O regime estadunidense procura convencer a opinião pública nacional e internacional de que o governo de Bashar al-Assad teria utilizado armas químicas contra sua própria população, o que se traduziria em um sinal verde para o ataque americano contra o país.
Repetindo uma mentira
Segundo a imprensa internacional, o chefe da Casa Branca fez uma ressalva de que a operação na Síria não será igual à realizada contra o Iraque, quando argumentos falsos foram usados para convencer povo e autoridades do país a entrar em guerra contra a nação árabe. O argumento, agora, é o uso de armas químicas. O problema é que Obama atropela as Nações Unidas, que enviaram uma missão a Damasco para analisar os fatos no campo e que ainda não chegou a finalizar o trabalho de investigação.
“Não estou interessado em repetir os erros de basearmos decisões em informações imprecisas”, disse o presidente norte-americano, em entrevista ao lado do primeiro-ministro sueco. “A memória do Iraque e das acusações sobre a existência de armas de destruição em massa persiste, e as pessoas estão preocupadas sobre a exatidão dessas informações [o uso das armas químicas]”, acrescentou, fugindo do questionamento que se faz atualmente sobre quem teria lançado mão de tal equipamento bélico, se os mercenários que lutam contra a Síria ou se o Exército Árabe Sírio.
A previsão é que no próximo dia 9 o Senado vote a resolução, determinando prazo até 90 dias para a ação militar nos Estados Unidos. “Penso que o Congresso irá aprovar porque se a comunidade internacional não conseguir respeitar certas regras, passado algum tempo o mundo irá se transformar em um lugar menos seguro”, insistiu, demonstrando o pensamento unilateral do regime americano, que se intitula “polícia dos povos”.
Reinfeldt disse que a Suécia condena “nos termos mais fortes” o uso de armas químicas na Síria. “É uma clara violação da lei internacional. Os autores [dos ataques com armas químicas] devem ser responsabilizados”, disse. No entanto, o funcionário sueco não corrobora a opinião do seu colega americano, de que teria sido o exército quem utilizara armas químicas.
Comissão aprova
A Comissão de Relações Exteriores do Senado estadunidense aprovou projeto de resolução que autoriza Obama, a usar a força militar na Síria. No texto, o prazo para a intervenção na Síria deve ser de 60 dias, com possibilidade de prorrogação por mais um mês. Esse texto vai a votação no plenário do Senado no próximo dia 9 de setembro (segunda-feira).
A comissão ouve nesta quarta, a portas fechadas, o diretor de Inteligência Nacional, James Clapper. na terça (3), a Comissão de Relações Exteriores do Senado ouviu o secretário de Estado (equivalente a ministro das Relações Exteriores), John Kerry, e o secretário de Defesa, Chuck Hagel. A audiência com as autoridades também foi fechada.
Parlamento francês
O Parlamento da França debate nesta quarta a participação do país na provável agressão militar. Porém, o presidente francês, François Hollande, pode decidir, sem submeter aos parlamentares, apoiar a ação militar. Hollande já se manifestou favorável à intervenção, sem escutar a opinião pública francesa.
Neste sentido, a oposição pressiona Hollande a submeter a decisão aos parlamentares. “Haverá um debate, sem votação, porque qualquer que seja a hipótese, a decisão final será tomada pelo presidente da República”, disse o primeiro-ministro.
Deputados e senadores, da base aliada e da oposição, condenaram a decisão de Hollande.
Rússia envia barcos
O governo da Rússia enviará a partir de quinta (5) três navios ao Mar Mediterrâneo. A decisão ocorre no dia seguinte de Israel e Estados Unidos fazerem exercícios militares na região com testes de mísseis.
A iniciativa, segundo autoridades russas, de manter embarcações em alto-mar é para monitorar mais de perto a situação na Síria.
Na segunda-feira (2), autoridades russas informaram que havia necessidade de reforçar o esquema de segurança na área, em meio à ameaça de agressão militar estadunidense à Síria.
ONU discute agressão
No comando mensal do Conselho de Segurança da ONU, o representante da Austrália, Gary Quinlan, disse que o agravamento da crise na Síria e a ameaça estadunidense de agressão no país estarão em discussão no órgão.
A data da reunião que debaterá o assunto será anunciada nesta quarta. Para o Brasil, qualquer ação militar deve ser a última opção em caso de conflitos e adotada apenas com autorização do conselho.
A questão sobre a Síria já foi discutida em ocasiões anteriores, sem consenso entre os integrantes do conselho. Dos 15 países que fazem parte do órgão, cinco são membros permanentes – os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, Rússia e China – e dez são membros rotativos, cujo tempo de duração é dois anos e depois são substituídos.
São membros temporários atualmente a Argentina, Austrália, o Azerbaidjão, a Guatemala, Luxemburgo, Marrocos, Paquistão, a Coreia do Sul, Ruanda e o Togo.
A Austrália está na presidência do órgão até o fim do mês, sucedendo a Argentina. Porém, apenas um voto negativo de um membro permanente configura veto a uma eventual resolução do conselho. A abstenção de um membro permanente não configura veto.
Portal Vermelho
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