{"id":96583,"date":"2026-02-06T07:03:15","date_gmt":"2026-02-06T10:03:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=96583"},"modified":"2026-02-06T07:03:15","modified_gmt":"2026-02-06T10:03:15","slug":"letalidade-policial-cresce-em-17-estados-e-expoe-crise-no-modelo-de-seguranca-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/?p=96583","title":{"rendered":"Letalidade policial cresce em 17 estados e exp\u00f5e crise no modelo de seguran\u00e7a p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<div class=\"row row-small\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mt-30\">\n<h1>Letalidade policial cresce em 17 estados e exp\u00f5e crise no modelo de seguran\u00e7a p\u00fablica<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados do MJSP revelam que a\u00e7\u00f5es policiais matam 18 brasileiros por dia; alta de 4,5% em 2025 acende alerta sobre uso pol\u00edtico da viol\u00eancia policial<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-info \">\n<div class=\"author\">por\u00a0<a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/davi-molinari\/\">Davi Molinari<\/a><\/div>\n<p class=\"date\">Publicado pelo Portal Vermelho<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post--image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/%C2%A9-Tania-RegoAgencia-Brasil.webp\" \/>Foto: Ta\u0302nia Rego\u0302:Age\u0302ncia Brasil<\/div>\n<p>O Brasil encerrou o ano de 2025 com um paradoxo estat\u00edstico que desafia gestores p\u00fablicos e especialistas em seguran\u00e7a. De acordo com o levantamento consolidado pelo Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sinesp), divulgado pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica (MJSP) na ter\u00e7a-feira (3), a letalidade policial interrompeu a trajet\u00f3ria de queda e registrou uma alta de\u00a0<strong>4,5%<\/strong>. Foram\u00a0<strong>6.519 v\u00edtimas<\/strong>\u00a0de interven\u00e7\u00f5es policiais, consolidando uma m\u00e9dia de\u00a0<strong>18 mortes di\u00e1rias<\/strong>. Os n\u00fameros s\u00e3o\u00a0<strong>originados obrigatoriamente nos estados<\/strong>, respons\u00e1veis pela Seguran\u00e7a P\u00fablica. Por isso, s\u00e3o as Secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica estaduais que alimentam o sistema\u00a0<strong>Sinesp<\/strong>\u00a0(Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a P\u00fablica).<\/p>\n<p>Para o professor Ignacio Cano, pesquisador e especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica, a publicidade desses n\u00fameros representa um marco institucional. \u201cEm primeiro lugar, \u00e9 positivo que finalmente o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a tenha dados oficiais sobre a letalidade policial. Durante muitos anos, esses dados eram elaborados exclusivamente pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica porque o governo federal resistia a correr o risco pol\u00edtico de divulgar dados oficiais\u201d, pondera.<\/p>\n<p><strong>O Mapa da Letalidade e a Vontade Pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>O fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 isolado geograficamente, mas revela nuances pol\u00edticas e regionais. As regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentaram as altas percentuais mais alarmantes. Rond\u00f4nia viu o n\u00famero de mortes saltar de 8 para 47 (488%), enquanto o Maranh\u00e3o registrou alta de 87%.<\/p>\n<p>No topo da lista em n\u00fameros absolutos, a Bahia mant\u00e9m a lideran\u00e7a nacional com 1.569 \u00f3bitos. Entretanto, o professor Cano destaca que o crescimento em estados como S\u00e3o Paulo (835 mortes) e Rio de Janeiro (798) obedece a uma l\u00f3gica espec\u00edfica. \u201cEst\u00e3o em alta tanto o Rio quanto S\u00e3o Paulo, que fazem parte de um projeto pol\u00edtico que tem na letalidade policial um de seus componentes\u201d, afirma o pesquisador, referindo-se \u00e0 ideologia que valida o confronto como ferramenta de propaganda pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Cano tamb\u00e9m alerta para o olhar proporcional: embora estados menores tenham n\u00fameros absolutos baixos, a incid\u00eancia por habitante \u00e9 cr\u00edtica. \u201c\u00c9 preciso ter cuidado com a letalidade em estados que t\u00eam menos popula\u00e7\u00e3o, mas que proporcionalmente s\u00e3o exemplos do uso abusivo da for\u00e7a, como \u00e9 o caso do Amap\u00e1\u201d, explica. O Amap\u00e1 registrou em 2025 uma taxa de 17,11 mortes por 100 mil habitantes, a maior do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Transpar\u00eancia e Obriga\u00e7\u00f5es Internacionais<\/strong><\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o dos dados pelo Sinesp atende tamb\u00e9m a press\u00f5es externas. Cano recorda que a senten\u00e7a da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre o caso \u201cNova Bras\u00edlia\u201d imp\u00f5e ao Estado brasileiro a obriga\u00e7\u00e3o de publicar um relat\u00f3rio anual sobre letalidade policial. \u201cEnfim, agora pelo menos temos algum dado oficial. Mas o Estado brasileiro tem a obriga\u00e7\u00e3o de elaborar e publicar esse relat\u00f3rio anual detalhado\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>O caso \u201cNova Bras\u00edlia\u201d ocorreu no Complexo do Alem\u00e3o (RJ), entre 1994 e 1995, quando duas incurs\u00f5es policiais resultaram na morte de\u00a0<strong>26 homens<\/strong>\u00a0e na\u00a0<strong>viol\u00eancia sexual<\/strong>\u00a0contra tr\u00eas mulheres. As investiga\u00e7\u00f5es internas foram marcadas por omiss\u00f5es e ningu\u00e9m foi punido por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><strong>O recorte racial e a vulnerabilidade<\/strong><\/p>\n<p>A letalidade policial no Brasil continua a ter cor e endere\u00e7o. An\u00e1lises da Human Rights Watch indicam que a popula\u00e7\u00e3o negra representa cerca de 86% das v\u00edtimas. Em 2025, um cidad\u00e3o negro teve\u00a0<strong>3,5 vezes mais chances<\/strong>\u00a0de ser morto pela pol\u00edcia do que um branco, evidenciando que o racismo estrutural permanece como um filtro na aplica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a letal.<\/p>\n<p>A cultura da viol\u00eancia tamb\u00e9m se manifesta no tecido social atrav\u00e9s do g\u00eanero: o Brasil atingiu o recorde de 1.470 feminic\u00eddios em 2025. Embora as din\u00e2micas e as motiva\u00e7\u00f5es sejam distintas, especialistas apontam que a \u2018l\u00f3gica da elimina\u00e7\u00e3o\u2019 e o racismo estrutural unem os indicadores, e colocam a mulher negra no centro da vulnerabilidade, seja como alvo direto do feminic\u00eddio, seja como a principal atingida pelas consequ\u00eancias da viol\u00eancia policial nas periferias.<\/p>\n<p><strong>Prote\u00e7\u00e3o e sa\u00fade mental dos agentes<\/strong><\/p>\n<p>Em contrapartida ao aumento das mortes de civis, os indicadores de vitimiza\u00e7\u00e3o policial apresentaram melhora. As mortes de agentes de seguran\u00e7a ca\u00edram 9,4% (183 casos), e os suic\u00eddios entre policiais recuaram 5,4%. Entretanto, os n\u00fameros ainda s\u00e3o preocupantes. Um policial tira a pr\u00f3pria vida a cada tr\u00eas dias no pa\u00eds, reflexo da exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua a um modelo de policiamento baseado no estresse do combate.<\/p>\n<p>Para analistas de seguran\u00e7a p\u00fablica, a manuten\u00e7\u00e3o desses \u00edndices revela uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a que prioriza o confronto em detrimento da intelig\u00eancia. O desafio para 2026 ser\u00e1 equilibrar a queda dos indicadores de criminalidade comum \u2014 que ca\u00edram entre 10% e 19% em crimes patrimoniais \u2014 sem que o Estado se torne o principal agente de viol\u00eancia nas periferias brasileiras. Como resume o professor Cano, a transpar\u00eancia atual \u00e9 o primeiro passo para uma fiscaliza\u00e7\u00e3o que de fato interrompa o ciclo de mortes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--tags\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page--share-wrapper row-small\" aria-label=\"Compartilhe\">\n<div class=\"page--share\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--section-title\">Autor<\/div>\n<div class=\"post-content--author\">\n<div><a class=\"post-content--author-name\" href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/autor\/davi-molinari\/\">Davi Molinari<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Letalidade policial cresce em 17 estados e exp\u00f5e crise no modelo de seguran\u00e7a p\u00fablica &nbsp; Dados do MJSP revelam que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","inline_featured_image":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false,"_wpscppro_dont_share_socialmedia":false,"_wpscppro_custom_social_share_image":0,"_facebook_share_type":"","_twitter_share_type":"","_linkedin_share_type":"","_pinterest_share_type":"","_linkedin_share_type_page":"","_instagram_share_type":"","_medium_share_type":"","_threads_share_type":"","_google_business_share_type":"","_bluesky_share_type":"","_mastodon_share_type":"","_selected_social_profile":[],"_wpsp_enable_custom_social_template":false,"_wpsp_social_scheduling":{"enabled":false,"datetime":null,"platforms":[],"status":"template_only","dateOption":"","timeOption":"","customDays":"","customHours":"","customDate":"","customTime":"","schedulingType":""},"_wpsp_active_default_template":true},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-96583","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/96583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=96583"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/96583\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":96584,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/96583\/revisions\/96584"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=96583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=96583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomamede.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=96583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}