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Bela Gil: “Hoje sou totalmente ‘Lula livre’, de esquerda e feminista”

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Desde que despontou na televisão, a apresentadora e chef de cozinha especializada em culinária natural, Bela Gil, tem seu nome associado a alguma polêmica. Seja por servir melancia como “churrasco”, por escovar os dentes com cúrcurma em vez de pasta de dente, ou por declarar que comeu a placenta do filho mais novo após o parto.

Pouco a pouco, as polêmicas deixaram de envolver apenas seus hábitos de vida, considerados peculiares. A cada dia, Bela tem assumido um discurso mais politizado. Durante as eleições presidenciais de 2018, se posicionou de maneira explícita nas redes sociais – e não deixou de fazê-lo, após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL).

“As pessoas às vezes falam: ‘Adoro sua comida, mas fiquei muito triste em saber da sua posição política’. Ou, quando posto alguma coisa que tem a ver com a política, dizem: ‘Que decepção! Estou aqui para ler sobre alimentação e não sobre política’. Mas, no caso, uma coisa está totalmente relacionada à outra. Não é por uma questão pessoal com o Bolsonaro, é um fato. Eu tenho que falar, tenho que avisar a população que o governo dele aprovou o uso de mais de 80 agrotóxicos em duas semanas, por exemplo. É o meu papel”, afirma.

Bela recebeu a reportagem do Brasil de Fato na casa do pai, o cantor e compositor Gilberto Gil, no Rio de Janeiro (RJ), horas antes do lançamento de seu quinto livro. A publicação “Da raiz à flor” traz receitas com casca de melancia, com semente de mamão, com folhas de couve-flor e ramas da cenoura. A ideia, segundo a apresentadora, é ensinar as pessoas a utilizarem partes dos alimentos que são descartadas e, assim, debater o desperdício.

Por outro lado, ela reconhece que existe um problema sistêmico, relacionado ao acesso à terra e ao modo de produção dos alimentos: “Reforma agrária mais agroecologia é igual a alimentação democrática. Sem isso, fica muito difícil”.

Bela acredita que sua cozinha está cada vez mais política – segundo a apresentadora, é impossível separar os dois aspectos. “Ainda mais no momento extremo que estamos, de um governo fascista, com a democracia ameaçada, com o ódio pairando no ar. Apesar de eu não gostar de me rotular, atualmente eu acho necessário. Então, hoje eu sou totalmente ‘Lula livre’, sou totalmente de esquerda, sou feminista. Sou essa pessoa hoje, porque acho que é uma forma de a gente juntar forças e, de uma maneira ou de outra, tentar achar o caminho do meio”, explica.

Por Brasil de Fato

Blog do Mamede

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