O Brasil está polarizado – e, mais uma vez, entre PT e PSDB. Nas últimas quatro eleições presidenciais, os dois partidos disputaram entre si o segundo turno, após duas vitórias na primeira volta conquistadas pelos tucanos, com Fernando Henrique. Desde então, os petistas venceram, o que não é garantia de vitória automática para a presidente Dilma Rousseff sobre o senador Aécio Neves agora. O quadro, ao contrário, nunca esteve tão aberto. A decisão está escondida, sem dúvida, nos detalhes.
Fechando o primeiro turno com pouco mais de 41% dos votos, Dilma superou Aécio em sete pontos percentuais. Porém, nenhuma pesquisa havia detectado para o senador mineiro os 34% de votos que ele terminou por conseguir. No máximo, os levantamentos de véspera indicavam 24% para ele. Acredita-se que, diante da forte perda de intenções para Marina Silva, do PSB, que terminou com 21%, Aécio tornou-se beneficiário direto de uma primeira onda de voto útil contra o PT. A presidente tinha, nos cenários das pesquisas de boca de urna, 44%, mas seu resultado final ficou aquém dessa marca.
Nos quatro Estados de maior eleitorado do País, Dilma perdeu para Aécio no maior, São Paulo, mas bateu o adversário na terra natal dele, Minas Gerais, e se saiu melhor que o adversário no Rio de Janeiro e na Bahia. Todo o Nordeste, à exceção de Pernambuco, colocou Dilma em primeiro lugar, mas a maioria do Sudeste e do Sul, à exceção do Rio Grande do Sul, deu a vitória a Aécio.
O jogo eleitoral saiu das urnas do domingo 5 mais embolado do que se mostrou no primeiro turno. Em seu primeiro pronunciamento, Marina deu a entender que poderá apoiar “o sentimento de mudança” registrado pelas urnas. Isso representaria a adesão dela à candidatura de Aécio. A tendência é a de que o tucano venha a ser o maior depositário dos votos dados a ela, mas Dilma também pode pescar nessas mesmas águas. Vale lembrar que a origem partidária de Marina é o PT.
Com necessidade de crescer em São Paulo, onde Aécio chegou a pouco mais de 45% dos votos, Dilma tem um grande trunfo em Minas. No segundo maior eleitorado, o ex-ministro Fernando Pimentel, eleito em primeiro turno, será um forte cabo eleitoral. Ele também deverá assumir uma posição estratégica no comando da campanha petista no segundo turno.
Até agora, a presidente vinha aparecendo em primeiro lugar em todas as pesquisas para o segundo turno, mas não se sabe como será a primeira projeção depois de contados os votos da primeira volta. Dilma ganhou aliados importantes em diferentes Estados, mas Aécio também encontra caminhos para ter palanques regionais fortes.
O senador mineiro bateu na tecla, em seu primeiro pronunciamento, feito em Belo Horizonte, de “devolver ao Brasil um governo decente e eficiente”. A presidente Dilma rebateu, falando pouco mais tarde, em Brasília, que “o povo brasileiro não vai aceitar voltar atrás”, referindo-se aos tempos do governo de FHC.
Nesta segunda-feira 6, Aécio já anunciou que estará em São Paulo para reunir-se com o comando de sua campanha para decidir seu roteiro de atuação nas três semanas em que o segundo turno vai se desenrolar. Para conquistar o Nordeste, já se fala em um ato tucano em Pernambuco, de homenagem a Eduardo Campos. Em seu primeiro pronunciamento, Dilma agradeceu a suas vitórias, agora, em Minas e no Rio Grande do Sul. Deixou, então, uma pista sobre por onde deverá começar sua nova jornada. Na tevê, ambos, agora, terão quinze minutos diários para convencerem o público. Aécio jamais teve algo próximo desse tempo. A eleição será mesmo decidida em detalhes.
Brasil 247
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