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Itego em Artes Labibe Faiad oferece palestras gratuitas do circuito “Café Tecnológico”

CARD - CAFE - LABIBE

A  1ª Edição do Projeto Café Tecnológico acontecerá na quarta-feira (22/11), das 19 às 22 horas, no Itego em Artes Labibe Faiad em Catalão.

Neste primeiro encontro acontecerão duas palestras: ”Como gerar dinheiro novo por intermédio da inovação?”, ministrada pelo professor Raulison Alves Resende, chefe da Escola de Negócios da Faculdade Cambury e pós-doutorando pela FGV e “Caminhos da inovação em Goiás: instrumentos para inovar e empreender”, ministrada pelo professor Wagno Pereira da Costa, especialista em Economia Agroindustrial pela UFG e Professor da Escola de Gestão e Negócios da PUC-GO. Após as palestras haverá um momento de debate entre os palestrantes e ouvintes.

O evento é gratuito e tem como objetivo trazer novas informações que unam desenvolvimento e inovação tecnológica. Os interessados poderão se inscrever na secretaria do Itego ou pelo link:

https://goo.gl/forms/hUR80d0jXMVwnLTn1

O Itego em Artes Labibe Faiad está situado na situado na Rua Josefina, 2, Bairro Nossa Senhora de Fátima, Catalão – GO.

Assessoria de Comunicação

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Consciência negra é coisa de preto?

Uma data para celebrar a negritude vai de encontro ao ideário de embranquecimento, que busca expurgar o sangue negro e limpar a raça brasileiraUma data para celebrar a negritude vai de encontro ao ideário de embranquecimento, que busca expurgar o sangue negro e limpar a raça brasileira

Afinal, por que precisamos do Dia da Consciência Negra? E consciência negra é só pra negros? Qual a dificuldade em entender o sentido da data? Perguntas oportunas, necessárias, especialmente quando se percebe que alguns setores sempre ameaçam se rebelar contra o feriado e ainda há cidades que o revogam sem o menor constrangimento.

Gostaria muito que me dissessem por que Zumbi, que assim como Tiradentes é um herói nacional, não merece um feriado. E gostaria mais ainda de ver um presidente da República fazer História e decretar o Dia da Consciência Negra feriado no Brasil inteiro. Seria uma medida emblemática que daria não só a dimensão do legado de Palmares, mas colocaria no patamar adequado a história de luta e resistência do povo negro deste País. Nas palavras cantadas por Luís Carlos da Vila: “é preciso a atitude de assumir a negritude pra ser muito mais Brasil!” Mas se fosse simples já estaria feito.

Além dos quilombos remanescentes, há territórios negros que continuam evocando a herança de Palmares. São espaços de preservação e disseminação cultural, como os terreiros de Candomblé, afoxés, maracatus e escolas de samba. Nesses territórios, a memória coletiva segue viva e é essencial para a construção das identidades negras, que, na maioria das vezes, permanecem na triste condição da invisibilidade ou, mais grave, são combatidas pela sociedade e pelo poder público.

Assumir uma data para celebrar a negritude vai de encontro ao ideário de embranquecimento, que busca expurgar o sangue negro e limpar a raça brasileira. É a mesma ideologia que cria e sustenta a ilusão de que não existe racismo no Brasil e que serve como base para muitos argumentos que questionam a necessidade e a importância do Dia da Consciência Negra. No fundo, a estratégia de fragmentar sua identidade e dificultar que o povo negro atue enquanto grupo tem sido a consequência mais perversa do mito da democracia racial.

Quando dizem, por exemplo, que “alma não tem cor”, “precisamos de consciência humana, não de consciência negra”, “a questão é social”, percebe-se claramente que não conhecem a dimensão do problema. Mais da metade da população brasileira convive com a exclusão e a vulnerabilidade. Não se trata apenas de denunciar uma situação social gravíssima, mas de reconhecer que é a exclusão e não a presença do negro o fator determinante no entrave e no baixo desenvolvimento do país, ao contrário do que se propagou desde o fim da escravidão.

Nos últimos tempos, denunciar o racismo, o machismo, a intolerância religiosa ou a homofobia virou “vitimismo”. Esse neologismo infame, além de mostrar a superficialidade dos discursos, dilui o sentido da exclusão e da desigualdade que, de fato, determinam os lugares sociais de negros e de outras minorias, comprovando que existe uma elite que pretende manter as coisas como estão, aliás, como sempre foram.

Quando negros e negras denunciam situações de racismo, muitas vezes são “confortados” com certas frases feitas, do tipo: “mas você é um moreno lindo”; “mas você tem que ser superior a isso”, “a cor da pele não quer dizer nada”, ou ainda “isso é coisa da sua cabeça”, “você tem complexo de inferioridade”. Não se pode esquecer que quem sofre o racismo é o corpo negro, porque é impossível despir-se da própria pele. Portanto, é o corpo negro que toma tiro, é o corpo negro que não se vê representado, é o corpo negro que não tem oportunidade, é o corpo negro que vira estatística.

Disfarçar o racismo com esse negócio de “consciência humana” é o mesmo que revigorar o mito da democracia racial e condenar o povo negro a outros séculos de exclusão e desigualdade. A consciência tem que ser negra, e antes que qualquer um venha falar do que é justo ou injusto, vistam minha pele. Se alma tem cor, apesar de sacerdote, eu realmente não sei, até porque não é a alma que toma tiro da polícia, não é a alma que não recebe oportunidade de emprego, não é a alma que leva pedrada e apanha quando ousa carregar as insígnias dos orixás, não é a alma que só se vê como subalterno nas novelas da tevê.

O corpo tem cor, os símbolos da religião negra têm cor. O corpo e a cultura do negro são discriminados, olhados com toda carga de preconceito. Antes de falarmos em consciência humana ou dizermos que alma não tem cor, temos que ter a boa vontade de compreender e de vencer racismo velado, que sempre faz questão de dizer que a luta do povo negro não tem sentido.

Há negros de todas as cores. Existem, porém, muitos negros que não sabem que são negros. Mais do que necessária, a consciência negra é uma condição para impedir que nossa sociedade racista aponte do pior jeito a cor da nossa pele, nossos traços ou nossa origem (por exemplo, jogando bananas para jogadores de futebol que nem se autodeclaravam negros). Além disso, uma vez forjados de orgulho e resistência, podemos reagir ao racismo sem permitir que determinem nosso lugar no mundo.

Neste país, todo negro é um sobrevivente. Sobrevivemos a toda sorte de adversidade, ao descaso, à violência, à miséria, às doenças, às piores condições de trabalho, aos piores salários, à falta de assistência, à discriminação. Sobrevivemos à escravidão, ao massacre da nossa cultura, à perseguição da nossa religião, a humilhações históricas e cotidianas.

Precisamos do Dia da Consciência Negra para que todos os brasileiros possam pensar no país que querem construir. Precisamos deste dia para simplesmente celebrar o orgulho do povo negro: o orgulho de ter sobrevivido!

Fonte: Carta Capital

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Transamazônica, 45 anos | Sobre madeira clandestina e ouro para inglês ver

Sob a poeira da estrada, que se aproxima da bacia do Tapajós, o solo é rico em metais preciosos - Créditos: Daniel Giovanaz
Sob a poeira da estrada, que se aproxima da bacia do Tapajós, o solo é rico em metais preciosos / Daniel Giovanaz

No caminho que separa os municípios de Medicilândia e Uruará, o asfalto termina de repente, sem nenhuma sinalização, e a poeira pega os motoristas de surpresa. Esta é uma região de rios e igarapés, e são comuns as pontes de ferro e madeira, que suportam entre 20 e 30 toneladas – as maiores atravessam o Igarapé Pacal e o Rio Seiko.

Sobre esta última, cavalga o boiadeiro Manoel Aroeira, encarregado de levar 600 cabeças de gado de Uruará a Xinguara, no Sudeste paraense. São 930 km de viagem, e o tempo de percurso da boiada é estimado em 110 dias.

Aroeira tem o sorriso fácil e a pele cor-da-estrada, protegida por vestes longas e um chapéu de palha. A camisa, também coberta de poeira, permite ver na lapela a logomarca do consórcio Belo Monte. O boiadeiro explica que o irmão dele participou da construção da usina, e logo pede licença para voltar ao trabalho.

(Fotos: Daniel Giovanaz)

São quase 20 dias sem chuva, e a chamada “puaca” é cada vez mais espessa. As casas de madeira da Vila Globo do Mar, no km 98, são todas amarronzadas, com a pintura desgastada e a aparência envelhecida. Algumas estão com as portas abertas, e se vê de longe os móveis e eletrodomésticos sujos de poeira, em tom acastanhado: a Transamazônica é um elemento indissociável da vida.

A aridez diminui conforme se avança em direção ao km 100. Às três da tarde, a poeira baixa e a estrada parece umedecida por gotículas que caem do céu nublado – espaçadas e por pouco tempo. Seria exagero chamar de chuva ou garoa: os moradores da Transamazônica preferem usar o termo “sereno”. Ao lado da estrada, se veem dois ou três cadáveres bovinos, que Aroeira não foi capaz de salvar.

Sons da floresta

No fim da tarde, um pau-de-arara avança pela estrada no sentido contrário, de Uruará a Medicilândia. Na entrada de cada travessão, o motorista reduz a velocidade para que as crianças saltem e encontrem os pais à beira do caminho.

Três crianças descem no km 125, com o uniforme da escola José Bonifácio. Os irmãos Jackson e Maicon estão matriculados no ensino fundamental em Uruará. O primo Everton*, na educação infantil. As mães, em duas motocicletas, vão buscar os filhos de segunda à sexta no acostamento invisível da Transamazônica.

De moto, da estrada até a casa da família, são dez minutos mata adentro, no sentido norte. Quando as crianças voltam, o sol começa a se pôr, e resta uma hora de brincadeira ao ar livre. Elas gostam de correr, jogar futebol, nadar no riacho e procurar ossos de catitu na floresta. Catitu é uma espécie de porco-do-mato, com até 25 kg, que se alimenta de frutas, legumes e insetos.

A família de Jackson e Maicon é aficionada por música. Em um fim de semana, o pai e o tio construíram um violão com tocos de madeira talhados – o instrumento é bonito, mas quase não produz som. A velha cachorra da família tem os pelos louros, quase dourados, e se chama Madonna.

Jackson, o filho mais velho, sabe tocar percussão. Mais do que isso, ele monta sua própria bateria – sob olhares curiosos do irmão e dos primos – em menos de um minuto, com apetrechos que encontra atrás da casa dos pais. O resultado visual não é tão impressionante quanto o violão dos adultos, mas faz um barulho danado.

(Fotos: Daniel Giovanaz)

O interesse começou quando ele viu uma bateria em um programa de TV: ficou hipnotizado. Na igreja evangélica que a mãe frequenta, Edson pegou as primeiras dicas, e é fácil perceber que leva jeito. Com o olhar distante, como se mirasse um público imaginário, o garoto tamborila com facilidade a caixa, o bumbo e os pratos improvisados – ele construiu até um pedal, para marcar os compassos com o pé direito.

Os pais do baterista prodígio têm uma pequena plantação de cacau. Ex-funcionários da Fazenda Panorama, a maior da região, eles decidiram romper o contrato de parceria para trabalhar de maneira autônoma. Além de vender as amêndoas para atravessadores de Medicilândia e Uruará, o casal cria porcos, patos e galinhas para subsistência.

O sonho da família é que Jackson e Maicon “vão longe, façam faculdade”. Mesmo assim, os dois meninos ajudam desde cedo a extrair as amêndoas da cabaça do cacau: estão preparados para seguir a profissão dos pais, se for preciso.

O ruído que as crianças ouvem, a cada amanhecer, é o mesmo que acorda o senhor Ervino Gutzeit, dono e fundador da Fazenda Panorama, a 22 km de distância.

A Amazônia está repleta de macacos uivadores, que no Pará são chamados de capelães. É cada vez mais raro vê-los de perto, em áreas residenciais, mas os moradores garantem que não há como passar ileso à gritaria matinal nos travessões.

O capelão é o animal mais barulhento do mundo – estima-se que o uivo de um macho seja ouvido em um raio de até 5 km. Essa potência vocal, que atinge 130 decibéis, se deve ao hioide, osso localizado entre a laringe e a base da língua, que funciona como amplificador. Os seres humanos também possuem hióide, mas o osso dos capelães machos é maior.

Cidadão honorário do Pará, Ervino Gutzeit é capixaba, tem 85 anos e viveu a maior parte da vida à beira da rodovia Transamazônica. Neto de imigrantes alemães e filho de missionários cristãos que atuaram na Ilha do Bananal, a 1.250 km de Uruará, ele foi autuado por fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por utilizar mão de obra análoga à escravidão em 2005. Dos 43 trabalhadores que viviam acampados na Fazenda Panorama, a 7 km da pista, 30 foram libertados naquela ocasião.

Com o patriarca em idade avançada, quem administra a Fazenda Panorama é o neto Helton Gutzeit, de 24 anos, que estudou na Suíça e fez um Master Of Business Administration (MBA) em São Paulo.

Madeira e progresso

Próximo ao km 140, à esquerda da pista, no sentido Medicilândia-Uruará, a mata fechada indica que aquela é uma terra indígena, livre da pecuária extensiva – ao menos, por enquanto.

Cobiçada por madeireiros e latifundiários da região, o território ocupado pelos Arara tem 274 mil hectares e cerca de 300 moradores. A área é limitada a norte pela Transamazônica e a sul pelo rio Iriri, que tem 2 km de largura e deságua na margem esquerda do Xingu.

Quando um ônibus ou caminhão passa por aqui, no verão, mal se enxerga o verde das árvores à beira da estrada de terra. A poeira sobe de tal forma que as folhas se tingem de marrom, até que venha uma rajada de vento ou uma chuva fina, rara nesta época do ano.

(Foto: Daniel Giovanaz)

Antes do trevo que dá acesso a Uruará, dois condomínios de alto padrão, em fase de obras, mostram que a renda média daquele município está alguns passos à frente de Medicilândia. Na capital do cacau, não há nada parecido com os loteamentos Parque Ypê e Bairro Planejado Nova Uruará – a julgar pelo asfalto, pelas palmeiras cuidadosamente plantadas nos canteiros e pelos outdoors das construtoras que prometem “qualidade vida” e “realização de sonhos”.

O poder aquisitivo, que aparenta ser alto, na comparação com as cidades vizinhas, não encontra respaldo nos números. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a remuneração média dos trabalhadores formais em Uruará é 1,9 salários mínimos, apenas a 46ª entre os 144 municípios do estado. A explicação é que a maioria atua na informalidade. Para se ter uma ideia, o IBGE indica que apenas 9% da população está ocupada, porque desconsidera os empregados sem vínculo trabalhista.

Uruará significa “ave noturna”, na língua tupi. Ainda que o progresso e a qualidade de vida prometidos nos outdoors não cheguem aos bairros “não planejados”, o centro da cidade é, de fato, mais organizado que o de Medicilândia ou Novo Repartimento. As ruas são amplas e iluminadas, e a maioria das lanchonetes ficam abertas durante a noite, a poucos metros da BR-230.

Os habitantes se reúnem nas praças da região central, ou em volta do coreto, e jogam conversa fora sentados em cadeiras de praia, para aliviar o calor da estação seca. Contribui para essa tarefa uma espécie de caminhão-pipa, que em vez de abastecer as casas, derrama água sobre as ruas não pavimentadas para assentar a puaca e refrescar as madrugadas.

Um encontro fortuito com o vereador Celino Marizeira (PMDB) em uma sorveteria, logo na chegada a Uruará, ajudou a entender a que se deve o desenvolvimento do município: à atividade madeireira. Em poucas palavras, o político explicou que essa é a “grande riqueza” da cidade, que ele descreve como “bem tranquila, bem agradável”.

O município tem 11,6 mil hectares em lavouras de cacau, mas a arrecadação de impostos com a venda de amêndoas é ínfima, a exemplo de Medicilândia. Também na atividade madeireira existe clandestinidade e evasão fiscal – basta ler o noticiário policial para saber que parte do produto sai da cidade sem nota. No entanto, a extração de madeira gera renda de outras formas.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o mercado ilegal movimenta mais de 100 bilhões de dólares por ano, e representa 30% de toda a madeira comercializada no mundo. No Pará, a proporção é ainda maior. Segundo a ONG Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que investigou a atividade entre 2011 e 2012, 78% da madeira que sai do estado é ilegal. Os principais destinos são Estados Unidos, Alemanha, China, Bélgica e Reino Unido.

Uma tora de 15 metros, com pouco mais de 6.250 m³ de madeira, vale cerca de R$ 10 mil no mercado clandestino. Como não incidem impostos sobre a venda ilegal, os cortadores, transportadores, e todos os atores da cadeia produtiva são recompensados, devido ao alto risco da atividade. Os salários acima da média, ainda que não constem na carteira de trabalho nem nos dados do IBGE, ajudam a movimentar o comércio em Uruará e mantêm a economia em alta.

Mercado negro

Funcionam em Uruará cerca de 20 madeireiras, que financiaram a campanha de quase todos os vereadores. Os números superam os outros três municípios que sobrevivem dessa atividade na Transamazônica, somados – Pacajá, Anapu e Placas.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) estima que, na década de 1970, com o início da construção da BR-230, havia 100 mil trabalhadores escravizados por ano em fazendas na Amazônia. Os números despencaram conforme o governo militar retirou os investimentos na colonização da região, e voltaram a subir após a redemocratização do país – não há registros oficiais que comprovem essa hipótese, ano a ano.

Entre 1964 e 1988, foram identificados 55 empresas ou fazendas que utilizavam mão de obra escrava no Pará.

Nos governos Lula e Dilma Rousseff (PT), a população aprendeu a conviver com as fiscalizações trabalhistas e ambientais, cada vez mais frequentes em Uruará. Em maio de 2008, uma ação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal (PF) aplicou seis autos de infração, que totalizaram R$ 600 mil em multas, e embargou quatro serrarias no município. Três operavam sem licença, e uma armazenava madeira clandestina. Durante as visitas, houve tentativas de homicídio e uma viatura foi incendiada

A série de fiscalizações, que fazia parte da segunda etapa da operação “Grilo”, apreendeu 217 m³ em toras e 147 m³ de madeira serrada, a maior parte da espécie Jatobá. Esta árvore, cujo nome científico é Hymenaea courbaril, pode chegar a 80 metros de altura e está ameaçada de extinção. A espécie é considerada sagrada por povos indígenas da Amazônia, que costumam servir os frutos antes de rituais de meditação, para estimular o equilíbrio mental e a concentração.

Em junho de 2015, o Greenpeace divulgou imagens aéreas do município e flagrou novas irregularidades. A Fazenda Agropecuária Santa Efigênia teria fraudado inventários florestais para derrubar árvores na região – a madeira teria sido comercializada com 16 serrarias de Uruará, sem registro de origem.

Em outubro do ano passado, a Polícia Civil deflagrou a operação “Virtualis”, que prendeu seis pessoas em Uruará. As fraudes também envolviam servidores da Secretaria de Estado da Fazenda do Pará (Sefa) e madeireiros de outros quatro municípios da Transamazônica: Altamira, Pacajá, Placas e Rurópolis. O esquema consistia na emissão de notas fiscais de transporte e guias florestais “frias” – os fiscais da Sefa eram acusados de forjar as averiguações.

Um mês depois, a operação “Onda Verde” fechou três serrarias em Placas, a 60 km da região central de Uruará pela Transamazônica. Duas delas recebiam madeira cortada dentro da TI Cachoeira Seca, no limite entre os dois municípios. Um dos empresários presos escondia 200 toras de madeira no meio da mata, para enganar os fiscais do Ibama. O dano ambiental foi estimado em R$ 897 milhões.

A TI Cachoeira Seca tem cerca de 700 mil hectares, abriga indígenas da etnia Arara e é considerada “a mais desmatada do Brasil”.

A madeira clandestina que sai do Pará viaja até o litoral cearense, próximo a Fortaleza, e de lá costuma ser encaminhada para os países importadores. É possível saber o trajeto do produto através de rastreamentos via satélite e de apreensões que acontecem na própria rodovia.

Em maio deste ano, por exemplo, uma carreta que seguia de Uruará a Fortaleza foi apreendida em Buriti dos Lopes, região norte do Piauí. O veículo carregava 30 m² de madeira serrada sem a devida documentação – o que configura crime ambiental, segundo a Lei 9.605/98.

Mudança de área

David Amorim tem 72 anos e trabalha como motorista há quase meio século. Natural de Tijucas, a 55 km de Florianópolis, ele mudou-se para a região de Uruará no início dos anos 2000, para transportar madeira serrada. A empresa pagava em dia, mas o salário não compensava o risco de levar carga ilegal na caçamba.

“Era tudo frio! Às vezes tinha nota, mas já era a ‘nota da nota’”, lembra.

Quatro anos depois, o catarinense decidiu mudar de vida: comprou um lote por R$ 8 mil e construiu uma casa no travessão do km 95 norte, próximo a Medicilândia. “Tem gente que diz que eu paguei caro. Na época, aqui na Transamazônica, se trocava esses terreninhos de 40 m² por um relógio, ou uma espingarda”, brinca.

David Amorim vive com a esposa e o filho de cinco anos a 30 km do centro de Medicilândia. Há dois anos, trabalha como motorista do pau-de-arara que leva as crianças à escola Magalhães Barata, e conhece toda a vizinhança do travessão: “Não tem preço criar o menino no meio dos tamanduás, dos macaquinhos. Tem alguns problemas, sim. Às vezes o caminhãozinho atola ou capota na estrada, mas eu digo que isso aqui é um paraíso. E é bem menos perigoso levar as crianças para a escola do que transportar madeira fria”.

Desconfiança e violência

Além dos crimes ambientais, a extração ilegal de madeira está relacionada à superexploração do trabalho na Transamazônica, segundo informações da ONG Repórter Brasil. Em novembro de 2016, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o MTE se reuniram em Altamira com empresários da região para cobrar a redução dos acidentes de trabalho e da informalidade no setor.

O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Madeireira em Uruará trabalha com uma média de 100 acidentes por ano. As serrarias têm em média 20 funcionários, que costumam ser pagos “por diária”: menos da metade têm carteira assinada.

As pesquisadoras da Universidade Federal do Pará (UFPA), Luciana Sá Fernandes e Rosa Elizabeth Marin, analisam que o isolamento geográfico contribui para a perpetuação dos casos de trabalho escravo. No artigo Trabalho Escravo nas Fazendas do Estado do Pará, elas mencionam a fiscalização ocorrida em 2015 em uma fazenda em Uruará, a 150 km de qualquer área urbana. A autuação só foi possível porque um dos trabalhadores fugiu e relatou a situação à Promotoria de Justiça da Comarca de Uruará, que solicitou um mandado de busca e apreensão.

A atitude daquele trabalhador, Sebastião Almeida de Souza, é cada vez mais rara. Em geral, os escravizados são migrantes nordestinos, como ele, e têm dificuldade de se locomover na região, fora do local de trabalho. Na Fazenda Uruará, denunciada por Sebastião, havia dezenas de empregados sem registro, com idade inferior a 16 anos, sem salários ou em condições insalubres.

O dono da fazenda, identificado como Vicente Nicolodi, natural do Rio Grande do Sul, desmatava áreas de preservação ambiental para pastagem. A exemplo do que ocorre nas fazendas de cacau, eis a “norma” da Transamazônica: fazendeiro sulista, empregado nordestino.

Desmatamento. Tráfico de madeira. Trabalho análogo à escravidão. As atividades ilícitas que dominam a região oeste do Pará propiciam um ambiente de violência e desconfiança no entorno da BR-230. Em Uruará, é difícil transitar pela cidade, frequentar locais públicos e conversar com as pessoas sem ser inquirido sobre suas reais intenções.

Qualquer forasteiro pode ser um ambientalista, fiscal do MPT, ou outra dessas “figuras perigosas”, à paisana. Ninguém passa despercebido.

Nossa viagem pelo município chamou atenção a tal ponto que virou assunto em grupos de conversa no Whatsapp. Até o Comando Militar de Medicilândia foi acionado por essa rede de fofocas, atenta a qualquer movimento estranho, que possa ameaçar a segurança coletiva. Segundo a diretora da escola José Bonifácio, a população carrega até hoje o trauma do “caso Francisco” – uma quadrilha que percorria a Transamazônica nos anos 1990, sequestrando crianças e vendendo os órgãos no mercado negro.

Crimes sem solução não são raros por aqui. Nos últimos dois anos, a morte de dois madeireiros deixou a cidade de cabelos em pé – um motivo a mais para desconfiar de qualquer um. Em 2015, Luciano Stracke desapareceu no Bairro Vila Brasil, onde morava com a família. O corpo dele foi encontrado no Rio Uruará em estado de decomposição, 15 dias depois. Em março deste ano, Jan Clésio Ferreira de Aguiar foi assassinado a tiros no Bairro Progresso I. A polícia acredita na hipótese de “acerto de contas”.

Para inglês ver

Para além de Uruará, no sentido leste-oeste, outros quatro municípios são cortados pela BR-230, até o limite com o estado do Amazonas: Placas, Rurópolis, Itaituba e Jacareacanga.

Os dois primeiros estão entre os dez maiores produtores de cacau do Pará. O perfil da cadeia produtiva é semelhante ao que se verificou em Medicilândia, e a remuneração média dos cidadãos em empregos formais é 2,1 salários mínimos. O IBGE indica que, em Placas, apenas 4,1% da população está ocupada, o que indica alto nível de informalidade.

De Medicilândia a Placas, são 170 km, e mais 90 km até Rurópolis. A rodovia, estreita e não pavimentada, tem como atrativos as gigantes castanheiras e a típica poeira do verão amazônico.

A população de Itaituba é maior que a dos três municípios vizinhos somados: 98 mil. O distrito de Campo Verde, a 30 km de distância, é conhecido pelo trânsito de caminhões no entroncamento da Transamazônica com a BR-163. Por esta rodovia, os grãos que saem do Mato Grosso são levados ao porto de Santarém.

O asfalto volta a fazer parte da paisagem nas imediações de Itaituba, com uma breve interrupção no rio Tapajós. A exemplo do que ocorre em Belo Monte, a travessia é feita de balsa.

O rio faz parte da dinâmica da cidade. Com 200 milhões de hectares usados para mineração, a bacia do Tapajós abrange, além de Itaituba, os municípios de Trairão, Jacareacanga, Rurópolis, Belterra, Aveiro, Santarém e Novo Progresso. Cerca de 10% da área explorada pelo garimpo está dentro de Unidades de Conservação Federais. Por exemplo, as Florestas Nacionais Itaituba I e II, e os Parques Nacionais Jamanxin, Rio Novo e Amazônia.

Não é fácil frear o desmatamento nas Unidades de Conservação. Em maio de 2016, o sargento da Polícia Militar (PM) João Luiz de Maria Pereira foi assassinado em uma emboscada, após desmontar um acampamento ilegal no Parque Nacional Jamanxin. A equipe em que ele atuava recebeu dezenas de disparos. João Luiz foi atingido no pescoço e morreu 40 minutos depois, a 60 km da área urbana de Novo Progresso.

Garimpeiros e madeireiros trabalham em parceria. O acampamento desmontado pela equipe da PM era usado para extração de madeira, mas também guardava máquinas e equipamentos usados para mineração.

O ouro é o metal mais explorado na região, e Itaituba detém cerca de 80% dos títulos minerários para a extração no Pará – o que representa mais da metade da economia da cidade.

São dois mil garimpos no entorno do Tapajós, quase todos irregulares. Nos últimos 60 anos, foram extraídas 800 toneladas de ouro da bacia. Hoje, atuam 50 mil garimpeiros, e a maior parte deles extrai ouro de forma manual.

A empresa britânica Serabi Gold é a principal companhia exploradora de ouro e cassiterita em Itaituba. Em 2015, foi a 8ª maior produtora de ouro em solo brasileiro.

Em junho deste ano, o vereador Peninha (PMDB) fez um discurso na Câmara Municipal e demonstrou preocupação com a falta de controle dos minérios que saem de Itaituba por via aérea. Segundo o parlamentar, a cidade não desfruta das riquezas do ouro, e quem se aproveita são os estrangeiros. “Nem os aviões usados pela Serabi são de empresas itaitubenses. As aeronaves vêm do Mato Grosso, pegam o ouro no garimpo e levam, e nós não sabemos nem a quantidade de ouro que sai”.

A canadense Eldorado Gold e a sul-africana Anglo Gold Ashanti, uma das maiores mineradoras do mundo, também iniciaram projetos de extração de ouro e cobre na bacia do Tapajós, mas não há dados públicos sobre o potencial de exploração de cada uma delas. Ambas estudam atuar em Unidades de Conservação, e os investimentos, somados, chegam a 1 bilhão de dólares.

Falta de pavimentação e saneamento básico. Baixa escolarização. Mineração em áreas de proteção ambiental.

Jacareacanga, último município da Transamazônica paraense, é um cartão de visitas para o próximo estado que a rodovia atravessa: Amazonas. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,505 – considerado baixo, inferior ao de países como Quênia e Paquistão –, e os dilemas socioambientais da cidade são uma síntese de tudo que se viu à margem da BR-230.

A taxa de escolarização de jovens e adolescentes entre 6 e 14 anos é a 5466ª do Brasil, em um ranking de 5570 municípios. Cerca de 2% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado, segundo o IBGE.

Emancipado de Itaituba desde 1991, Jacareacanga tem 40 mil habitantes, dos quais dez mil são indígenas. Os conflitos étnicos são cada vez mais frequentes, e não estão desvinculados da disputa pelos recursos minerais da bacia do Tapajós.

Em junho de 2012, um índio da etnia Munduruku foi morto a facadas e pauladas. Segundo a polícia, foi um latrocínio, e os assassinos levaram consigo pepitas de ouro que estavam com a vítima. Os Munduruku não deixaram barato e atearam fogo na moto dos suspeitos, transferidos à delegacia de Itaituba.

No ano seguinte, lideranças indígenas voltaram a protestar, desta vez contra a construção de barragens no rio Teles Pires. Sobre os ossos de seus antepassados, será inaugurada em 2018 a Usina Hidrelétrica São Manoel. E não adianta ocupar o canteiro de obras: o país precisa dos 700 MegaWatts – como outrora precisou de uma estrada que ligasse o sertão à Amazônia.

Embora o Brasil seja uma nação pluriétnica, por previsão constitucional, outra queixa dos Munduruku em Jacareacanga é a dificuldade para registrar bebês com nomes tradicionais, conforme a língua e a grafia de cada povo. O Ministério Público Federal (MPF) advertiu o cartório da região e acrescentou que o registro civil com nomes tradicionais tem o respaldo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Talvez seja esta a mais simbólica das reivindicações. Produtivo ou especulativo, o capital expropriou-lhes as terras, os recursos, a memória, os costumes, o idioma, tudo. Resta-lhes um nome, como tábua de salvação.

Veias escancaradas

A rodovia segue até o município de Lábrea, entre os rios Purus e Madeira. São mais 827 km de BR-230, para além do Pará, e cada um deles corrobora o fracasso do projeto de Médici para desenvolver a região e impedir a entrega de recursos naturais.

A pobreza, a escravidão e a precariedade dos serviços à margem da Transamazônica contrastam com uma riqueza cada vez menos visível a olho nu. Milhões de hectares de floresta foram destruídos em nome da pecuária, da energia elétrica, do transporte rodoviário, das monoculturas ou da mineração. Os metais estão debaixo da terra, prontos para brilhar no mercado estrangeiro. Com eles, sob o solo amazônico, jazem os cadáveres de quem um dia se opôs a esse modelo predatório, e morreu condenado ao anonimato.

Subsiste como patrimônio desta região de veias abertas, a trajetória honrada dos migrantes que constroem suas vidas em função da rodovia – ou apesar dela. Aos olhos do agronegócio, das multinacionais e do próprio Estado, que não cumpre suas obrigações, Jonas, Maicon, Manoel, Isaílde, Junior, Tonico, David, Maria de Lourdes e Vilimar são apenas mão de obra barata. Cabe a eles mudar o rumo da Transamazônica: não se pode esperar nada de quem, há 45 anos, enriquece às custas da superexploração do homem e da floresta.

Acesse o especial completo sobre os 45 anos da inauguração da Rodovia Transamazônica.

*As pessoas com idade inferior a 18 anos são apresentadas neste relato com nome fictício e a imagem borrada.

Publicado originalmente no site Brasil de Fato 

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Câmara inicia semana com pauta trancada por 10 medidas provisórias

Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados vota MP do Refis, que possibilita o parcelamento de dívidas (Wilson Dias/Agência Brasil)

Pauta do plenário da Câmara está trancada por 10 MPsWilson Dias/Arquivo/Agência Brasil

Após uma semana de recesso por causa do feriado da Proclamação da República (15 de novembro), o plenário da Câmara dos Deputados volta aos trabalhos com 10 medidas provisórias trancando a pauta de votação. O Congresso Nacional deve votar oito delas até o fim de novembro, quando expira o prazo de análise das MPs pelos deputados e senadores.

Entre as medidas encaminhadas pelo governo que trancam a pauta legislativa está a que trata da participação da União em fundo de apoio à estruturação e ao desenvolvimento de projetos de concessões e parcerias público-privadas e da transferência de recursos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Outra medida que pode ser votada é a que institui o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), a jornada de trabalho reduzida com remuneração proporcional e a licença sem remuneração com pagamento de incentivo para servidores do Poder Executivo federal.

Ainda consta na pauta MPs da área de infraestrutura, como a que estabelece um regime especial para exploração e aproveitamento das substâncias minerais, a que cria a Agência Nacional de Mineração e extingue o Departamento Nacional de Produção Mineral e a que institui regime tributário especial para as atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural.

Também está prevista a discussão de duas propostas de emenda à Constituição (PECs), entre elas a que altera prazos e a forma de apreciação das medidas provisórias pelo Congresso Nacional.

Reforma da Previdência

Enquanto tentam acelerar a votação das MPs, os deputados que integram a base governista ainda se articulam para retomar a tramitação da reforma da Previdência. A PEC que altera as regras de acesso ao benefício da aposentadoria ainda não consta na pauta do plenário da Câmara, mas a equipe econômica do governo espera votar pelo menos o primeiro turno da reforma ainda este ano.

Para facilitar a aceitação da reforma entre os partidos, o governo aceitou fazer ajustes no texto elaborado pelo relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA), que já foi aprovado em comissão especial. A expectativa é que esta semana as mudanças que flexibilizam a proposta sejam discutidas entre as lideranças partidárias. Ainda não há previsão de quando o novo texto será divulgado.

Comissões

Na terça-feira (21), os deputados também devem concluir na comissão especial a análise da PEC 381/2015, que trata da ampliação da licença-maternidade para mães de bebês prematuros e acrescenta na Constituição que a vida é inviolável desde a concepção do feto.

A proposta motivou intenso debate em torno da polêmica do reforço da criminalização da interrupção da gravidez contida no relatório em análise pela comissão. O texto-base da proposta já foi aprovado, e na próxima reunião o colegiado pode votar os destaques ou sugestões de mudanças apresentadas ao texto. Concluída esta etapa, a proposta segue para análise do plenário.

Agência Brasil

 

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Temer quer acabar com programa de distribuição de remédio

Um dos mais conhecidos programas do Ministério da Saúde, o Farmácia Popular, iniciativa que oferta medicamentos gratuitos ou com até 90% de desconto, deve passar por mudanças. Para o setor farmacêutico, as medidas o colocam em risco.

Após fechar cerca de 400 farmácias da rede própria que mantinha no programa, o governo quer agora mudar o modelo de pagamento para farmácias particulares credenciadas. Hoje, há cerca de 30 mil estabelecimentos que ofertam os medicamentos no Aqui Tem Farmácia Popular, nome dado ao eixo do programa na rede particular.

Para o ministro Ricardo Barros (Saúde), o objetivo é reduzir gastos, tidos como mais altos do que na compra centralizada de remédios no SUS.

Representantes do setor e sanitaristas, porém, dizem que as novas propostas colocam o programa em xeque.

Hoje, farmácias recebem um reembolso do governo a cada produto dispensado, com base em uma tabela de valores de referência pré-definidos para cada um deles.

O governo quer renegociar esses valores. De acordo o ministro, a ideia é propor um novo cálculo, definido por um preço base no atacado e 40% de margem para compensar os custos de aquisição e distribuição dos produtos.

Pacientes que utilizam o Farmácia Popular afirmam terem sido pegos de surpresa com o fechamento das unidades próprias do programa e relatam dificuldades de acesso a medicamentos no SUS.

No Distrito Federal, a única unidade da rede própria que ainda havia do programa, em Sobradinho, foi fechada em 28 de agosto.

As informações são de reportagem de Natália Cancian na Folha de S.Paulo.

Brasil 247

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Lula sobre pré-candidatura de Manuela: Vamos para a rua juntos

Richard Silva

 

“Qualquer partido de esquerda que quiser lançar candidato, que lance. Agora, se tiverem coragem a gente vai pra rua junto”, enfatizou Lula, reforçando que a candidatura de Manuela, como a de qualquer outro candidato é legítima. “Além disso, se não fosse a minha teimosia e a do PT, a gente nunca teria chegado à Presidência da República”, destacou.

“Manuela, não pense que pelo fato de você ser pré-candidata, vai gerar alguma rusga entre mim e você ou o PCdoB. A única coisa que vocês poderão estranhar daqui pra frente, é um belo dia eu começar a ir nos comícios da Manuela”, brincou.

Para ele, é preciso “pensar cada vez mais qual é a proposta que vamos fazer para a sociedade brasileira”. “Uma campanha no atual momento tem que ter novos sonhos e vai ter mais credibilidade quem tem legado para defender. E o PT e o PCdoB tem legado para defender”, frisou o ex-presidente.

Luciana Santos, presidente do PCdoB e deputada federal por Pernambuco, agradeceu a presença de Lula e destacou que ele é um aliado histórico do partido. “Garantir o direito da candidatura de Lula é defender a democracia. Estaremos juntos construindo saídas para o Brasil”, declarou.

Para Manuela, a participação de Lula no ato foi a reafirmação da tese defendida pelo PCdoB. “Somos partidos diferentes e as candidaturas desses partidos são legítimas, mas temos muito em comum e construímos um passado comum de um Brasil mais desenvolvido do que o que nós vivemos agora”, afirmou.

A presidente do PT e senadora Gleisi Hoffmann, que também compareceu ao ato, disse que o clima é de “resistência e de luta”.

“O PCdoB tem clareza do papel que representa nesse contexto da luta democrática. O que a gente sente é que a militância está muito aguerrida, com muita vontade de fazer o enfrentamento e isso é muito bom. E o lançamento da candidatura da Manuela também contribui para que a gente aprofunde o debate no nosso campo de esquerda. Tenho certeza que caminharemos juntos, independentemente das candidaturas, num projeto de defesa do nosso país e da nossa soberania. Literalmente juntos”, frisou.

Ao iniciar o seu discurso, Lula fez questão de manifestar a gratidão pelo partido. “Desde a primeira campanha, em 89, a aliança que nós montamos com o PCdoB a partir da representatividade do companheiro João Amazonas, sempre nos honrou. Tanto honrou que a nossa aliança perdura há 30 anos”, disse.

Para Lula, o governo Temer promove o desmonte do estado e classificando como “usurpadores”. “Não tem compromisso com o povo. O compromisso deles é com o mercado”, salientou.

“Cheguei a sonhar que o Brasil hoje seria a 5ª maior economia do mundo. Estava tudo preparado. O Brasil era protagonista internacional. Era respeitado pelos EUA, pela Europa. Era querido pela África e América Latina e respeitado pela Rússia e pela China”, lembrou Lula.

Lula frisou que o governo do golpe é “fraco”. “A fraqueza dele faz com que se submeta aos interesses do mercado e atenda a tudo que eles pedem”. disse.

Lula denunciou que a reforma trabalhista e da tentativa de reforma da Previdência está acontecendo concomitantemente com o desmonte da Petrobras, que não é simplesmente uma indústria de petróleo, mas responsável pelo desenvolvimento do país.

Do Portal Vermelho

 

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Da agricultura familiar vem a base da alimentação nacional

José Wagner

No Maranhão, os focos são a produção de mel, enviado in natura para os estados vizinhos, como o Piauí, e recomprado industrializado, e de açaíNo Maranhão, os focos são a produção de mel, enviado in natura para os estados vizinhos, como o Piauí, e recomprado industrializado, e de açaí

A estiagem traz prejuízos incalculáveis aos agricultores familiares. “A seca afeta principalmente a pequena pecuária e a agricultura, pois os grandes produtores têm mais recursos para combatê-la, pois sempre ocuparam as terras perto de rios e contam com abastecimento de água mais farto. Os programas sociais nesse campo têm um papel importante para diminuir os efeitos da seca”, afirma a economista Tania Bacelar, sócia da consultoria Ceplan.

A importância da agricultura familiar e os efeitos da seca sobre o segmento estimulam a discussão sobre o tamanho do Brasil rural. Para o secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará, Dedé Teixeira, estudos recentes apontam um fenômeno recente, uma nova ruralidade, que engloba dois tipos de produtores: famílias que habitam zonas periféricas das grandes cidades e plantam para subsistência ou para vender a vizinhos e agricultores de pequenas cidades que empurram a economia local.

Sete anos atrás, 70% dos municípios tinham menos de 20 mil habitantes e quase 90% tinham menos de 50 mil habitantes. Os indicadores de que 16% da população vive no meio rural, sugere esta análise, estariam defasados e contrastam com a realidade.

“Esse direcionamento aponta que quase 40% da população no Brasil está ligada a essa nova realidade. Isso cria a percepção de que a União, os estados e os municípios precisam ter uma visão diferente sobre o tema e os orçamentos públicos precisam contemplar essa discussão, que precisa ganhar espaço na sociedade”, destaca.

“O que faz a gente desconfiar do total de 16% que vive no meio rural, apresentado pelos indicadores, é a quantidade de municípios com menos de 20 mil habitantes no País, que são 70%. Um habitante do perímetro urbano de um município de 5 mil habitantes é tido como urbano. É comparado com o morador de São Paulo. O Brasil rural é muito maior do que a sociedade pensa”, acrescenta Tania Bacelar, uma das pesquisadoras que estimam o Brasil rural em 40%.

Os governos estaduais apostam em diversas estratégias para fomentar o segmento. Estado com maior número de agricultores familiares, a Bahia investe 260 milhões de dólares desde 2015 em um programa chamado Bahia Produtiva, para adensar cadeias produtivas de agricultores familiares, que conta com recursos do Banco Mundial.

O estado ainda prepara duas novas chamadas públicas, uma direcionada ao açaí e outra ao babaçu. “Queremos exportar o óleo de babaçu, já que exportamos apenas o coco”, afirma o secretário. Para o açaí, preveem-se investimentos de 540 mil reais, que beneficiariam até 70 produtores dos municípios de Amapá, Cândido Mendes, Godofredo Viana, Carutapera e Luís Domingues.

No Ceará, o governo assinou em agosto um decreto que cria a política de aquisição de alimentos da agricultura familiar, destinado a cinco modalidades: compra com doação simultânea, compra direta, incentivo à produção e ao consumo de leite, apoio à formação de estoques e compra institucional.

De janeiro de 2016 até junho de 2017, o estado comprou perto de 150 milhões de reais em alimentos. “Com esse decreto, pelo menos 30% serão da agricultura familiar, são cerca de 2,5 milhões de reais por mês. Isso também vai garantir aos produtores condições mais saudáveis nessa cadeia alimentar e, o mais importante, será um complemento ao trabalho dos nossos agricultores”, destaca Teixeira.

O Ceará investe ainda na distribuição de mudas de cajueiros-anões, variedade que antecipa em dois meses e prorroga por mais dois meses a produção. Um cajueiro comum produz 280 quilos por hectare em um ano. A espécie anã produz até mil quilos por hectare no mesmo período. Normalmente, a safra inicia-se em setembro de um ano e segue até janeiro do seguinte. “Temos 10% dos hectares plantados de caju do estado com essa variedade”, aponta Teixeira. O Ceará é o maior produtor da fruta no Brasil.

Incorporar novas tecnologias para assegurar produtos com alta segurança alimentar tem sido o objetivo do governo da Paraíba, que tem promovido uma série de cursos sobre boas práticas de fabricação de alimentos para agricultores de polpa de frutas e derivados do leite. Outra iniciativa é o fomento de feiras locais. Em julho, foi a vez do município de Bonito de Santa Fé, no sertão da Paraíba. A feira, que funciona às sextas-feiras, reúne cerca de 20 produtores que se dividem em dez barracas com produtos agrícolas e animais.

O principal financiador da cadeia é o Banco do Nordeste, que investirá 2,5 bilhões de reais na safra iniciada em julho deste ano. O valor equivale a um acréscimo de 8% em comparação à safra anterior. Os juros variam de 0,5%, 2,5% e 5,5% ao ano, a depender da destinação do crédito. As taxas mais reduzidas favorecem a produção de alimentos em sistemas de base agroecológica e orgânica, assim como os investimentos em energia renovável, irrigação e práticas sustentáveis de manejo do solo e da água.

Para este ano, a novidade é uma nova linha com foco em investimentos em energia solar.“Ela vai aumentar a competitividade de atividades no meio rural e contribuir para a utilização de energia renovável e limpa no meio rural”, afirma Alex Araújo, superintendente de Microfinança e Agricultura Familiar.

Os governos estaduais têm buscado reduzir o impacto da seca no interior, com a instalação de cisternas. No Ceará, desde 2015 foram instaladas cerca de 40 mil cisternas, além de a administração ter ampliado o programa de reúso de água em comunidades do interior. No Maranhão, o governo estruturou um programa para a distribuição de cisternas a escolas rurais e a agricultores familiares. Outro programa fortalecido foi o Mais Feira, que distribui um kit composto de barracas, balanças, jalecos, caixa de isopor, gaiola plástica para aves e treinamento de comercialização e higiene.

Foram executados até o momento pouco mais de 170 milhões de reais. Até 2020, mais de 500 milhões de reais serão investidos. Recentemente, foi aberto um edital para a cadeia do cacau, por meio do qual foram selecionados 32 projetos que receberão 10 milhões de reais. “Queremos explorar o máximo essa cadeia, 90% do cacau produzido na Bahia vem de agricultura familiar. Queremos adensar com outros produtos, como manteiga de cacau, chocolate com mais teor de cacau”, afirma Jerônimo Rodrigues, secretário de Desenvolvimento Agrário.

No Maranhão, os focos são a produção de mel, enviado in natura para os estados vizinhos, como o Piauí, e recomprado industrializado, e de açaí, cuja fruta é em grande parte processada no Pará. “Queremos mudar essa realidade e adensar essas cadeias e produzir riqueza aqui”, afirma Adelmo Soares, secretário de Agricultura Familiar. Em agosto, a Associação dos Apicultores de Junco do Maranhão foi contemplada por uma chamada pública feita pelo governo para selecionar projetos de revitalização de agroindústrias familiares da cadeia produtiva do mel.

A associação receberá 100 mil reais que serão usados para reformar as unidades de produção e melhorar o processo de obtenção de licenças ambientais e registros sanitários, para garantir a inocuidade e a qualidade do mel. Com cerca de 45 famílias associadas, a expectativa da coleta, que vai do período de julho a outubro, é produzir perto de 200 toneladas do produto para comercialização.

Fonte: Carta Capital

 

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Principais notícias do dia…

manchetes-dia

O Popular

Polícia prende mãe e padrasto por morte de criança de 2 anos.

Diário da Manhã

Câmara inicia semana com pauta trancada por 10 medidas provisórias.

Zero Hora

Governo Sartori deve atrasar 13º salário pelo terceiro ano consecutivo.

Estado de Minas

Bancada mineira tenta emplacar indicação a ministério.

O Estadão

Temer fortalece Maia em trocas no primeiro escalão do governo.

O Globo

Saúde do Rio corta 3,9 milhões de atendimento.

Folha de São Paulo

Para cortar gastos, governo federal quer rever a distribuição de remédio.

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Hoje na História…

hoje

1953
A Comissão de Energia Atômica dos EUA informa que partilham com o Reino Unido e o Canadá informações sobre os efeitos da radioatividade em seres humanos.
1959
ONU aprova a resolução proposta por países asiáticos e africanos pedindo à França que cancele um teste nuclear no Saara.
1964
O Concílio Ecumênico Vaticano II aprova uma declaração que nega especificamente toda culpa dos judeus no episódio do martírio de Cristo.
1965
O senador americano Robert Kennedy em São Paulo para uma viagem pelo Brasil.
1970
O presidente Médici assina decreto que estabelece uma nova divisão regional do Brasil para fins estatísticos.
1971
Desaba no Rio de Janeiro o elevado em construção na avenida Paulo de Frontin, matando dezenas de pessoas.
1983
Lilian Celiberti e Universindo Díaz, sequestrados no Rio Grande do Sul por militares uruguaios, são libertados depois de quatro anos nos cárceres do Uruguai.
1997
Bispos reunidos em Roma instam pela rejeição do projeto que obriga o sistema público de saúde a praticar aborto em vítimas de estupro e em casos de risco de vida para a gestante.
2000
O banco espanhol Santander compra o banco Banespa.
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