Há meses, Papa falou sobre como “começam as ditaduras”, segundo ele, é a partir de notícias falsas. “As ditaduras, todas, começaram assim, adulterando a comunicação, para colocá-la nas mãos de uma pessoa sem escrúpulo, de um governo sem escrúpulo”, explicou.
No Brasil, a campanha de Bolsonaro é marcada pelo fenômeno das “fake news”, notícias falsas amplamente compartilhadas através de mensagens em grupos do Whatsapp e outros aplicativos de comunicação. Além disso, o candidato do PSL se recusa a participar dos debates na TV para apresentar seu projeto de governo.
É inevitável pensar que as mensagens do Papa servem como uma luva para o momento político brasileiro. O líder religioso critica a disseminação de notícias falsas, a falta de empatia, o porte de armas. Coincidência ou não, este é o tripé que sustenta a figura de Jair Bolsonaro, cuja campanha é ancorada nas fake news, discursos que fomentam a violência e incentivo ao uso de armas.
Em uma missa recente, o Papa alertou os fiéis sobre líderes que buscam “submeter os mais frágeis, usar a força em qualquer de suas formas, impor um modo de pensar, uma ideologia, um discurso dominante, usar a violência ou repressão para oprimir”.
Segundo o líder religioso, assim se sustentam os regimes totalitários e cabe a quem “tem discernimento detectar a tempo qualquer reaparecimento dessa atitude perniciosa, qualquer sopro daquilo que pode manchar os corações de gerações que não viveram aqueles tempos e podem ser enganados por cantos de sereia”.
O Brasil é uma das dez maiores economias do mundo, dono de reservas de petróleo e outras matérias primas essenciais; maior país em extensão territorial no continente e, portanto, tem grande poder de influência sobre os demais. Um líder destemperado e imprevisível como Bolsonaro no mais alto cargo da república pode resultar numa catástrofe social.
Bolsonaro contra a CNBB
A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) se manifestou na última semana em defesa da democracia. Bolsonaro, que nem tenta disfarçar sua veia antidemocrática já afirmou que a organização é “a parte podre” da Igreja porque atua em defesa dos indígenas.
Em resposta à ação desrespeitosa do presidenciável, o bispo emérito de Duque de Caxias e um dos idealizadores e percussores do programa Fome Zero, Dom Mauro Morelli, afirmou: “O candidato Bolsonaro agrediu gravemente e de forma gratuita a Igreja Católica, taxando a CNBB de parte podre da Igreja. De sua boca jorram asneiras e impropérios, revelando um homem desequilibrado e vulgar. Se eleito acabará defenestrado em pouco tempo”.
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