(Autor: Ivan Corrêa)
Antigamente as coisas eram mais simples:
a gente conseguia apreciar o silêncio,
não tínhamos mil coisas imprescindíveis,
havia tempo de decorar um poema, se ouviam
canções; a gente apreciava o luar e as estrelas.
Nas noites ainda se andavam de mãos dadas nas calçadas…
Antigamente as coisas eram mais simples:
as pessoas de bem tinham uma paz única,
tinham roseiras na frente das casas, de manhã
achavam-se restos de orvalho nas pétalas; e o vento
trazia um perfume de dama da noite; ninguém tinha o
desejo de largar tudo e fugir para nunca mais voltar…
Antigamente as coisas eram mais simples:
o sossego não nos era tão caro e raro,
a tarde nascia predisposta a andorinhas;
e tudo corria calmo como um riacho manso,
o homem encostado no muro falava da sua vida,
muitos riam; outros se insinuavam para as moças…
Antigamente as coisas eram mais simples:
os amigos não eram amigos virtuais,
tinham rosto e sobrenome, eram reais;
tudo de bom se dava no largo da Matriz:
o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira
dor, a derradeira paz, a última e tão duradoura saudade!
Ivan Corrêa, Poeta por convicção.
Titular da cadeira 27 da Academia Catalana de Letras,
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