia alcance<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o atraiu nomes de peso como Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Brad Pitt, Alfonso Cuar\u00f3n e Jonathan Glazer, que se associaram ao projeto como produtores-executivos. A presen\u00e7a dessas estrelas garante visibilidade e desafia a barreira de distribui\u00e7\u00e3o que costuma limitar filmes cr\u00edticos a Israel nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em coletiva, Ben Hania foi direta: \u201cA voz de Hind \u00e9 a voz de Gaza pedindo ajuda. Quando ouvi aquela grava\u00e7\u00e3o, senti raiva e impot\u00eancia \u2014 sentimentos que me levaram a fazer este filme\u201d.<\/p>\n<p><strong>A nova vaga de cinema palestino<\/strong><\/p>\n<p>O sucesso em Veneza confirma uma tend\u00eancia: o cinema palestino e sobre a Palestina ocupa hoje um espa\u00e7o central no circuito internacional. Em mar\u00e7o, o document\u00e1rio No Other Land, sobre a Cisjord\u00e2nia, levou o Oscar de Melhor Document\u00e1rio, apesar das dificuldades de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, The Voice of Hind Rajab chega como forte candidato ao Oscar de Melhor Filme Internacional de 2026, refor\u00e7ando um movimento em que o cinema se converte em campo de disputa simb\u00f3lica sobre a guerra em Gaza.<\/p>\n<p><strong>Entre arte, pol\u00edtica e mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p><em>The Voice of Hind Rajab\u00a0<\/em>\u00e9 um thriller de headset (todo centrado em di\u00e1logos telef\u00f4nicos). O tenso longa foca em pessoas presas em suas mesas falando ao telefone com algu\u00e9m em perigo. Este n\u00e3o \u00e9 um mero exerc\u00edcio de g\u00eanero; est\u00e1 enraizado em uma hist\u00f3ria bem documentada com significado geopol\u00edtico profundo e angustiante.<\/p>\n<p>Dentro do compacto tempo de execu\u00e7\u00e3o do filme, a roteirista e diretora Ben Hania tra\u00e7a as horas tensas e torturantes de 29 de janeiro de 2024, quando volunt\u00e1rios do Crescente Vermelho Palestino na Cisjord\u00e2nia tentaram acalmar uma menina de 6 anos apavorada e levar uma ambul\u00e2ncia at\u00e9 ela em Gaza. O gerente do escrit\u00f3rio no filme explica sucintamente a situa\u00e7\u00e3o para outra ag\u00eancia: Hind Rajab est\u00e1 \u201cpresa em um carro com os cad\u00e1veres de sua fam\u00edlia. Cercada por tanques e bombardeios\u201d.<\/p>\n<p>Cr\u00edticos descrevem o filme como um \u201curgente procedimento cinematogr\u00e1fico\u201d, que conjuga a \u00e9tica do testemunho com a est\u00e9tica do choque. Para uns, trata-se de um marco art\u00edstico; para outros, uma pol\u00eamica inevit\u00e1vel. O certo \u00e9 que Ben Hania colocou o p\u00fablico diante de uma pergunta inescap\u00e1vel: como o mundo permitiu que uma crian\u00e7a implorasse pela vida e fosse silenciada?<\/p>\n<p>Mais do que um recorde de aplausos, The Voice of Hind Rajab inaugura uma nova fase em que o cinema n\u00e3o apenas retrata a trag\u00e9dia palestina, mas se torna um ator pol\u00edtico global na disputa por narrativas sobre genoc\u00eddio, direitos humanos e impunidade internacional.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Voice of Hind Rajab gets longest ovation at Venice Film Festival premiere\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SKrHgS11vRY?feature=oembed\" width=\"422\" height=\"750\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p><strong>O cinema virou um dos principais palcos da disputa sobre Gaza<\/strong><\/p>\n<p>O sucesso estrondoso de\u00a0<em>The Voice of Hind Rajab<\/em>\u00a0em Veneza n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Nos \u00faltimos anos, o cinema se transformou em um dos\u00a0territ\u00f3rios mais vis\u00edveis de disputa simb\u00f3lica sobre a guerra em Gaza\u00a0\u2014 tanto em premia\u00e7\u00f5es quanto no mercado de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Oscar como vitrine global\u00a0\u2013 Em 2024, o document\u00e1rio\u00a0<em>No Other Land<\/em>, sobre a ocupa\u00e7\u00e3o israelense na Cisjord\u00e2nia, venceu o Oscar de Melhor Document\u00e1rio, marcando a primeira estatueta entregue a um filme palestino. A vit\u00f3ria foi interpretada como um gesto pol\u00edtico da Academia, ao dar centralidade \u00e0 narrativa palestina em plena escalada do conflito.<\/li>\n<li>Festivais como arenas de legitimidade\u00a0\u2013 Veneza, Cannes e Berlim t\u00eam dado espa\u00e7o a obras cr\u00edticas a Israel e solid\u00e1rias aos palestinos. Aplaudir por minutos a fio \u2014 como ocorreu agora com Hind Rajab \u2014 n\u00e3o \u00e9 apenas emo\u00e7\u00e3o art\u00edstica, mas tamb\u00e9m\u00a0um ato de legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u00a0perante a opini\u00e3o p\u00fablica internacional.<\/li>\n<li>Embates na distribui\u00e7\u00e3o\u00a0\u2013 Se os festivais e a cr\u00edtica celebram essas obras, o mercado mostra resist\u00eancia. Filmes palestinos premiados muitas vezes\u00a0n\u00e3o conseguem distribui\u00e7\u00e3o nos EUA ou em grandes plataformas, seja pelo lobby pr\u00f3-Israel, seja pelo receio das empresas de sofrerem boicotes e campanhas de difama\u00e7\u00e3o. Esse bloqueio acaba tornando o Oscar e Veneza ainda mais estrat\u00e9gicos para furar a barreira do sil\u00eancio.<\/li>\n<li>Cinema como mem\u00f3ria e den\u00fancia\u00a0\u2013 Diferente do notici\u00e1rio, o cinema trabalha com emo\u00e7\u00e3o, tempo narrativo e identifica\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Em casos como o de Hind Rajab, o g\u00eanero do thriller aumenta a empatia do espectador e transforma uma trag\u00e9dia localizada em\u00a0s\u00edmbolo universal da viol\u00eancia contra inocentes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, festivais e premia\u00e7\u00f5es se consolidam como\u00a0campos de batalha culturais, onde o reconhecimento de filmes palestinos equivale a uma vit\u00f3ria pol\u00edtica e simb\u00f3lica em meio \u00e0 guerra de narrativas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--tags\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page--share-wrapper row-small\" aria-label=\"Compartilhe\">\n<div class=\"page--share\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--section-title\">Autor<\/div>\n<div class=\"post-content--author\">\n<div><a class=\"post-content--author-name\" href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/cezar-xavier-2\/\">Cezar Xavier<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ovacionado em Veneza, filme sobre genoc\u00eddio em Gaza projeta impacto mundial &nbsp; Obra de Kaouther Ben Hania, A Voz de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-95570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=95570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95571,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/95570\/revisions\/95571"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=95570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=95570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=95570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}