A cassação, ocorrida na segunda-feira (12), do deputado Eduardo Cunha foi consequência positiva da forte pressão popular que ocupa as ruas desde o afastamento da presidenta Dilma Rousseff pelo fraudulento processo de impeachment, do qual o então presidente da Câmara dos Deputados foi um dos comandantes. E também articulador, no parlamento, do regressismo reacionário e fundamentalista que assomou à Presidência da República na figura ilegítima de Michel Temer, parceiro íntimo de Eduardo Cunha na conspiração golpista.
A cassação de Eduardo Cunha só teve uma surpresa, o placar: 450 votos contra ele (quase 90% dos deputados), apenas 10 a favor e nove abstenções, sem contar os deputados que preferiram não comparecer à sessão de ontem, dentre estes o líder do governo, André Moura (PSC-SE).
São muitas as tentativas de explicar aquele placar. Não é possível pensar que a quase totalidade dos que aprovaram o impeachment, na ignominiosa sessão de 17 de abril, tenham mudado de opinião! Não mudaram. O mesmo ódio político contra a esquerda e o PT, manifestado por Cunha em sua tentativa de defesa, move a maioria conservadora daqueles parlamentares.
Os deputados progressistas, democratas e nacionalistas votaram pela cassação de Cunha, junto com muitos outros, conservadores e da direita. O que levou estes a mudarem o voto – o mesmo voto que, há cinco meses, condenou Dilma numa sessão deplorável – foi seu arraigado sentido de sobrevivência política. O temor de enfrentar eleições (como esta, de 2016) carregando nas costas a responsabilidade por ataques contra direitos duramente conquistados pelo povo e pelos trabalhadores. E que os faz fugir da pecha pública de aliados da corrupção e de corruptos. Cunha, o insuflador do impeachment de Dilma Rousseff, tornou-se sinônimo do que há de mais condenável na política, aqueles que usam mandatos eletivos e cargos públicos apenas em benefício pessoal e de grupos privilegiados.
A derrota do programa neoliberal de Temer e sua turma, exigida pelo povo nas ruas, não termina com a cassação de Cunha. O alvo da luta democrática agora é o presidente ilegítimo. Ele e Cunha encarnam o mesmo projeto, o mesmo golpismo, a mesma traição.
O dínamo popular, que ocupa diariamente as ruas do Brasil exigindo Fora Temer e Diretas Já, ajuda a entender aquele “450 a 10” que escorraçou Eduardo Cunha do cenário político. E, que virada esta página, volta-se fortalecido contra o conluio de corruptos, antidemocratas, antipopulares e antinacionais que se instalou na Presidência da República. Dínamo que continua nas ruas e aumenta a força da exigência: Diretas Já.
Publicado originalmente no Portal Vermelho como Editorial.
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