Após muita especulação e ansiedade, o ex-presidente acertou com a presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira 16 sua ida para a Casa Civil. Ele substituirá o ministro Jaques Wagner, que passa a ser chefe de gabinete da presidente.
O anúncio foi formalizado em coletiva de imprensa pelo líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (PT-BA), que negou que a ida de Lula para o governo tenha relação com o foro privilegiado. Lula “aceitou o convite única e exclusivamente com a intenção de ajudar o País a sair da crise”, disse (leia mais). Pelo Twitter, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou: “Ministro Wagner no dia de seu aniversário mostra grandeza e desprendimento ao deixar a Casa Civil! Lula nova Ministro da pasta!”.
A ideia é que Lula fique responsável também pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Antes da decisão, Lula se reuniu na noite desta terça-feira 15 com Dilma por mais de quatro horas no Palácio do Planalto, em Brasília. Nesta manhã, os dois voltaram a conversar em café da manhã no Palácio da Alvorada, com a presença dos ministros Jaques Wagner e Nelson Barbosa, da Fazenda.
Lula define com Dilma uma reforma do primeiro escalão do governo. Há pressão, por exemplo, para a saída do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que foi citado ontem em delação premiada do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS). Outro ministro que pode deixar o cargo é Edinho Silva, da Comunicação Social.
Entre os nomes que Lula gostaria de levar para o governo está o de Celso Amorim para Relações Exteriores. Ciro Gomes também é considerado. Outras mudanças estão na política econômica, para onde Lula gostaria de levar Henrique Meirelles, que assumiria a presidência do Banco Central, no lugar de Alexandre Tombini.
Havia uma grande pressão dentro do PT e em parcelas do governo para que Lula assumisse um ministério. Isto ganhou mais força após a etapa da operação Lava Jato que realizou uma condução coercitiva do ex-presidente no início deste mês. O pedido de prisão, por parte de três promotores do MP de São Paulo, e a decisão da Justiça de encaminhar o processo para o juiz Sérgio Moro também influenciaram a decisão.
Na reunião de ontem, Lula teria resistido a aceitar um ministério, dizendo a Dilma que não precisava de foro privilegiado – no comando de um ministério, Lula deixa de ser investigado por Moro e passa a ser alvo do STF. A oposição anunciou que se Lula aceitasse o ministério, apresentaria ação na Procuradoria Geral da República contra a nomeação, com base na interpretação de que Lula estaria fugindo da Justiça.
No governo, Lula terá a missão de reaglutinar os aliados do governo, sobretudo o PMDB, que, no último final de semana, aprovou uma resolução que estabeleceu prazo de 30 dias para que a sigla decida se continuará ou não na base governista. Atualmente, o PMDB tem sete ministérios na administração federal.
Brasil 247
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