A afirmação de Jucá, braço direito de Temer no Congresso, aumentou o desgaste e evidenciou a fraqueza do governo em aprovar a pauta. O Planalto tentou apagar o incêndio com uma nota afirmando que Temer ainda não definiu a data de votação e só o fará após conversar com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).
Nos bastidores, o governo já dava como certa a impossibilidade de votar na próxima semana a reforma, mas queria segurar o anúncio oficial para evitar o esvaziamento do debate sobre o relatório e não dar margem para os indecisos saírem da negociação.
O governo esperava angariar os votos necessários para pautar a matéria ainda na próxima semana. No entanto, com a ausência de votos, o líder do governo recuou, indicando um enfraquecimento do seu poder de barganha.
Para o líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE), o anúncio foi uma derrota importante do governo. “Nós sempre falamos que eles não tinham os votos. O governo deveria ter humildade e admitir isso. Mas quem ganha é o Brasil, pois nós estamos às vésperas de um ano eleitoral e quem tem que reformar o país é um novo presidente, eleito pelo povo”, disse.
Segundo o senador, a decisão foi tomada após acordo entre os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governo federal. Na terça-feira (12), Michel Temer também já havia admitido a votação em 2018, apesar de querer “resolver isso logo”.
Apesar disso, após o anúncio do líder do governo no Senado, Maia declarou nada saber sobre o tal acordo. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também declarou a jornalistas que o governo ainda pretende votar na próxima semana que Jucá estaria apenas “expressando sua opinião”. O que vai ficando claro é que há uma confusão instalada no ninho governista, o que pode contribuir para o enterro definitivo da proposta.
Para o líder do PSol na Câmara, Glauber Braga (RJ), Maia deveria dar uma definição sobre o tema, uma vez que a Casa tem agricultores em greve de fome há quase nove dias. “Se existe esta definição é uma irresponsabilidade não declarar a não votação da reforma da Previdência. Estamos todos aguardando essa definição. Tem pessoas passando fome, botando sua vida em risco por conta dessa proposta. Repito, é uma irresponsabilidade não falar nada”, cobrou Glauber Braga.
Busca de apoio caiu por terra
Nas últimas semanas, o governo vinha intensificando suas estratégias para virar votos. Jantares com parlamentares, liberação de verba, negociação de cargos e conversas com o empresariado fizeram parte do jogo de Temer, mas não surtiu efeito. Com uma base desgastada depois de livrar o peemedebista de duas denúncias, Temer deve continuar enfrentando dificuldades para enfrentar a matéria no próximo ano.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o texto precisa do apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação. Depois, segue para a análise do Senado, também em dois turnos.
Do Portal Vermelho
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