Temer destacou que as disputas políticas tendem a diminuir, principalmente com o Congresso Nacional no que se refere a pautas de interesse do governo. “A tendência natural é exatamente essa, estamos há três meses no governo, houve muitas conversações. O diálogo continua muito sólido, eu tenho enfatizado que o Executivo só pode governar se tiver o apoio do Congresso”, disse ele após reunião com líderes da base aliada.
Temer enfatizou que o “governo é uma unidade” e, portanto, a participação de outros ministros no processo de negociação, como Aloizio Mercadante (Casa Civil), não interferirá em “questões administrativas”. O vice-presidente assumiu a articulação política do governo n lugar de Pepe Vargas (PT), que agora assume a Secretaria de Direitos Humanos.
O anuncio de Temer na articulação política do governo provocou efeitos distintos dentro do PMDB. Mais pragmático, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, afirmou que Temer é a “melhor pessoa” para resgatar a coalizão de partidos que apoiam a presidente Dilma.
Disse ainda que a escolha da presidenta Dilma foi “ousada e competente” e que cria um ambiente para que se faça uma “revisão geral” da forma de atuação política do governo. Não poupou elogios ao afirmar que Temer pode muito melhorar a qualidade da coalizão. “Um dos grandes problemas do Brasil é que a coalizão não tem fundamento programático. É fundamental que ela tenha um fundamento. A coalizão é em torno de quê? O Michel é a melhor pessoa para estabelecer isso”, afirmou Renan.
Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, demonstrou certo desagrado. Durante a sessão desta terça (7), antes do anúncio oficial de Temer na articulação, enquanto oradores saudavam a escolha da presidenta Dilma na tribuna, a fisionomia de Cunha ia revelando o seu desconforto. Ele chegou a repreender o deputado Silvio Costa (PSC-PE) que classificou com um grande acerto político a decisão da presidenta em escolher Temer e ele aceitar. “Vossa excelência não tem o direito nem a autoridade de falar pelo PMDB, por essa presidência e tão pouco pelo vice-presidente da República Michel Temer”, disse Cunha.
Passada a raiva e confirmado os fatos, nesta quarta (8), em entrevista aos jornalistas, Cunha disse que a escolha de Dilma vai melhorar o nível da articulação, porque Temer “tem muito mais capacidade e poder para isso”, mas afirmou que a atuação do vice-presidente não muda o procedimento adotado por ele à frente da Câmara. “Cabe ao governo construir sua maioria para votar as matérias, e a nós cabe colocar as matérias em votação”, declarou.
Portal Vermelho
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