Em 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), a indústria nacional deve registrar um déficit comercial sem precedentes. De acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a diferença entre as importações e as exportações do setor produtivo pode chegar, neste ano, a US$ 125 bilhões – o equivalente a R$ 666 bilhões.
“No ano passado, a conta da balança comercial de manufaturados teve um déficit grande, de US$ 111 bilhões”, lembra José Augusto de Castro, presidente da AEB. Segundo ele, o número de 2022 “é o maior saldo negativo da história, disparado”.
É também uma evidência de como Bolsonaro acentuou o processo de desindustrialização da economia brasileira, cortando uma série de postos de trabalho. “Quando o país tem déficit desse tamanho na balança comercial da indústria, significa que estamos gerando emprego de qualidade e de melhor remuneração no exterior – e não internamente”, diz Castro ao Correio Braziliense.
De janeiro a outubro deste ano, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia, os valores das exportações nacionais cresceram 19,1%, enquanto o total de produtos exportados subiu somente apenas 4,4%. Com isso, os produtos manufaturados – que, em 2000, respondiam por 59% das exportações nacionais – agora representam apenas 28%.
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