{"id":96048,"date":"2025-10-17T13:07:44","date_gmt":"2025-10-17T16:07:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=96048"},"modified":"2025-10-17T13:07:44","modified_gmt":"2025-10-17T16:07:44","slug":"brasil-bate-recorde-de-emprego-mas-informalidade-e-precarizacao-predominam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=96048","title":{"rendered":"Brasil bate recorde de emprego, mas informalidade e precariza\u00e7\u00e3o predominam"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"row row-small\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mt-30\">\n<h1>Brasil bate recorde de emprego, mas informalidade e precariza\u00e7\u00e3o predominam<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com mais de 102 milh\u00f5es de trabalhadores, taxa de desemprego cai a 5,5%, mas sal\u00e1rios baixos, desigualdade e contratos prec\u00e1rios preocupam, alerta professor da Unicamp<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-info \">\n<div class=\"author\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/cezar-xavier-2\/\">Cezar Xavier<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado 16\/10\/2025 18:37 | Editado 17\/10\/2025 07:37<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post--image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/informalidade124960.jpeg\" \/>informalidade, com\u00e9rcio informal, precariza\u00e7\u00e3o &#8211; IBGE<\/div>\n<p>O Brasil atingiu um marco hist\u00f3rico: segundo a PNAD Cont\u00ednua, a taxa de desemprego caiu para 5,5%, o menor \u00edndice j\u00e1 registrado na s\u00e9rie hist\u00f3rica. Apesar do otimismo, o professor Jos\u00e9 Dari Krein, economista da Unicamp, durante entrevista ao\u00a0<strong>Entrelinhas Vermelhas<\/strong>, alerta que os n\u00fameros escondem fragilidades profundas do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cTemos setores intensivos em m\u00e3o de obra que pagam muito mal e mant\u00eam jornadas longas, como com\u00e9rcio, constru\u00e7\u00e3o civil, farm\u00e1cia e servi\u00e7os gerais\u201d, explica. Ele ressalta que o desemprego baixo n\u00e3o significa equidade ou organiza\u00e7\u00e3o no mercado: diferen\u00e7as regionais, raciais e de g\u00eanero continuam expressivas. No Norte e Nordeste, por exemplo, o \u00edndice de desocupa\u00e7\u00e3o chega a quase tr\u00eas vezes o do Sul e Sudeste. Mulheres negras, particularmente, enfrentam maiores dificuldades de inser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto destacado pelo professor \u00e9 que a melhora da renda familiar pode reduzir a necessidade de todos os membros trabalharem, permitindo que alguns busquem educa\u00e7\u00e3o ou outras atividades essenciais. Apesar de positivamente associada ao crescimento econ\u00f4mico, essa situa\u00e7\u00e3o ainda reflete mercados de trabalho fragmentados e pouco estruturados.<\/p>\n<p>Embora o Brasil tenha atingido o menor desemprego da hist\u00f3ria, o mercado de trabalho ainda enfrenta informalidade alta, contratos prec\u00e1rios e desigualdade persistente. A reforma trabalhista de 2017 n\u00e3o cumpriu suas promessas, e a falta de um projeto nacional de desenvolvimento limita a reorganiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p>Para o professor da Unicamp, \u00e9 urgente retomar pol\u00edticas p\u00fablicas estrat\u00e9gicas que valorizem o trabalho, fortale\u00e7am sindicatos, promovam empregos de qualidade e garantam sustentabilidade social. Sem isso, o crescimento do emprego continuar\u00e1 a ser superficial, com impactos negativos de longo prazo sobre trabalhadores e economia.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"#72 Entrelinhas Vermelhas | Mercado de Trabalho e Projeto Nacional de Desenvolvimento\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t8KaH_G-pic?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p><strong>Informalidade: um problema persistente<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com a taxa de desemprego baixa, cerca de 50% da for\u00e7a de trabalho ainda se encontra em condi\u00e7\u00f5es informais quando considerados trabalhadores por conta pr\u00f3pria, MEIs e trabalhadores sem direitos formais.<\/p>\n<p>Krein alerta que a informalidade elevada gera impactos futuros, principalmente sobre a Previd\u00eancia Social. Ele explica que muitos trabalhadores atuam como MEIs ou contratos \u201cn\u00e3o t\u00edpicos\u201d, mantendo v\u00ednculo econ\u00f4mico de assalariamento, mas sem prote\u00e7\u00e3o trabalhista. \u201cIsso fragiliza o financiamento da Seguridade Social, criando uma verdadeira bomba-rel\u00f3gio para o futuro\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a informalidade elevada est\u00e1 ligada \u00e0 pr\u00f3pria estrutura do mercado brasileiro: empregos com baixa perspectiva de ascens\u00e3o, chefias desp\u00f3ticas e jornadas extenuantes estimulam que trabalhadores busquem alternativas como MEI ou plataformas digitais. Contudo, essas formas de trabalho muitas vezes reproduzem precariza\u00e7\u00e3o e baixos sal\u00e1rios, com pouco ganho por hora trabalhada, especialmente para entregadores e motoristas.<\/p>\n<p><strong>A reforma trabalhista: oito anos de resultados negativos<\/strong><\/p>\n<p>Completando oito anos, a reforma trabalhista de 2017 foi feita com promessas de aumentar empregos e flexibilizar rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Para Jos\u00e9 Dari Krein, nenhuma promessa foi cumprida.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o houve aumento expressivo de emprego; a retomada n\u00e3o se deve \u00e0 reforma, mas \u00e0 pol\u00edtica de transfer\u00eancia de renda e ao crescimento da economia nos \u00faltimos dois anos\u201d, afirma. Al\u00e9m disso, a reforma introduziu contratos n\u00e3o t\u00edpicos, flexibilizou jornadas e enfraqueceu sindicatos, prejudicando a negocia\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>O sindicalismo, segundo o professor, sofreu um golpe profundo: a taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o caiu de 22% para 12%, reduzindo a capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o. As mudan\u00e7as nas regras, como o fim da ultratividade e a flexibiliza\u00e7\u00e3o da homologa\u00e7\u00e3o, dificultaram aos trabalhadores reivindicar direitos sonegados.<\/p>\n<p>Krein compara a situa\u00e7\u00e3o brasileira a experi\u00eancias recentes no exterior: na Inglaterra, o contrato \u201czero hora\u201d (similar ao intermitente brasileiro) est\u00e1 sendo revogado devido \u00e0 precariedade; na Espanha, leis trabalhistas foram refor\u00e7adas para proteger trabalhadores. No Brasil, entretanto, a pauta conservadora do Congresso impede a revis\u00e3o da reforma.<\/p>\n<p><strong>Juros altos e aus\u00eancia de projeto nacional de desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>Outro fator que afeta o mercado de trabalho \u00e9 a taxa de juros elevada, que, segundo o professor, favorece a especula\u00e7\u00e3o financeira em detrimento do investimento produtivo. \u201cSem um projeto nacional de desenvolvimento, o mercado de trabalho continuar\u00e1 desestruturado e a economia crescer\u00e1 de forma desigual\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Ele ressalta que pol\u00edticas de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, reindustrializa\u00e7\u00e3o, investimentos tecnol\u00f3gicos e cria\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade s\u00e3o fundamentais para organizar o mercado e distribuir renda. Segundo Krein, pa\u00edses que combinaram progresso econ\u00f4mico com pol\u00edticas p\u00fablicas inclusivas e industrializa\u00e7\u00e3o se sa\u00edram melhor nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><strong>Precariza\u00e7\u00e3o, desigualdade e sustentabilidade social<\/strong><\/p>\n<p>O professor enfatiza que a combina\u00e7\u00e3o de informalidade, contratos prec\u00e1rios e baixa sindicaliza\u00e7\u00e3o aumenta a desigualdade e compromete a solidariedade intergeracional da Seguridade Social. \u201cSe os trabalhadores n\u00e3o contribuem de forma adequada, os sistemas de aposentadoria ficam comprometidos, e haver\u00e1 press\u00e3o por novas reformas que reduzem benef\u00edcios\u201d, explica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a precariza\u00e7\u00e3o impede que os trabalhadores tenham ascens\u00e3o profissional e direitos garantidos. Plataformas digitais e rela\u00e7\u00f5es de emprego disfar\u00e7adas aumentam essa vulnerabilidade, mesmo quando criam oportunidades de formaliza\u00e7\u00e3o parcial ou de emiss\u00e3o de notas fiscais.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento inclusivo: o papel central do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Para o professor Jos\u00e9 Dari Krein, organizar o mercado de trabalho \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para um desenvolvimento econ\u00f4mico inclusivo e sustent\u00e1vel. Ele defende pol\u00edticas que considerem:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Distribui\u00e7\u00e3o de renda e redu\u00e7\u00e3o da desigualdade;<\/li>\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00f5es sociais para enfrentar problemas ambientais e sociais;<\/li>\n<li>Reindustrializa\u00e7\u00e3o e investimento em setores tecnol\u00f3gicos;<\/li>\n<li>Estrat\u00e9gias para lidar com o envelhecimento populacional e mudan\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o familiar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cN\u00e3o existe sociedade organizada sem reposicionar o trabalho como eixo do desenvolvimento. \u00c9 fundamental criar ocupa\u00e7\u00f5es sociais que garantam soberania, qualidade de vida e justi\u00e7a social\u201d, conclui.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--tags\">\n<div class=\"post-content--section-title\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page--share-wrapper row-small\" aria-label=\"Compartilhe\">\n<div class=\"page--share\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--section-title\">Autor<\/div>\n<div class=\"post-content--author\">\n<div><a class=\"post-content--author-name\" href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/cezar-xavier-2\/\">Cezar Xavier<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Brasil bate recorde de emprego, mas informalidade e precariza\u00e7\u00e3o predominam &nbsp; Com mais de 102 milh\u00f5es de trabalhadores, taxa<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-96048","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/96048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=96048"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/96048\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96049,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/96048\/revisions\/96049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=96048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=96048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=96048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}