Na verdade, o impeachment proposto ficou cada vez mais difícil de passar na Câmara, com o movimento popular ganhando as ruas em levas crescentes, com a atitude militante de juristas, artistas, cientistas, centrais sindicais, professores, estudantes e religiosos, todos protestando contra o golpe.
Mas o impeachment ainda não está derrotado. A movimentação em defesa da democracia não deve arrefecer, mas, ao contrário, precisa crescer.
Como foi apresentado, o impeachment tinha um defeito originário e incorrigível, o de basear-se no suposto de que a presidenta Dilma praticara pedaladas fiscais. As pedaladas ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal e não a Lei Orçamentária. A Lei Orçamentária decorre de mandato Constitucional. Feri-la, pode ensejar crime de responsabilidade e impeachment. Já a LRF é diferente. Foi votada na época de FHC, por imposição do FMI e contra o voto da esquerda, que impetrou recurso contra a mesma, até hoje não julgado. Disciplina gastos públicos, o que tem suas vantagens, mas seu objetivo é garantir juros para os bancos. Ferir a LRF é transgressão, mas não crime de responsabilidade. Pode levar a algum tipo de punição,mas não a impeachment. É por isso que este impeachment é golpe.
Provavelmente antevendo a derrota, o Procurador Geral Rodrigo Janot, que açodadamente abraçou a tese do impeachment da Dilma, tomou a iniciativa de sustar a nomeação de Lula para a Casa Civil, argüindo que o ato de sua nomeação, feito pela presidenta, teve a “intenção de afetar a competência do juízo de primeiro grau e tumultuar as investigações da Lava Jato”. Ou seja, o Janot acha ter havido obstrução da justiça no ato da Dilma e, esta sim, pela Constituição, se comprovada, é crime de responsabilidade. Como o processo em apreciação na Câmara não trata dessa questão, a opinião do Janot não está em apreciação. Mas, dá base para eventual processo futuro.
A partir daí, a Folha de São Paulo, no dia 9 de abril, apresenta o longo artigo “Caminho aberto para investigar obstrução”, onde diz: “Abre-se o caminho para investigar criminalmente a atual presidente da República por crime de responsabilidade”.
Então, as coisas estão assim: ante a hipótese do impeachment ser derrotado no plenário da Câmara, os golpistas, dirigidos pelo presidente-réu Eduardo Cunha, já se preparam para abrir novo processo contra a presidenta Dilma, desta vez, não por causa de pedalada alguma, mas por causa de suposta obstrução de justiça, como já afirmou Janot, o que, se provado, seria crime de responsabilidade. Os eventuais derrotados já podem estar articulando o próximo bote. E aí é que entram as necessárias medidas acautelatórias das forças legalistas e governistas.
Se derrotado for o impeachment na Câmara, imediatamente uma situação nova e positiva surgirá no cenário político, com a reafirmação da normalidade democrática. Mas, se a situação econômica continuar no quadro caótico em que se encontra, essa trégua não se sustentará por muito tempo. Caberia então, às forças do Governo, tomar, imediatamente, medidas para que a economia em recessão possa reanimar-se a prazo curto e levar o país à retomada do desenvolvimento.
Encaminhamentos precisos devem ser feitos de pronto, indicando mudança efetiva de política econômica. Os juros devem ser conduzidos a uma trajetória de queda irrefreável. O câmbio deverá buscar um nível que favoreça a competitividade do produto brasileiro. Acordos de leniência devem salvar as empresas brasileiras dos corruptos e dos que querem combatê-los acabando com as empresas e paralisando o país. Mas, essas e outras medidas necessárias, urgentes e inadiáveis são, entretanto, insuficientes.
O quadro recessivo está a exigir plano emergencial, a ser elaborado sob coordenação central, em íntima ligação com os setores envolvidos e executados a partir de uma supervisão firme, hábil e prestigiada. É aí que entra o papel de Lula na Casa Civil ou outro ministério.
O governo deveria entregar a Lula a coordenação da elaboração e execução de um plano de emergência para a retomada do desenvolvimento brasileiro. Este plano não se restringiria a tomar medidas imprescindíveis e de alcance geral, como as já citadas e outras. (redução de juros etc.). Seria bem mais que isto.
De imediato, a Casa Civil, ou o ministério onde Lula estivesse, receberia a incumbência de selecionar, por exemplo, cinco ou seis setores chaves da economia, e, através de eficientes interlocuções com os mesmos, programar e executar as medidas para fazê-los voltar a crescer. Teriam que ser setores dinâmicos da economia, com potencial de influenciá-la como conjunto. A título de exemplo estariam aí: o setor de bens de capital, o de petróleo, gás, biocombustíveis e petroquímica, o de construção civil, o de agro-negócio e agricultura familiar, o elétrico e o químico.
Na medida em que começasse a funcionar um plano emergencial desse tipo, a confiança voltaria ao mundo empresarial, que poderia ser contagiado por essa convocação desenvolvimentista. Empregos, salários e direitos animariam a população.
A marcha batida desse caminho inibiria a retomada de iniciativas golpistas, e poderia reorganizar a gestão governamental. A atividade econômica voltando a despertar expectativas de progresso, traria dias melhores para toda a Nação e nosso país poderia buscar o tempo perdido.
*Haroldo Lima é engenheiro, foi deputado federal, presidente da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e é membro do Comitê Central do PartidoComunista do Brasil.
Portal Vermelho
Governo anuncia novas medidas para coibir preços abusivos dos combustíveis Distribuidoras deverão informar semanalmente…
COMUNICADO ÀS EMPRESAS Alteração na Presidência do Sindicato Metabase O Sindicato Metabase de Catalão e…
https://www.youtube.com/watch?v=JPIl8suQpe8&list=PLU7EHq4fmk62WyLxYihJgBKgJP0nCbK8p&index=12
Vitória do Irã sobre a guerra neocolonialista de Trump tem alcance mundial Guerra neocolonial e…
https://www.youtube.com/watch?v=awCEN1cUkWY&list=PLU7EHq4fmk62WyLxYihJgBKgJP0nCbK8p&index=11