Por Altamiro Borges*
O líder da Abcam até tenta acalmar os ânimos, mas teme pela radicalidade da greve. “Pedimos que todos os caminhoneiros deste país façam a paralisação em suas casas, ou em postos de abastecimento, sempre de forma pacífica e sem prejudicar o direito de ir e vir de outros condutores. Não apoiamos atos de violência, agressões, barricadas nas rodovias ou a depredação do patrimônio público”, apelou em nota oficial. Mas o clima é tenso. Segundo o jornal Gazeta do Povo, “a Justiça Federal no Paraná concedeu, no sábado (19), uma liminar que proíbe bloqueios em rodovias no estado, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de interdição. A decisão é uma resposta a uma ação de interdito proibitório movida pela Advocacia Geral da União (AGU)”.
Já o portal Terra informa que o “ministro” das Minas e Energia, o “gato angorá” Moreira Franco, está preocupado com os efeitos da paralisação. “Questionado nesta sexta-feira, ele disse que o governo está sensibilizado com a alta dos preços [do óleo diesel) e que está discutindo formas para uma redução de impostos. Numa tentativa de evitar protestos, as concessionárias de rodovias já estão tomando medidas. A CCR afirmou que conseguiu liminar contra manifestações na rodovia Presidente Dutra, que liga os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A decisão é válida para todos os 402 quilômetros de extensão da rodovia e determina que Polícia Rodoviária Federal e o Exército sejam informados de seu conteúdo.”
Desde outubro passado, as várias entidades representativas do setor tentam dialogar com o governo privatista. Elas apresentaram basicamente uma exigência: redução a zero dos impostos que incidem sobre o diesel, combustível responsável por cerca de 42% dos custos dos caminhoneiros autônomos. “Desde que a Petrobras implantou em julho passado um sistema de reajustes mais frequentes de preços dos combustíveis, para refletir cotações internacionais do petróleo e do câmbio, o diesel e a gasolina tiveram aumento de quase 50% nas refinarias”, relata o portal Terra, que acrescenta: “Além dos caminhoneiros, o protesto desta segunda-feira está recebendo apoio de outras categorias, como transportadores escolares e taxistas de São Paulo e Nordeste”.
A mídia chapa-branca, nutrida com milhões em publicidade do covil golpista, já iniciou sua operação contra a greve. Ela evita dar destaque às reivindicações da categoria e tenta criar o clima de pânico na sociedade. Bem diferente da postura adotada na última paralisação dos caminhoneiros, no início de 2015, quando ela estimulou os bloqueios de rodovias e outras ações mais violentas como forma de desgastar a presidenta Dilma Rousseff e de criar o clima favorável ao golpe dos corruptos que alçou a quadrilha de Michel Temer ao poder. Esta manipulação, porém, pode não ter os efeitos desejados. A conferir!
*Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé
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