OS nas escolas é privatização e privatização leva à precarização do ensino, da carreira e dos salários dos profissionais em Educação. Estas foram as conclusões da Audiência Pública “As OSs em Debate”, promovida nesta terça-feira, pelo Fórum Estadual de Educação (FEE), com apoio do Sintego. O evento lotou o auditório Costa Lima da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás. Professores, administrativos, estudantes, sindicalistas e profissionais de outras categorias acompanharam com atenção as palestras proferidas pelos professores Dr. Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, e o Dr. Wanderson Ferreira Alves, da UFG.
A secretária de Educação, Raquel Teixeira, foi convidada, mas não compareceu. A deputada estadual Adriana Accorsi (PT) e o deputado estadual José Nelto (PMDB) abriram os trabalhos, em nome do Legislativo, e passaram a direção da mesa para a professora Virginia Maria Pereira de Melo, coordenadora do FEE.
Pesquisador e autor de livros sobre Educação, o professor Luiz Carlos de Freitas fez uma exposição objetiva sobre os danos da privatização do ensino. Em primeiro lugar, desmistificou a falácia de que Organizações Sociais (OSs) não representam perigo de privatização. “OSs é privatizar o ensino sim. Em outros países, onde esta experiência foi implantada, a privatização da Educação foi feita por parte, primeiro com OSs depois com empresas”, esclarece.
Luiz Carlos de Freitas diz que à luz do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), não há razões para o Estado de Goiás privatizar o ensino, uma vez que registra o primeiro lugar no ranking nacional. “Ocorre que a privatização do ensino não se dá por razões educacionais, mas por razões fiscais: as OSs não ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os governos neoliberais querem as OSs para cortar gastos com salários dos professores. As OSs, em todo o mundo, pagam a metade dos salários para os professores privatizados em relação àqueles que estão na escola pública. Logo, a privatização precariza o trabalho, acaba com a carreira e dá lucro para as empresas”, denuncia.
Diretor da Unicamp, o professor Luiz Carlos trouxe dados sobre experiências de privatização do ensino na Austrália, Suécia e Estados Unidos. Em todos estes países constatou-se o mesmo: queda no aprendizado em matemática e na língua materna. Mais: aumento da segregação racial (negros e mestiços são rejeitados nestas escolas), apartheid social (alunos de famílias mais pobres e com necessidades especiais não são aceitos), redução do currículo escolar e uma política educacional voltada para “treinar” os alunos para testes, como Ideb, Enem, vestibulares, relegando a formal humana integral.
Publicado originalmente no site do SINTEGO
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