Na opinião de Celso Amorim, diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa nos governos Lula e Dilma, a venda da Embraer representaria um ‘desastre absoluto’, do ponto de vista da política externa e da defesa nacional.
“A Embraer é estratégica por várias razões. Primeiro porque ela participa e deveria continuar participando dos nossos aviões militares. Sejam os caças que vamos adquirir, mas também fazer com a Suécia, os Gripen; sejam outros aviões, como o cargueiro, o KC-390, de grande inovação, feito com financiamento do BNDES”, ressalta.
Em sua opinião, trata-se de tema primordial “seja do ponto de vista tecnológico, seja do ponto de vista da defesa, afinal serão produzidas aeronaves que são essenciais para a proteção do nosso espaço aéreo”. Por esse motivo, Amorim acredita na oposição do setor militar ao interesse do atual governo em vender a Embraer. “Eu acho que eles devam estar muito preocupados. Pelo menos os verdadeiros patriotas, que são obviamente a maioria, e aqueles que estiveram envolvidos no desenvolvimento tecnológico [da empresa]”.
O ex-ministro relembra o acordo firmado com a empresa sueca Saab para a compra e transferência de tecnologia dos caças Gripen, realizado em 2013 pela ex-presidenta Dilma. Na ocasião, houve comemoração dentro das Forças Armadas por conta do acesso ao chamado código-fonte do sistema de armamento sueco, uma vantagem que, segundo Amorim, não ocorreria caso se tratasse de uma empresa privada. “A Saab vai transferir suas tecnologias para o Brasil, vai abrir o código-fonte do sistema de armas, vai fazer isso se a Embraer estiver associada a uma empresa norte-americana ou de qualquer outro país? Não, não vai fazer”, alerta.
Para Amorim, a proposta de venda da empresa brasileira caminha no mesmo sentido de outros projetos levados adiante pelo atual governo, sem levar em conta a soberania do país. “O Brasil está sendo tocado como se fosse uma empresa. Soberania não está no radar das pessoas que estão dirigindo o país de maneira prioritária”, critica o ex-ministro.
Clóvis Nascimento, engenheiro civil e presidente da Federação de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), acredita que a medida teria impacto negativo sobre a vida dos trabalhadores da empresa aeronáutica. “Na hora em que se entregar a Embraer a uma empresa estrangeira, abrindo mão da possibilidade do governo participar disso, é claro que isso terá um desdobramento para os trabalhadores, pois a área de pesquisa e inteligência da Embraer ficará toda prejudicada, caudatária da Boeing”, alerta Nascimento.
Entidades de classe ouvidas pela reportagem prometem realizar mobilizações para impedir a desnacionalização da Embraer e denunciar o que consideram mais um exemplo da política entreguista do governo federal.
Fonte: Brasil de Fato
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