O ministro foi convidado pelo deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) para falar sobre a formulação e execução da política externa brasileira.
De acordo com o deputado, é relevante para o colegiado conhecer a visão do Itamaraty sobre as ações necessárias à participação do Brasil em fóruns regionais como a Unasul e o Mercosul; as perspectivas para o Brasil no âmbito do Brics e com os grandes polos econômicos, como os Estados Unidos, China e União Europeia; além da ampliação e do estabelecimento de novas relações políticas e econômicas em todos os continentes.
Figueiredo Machado destacou também a defesa que o país vem fazendo da privacidade no mundo virtual. “Se uma prática é considerada crime no mundo real é claro que também deve ser crime no mundo virtual.” Para ele, por mais óbvia que a questão possa parecer, é importante que esses pontos fiquem claros. Por isso, Brasil e Alemanha apresentaram à Assembleia das Nações Unidas (ONU) proposta, aprovada por consenso, para estabelecer esse princípio.
O chanceler reafirmou também que um dos pontos mais importantes da política externa nacional está na defesa de paz, diálogo, moderação e não-intervenção. Ele citou como exemplo disso, a postura adotada pelo país em casos como o conflito interno hoje enfrentado pela Ucrânia.
Sobre o Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o embaixador lembrou que a sexta cúpula do bloco ocorrerá em breve, quando deverá ser discutida a criação de um banco de investimentos formado para promover o desenvolvimento dos países que compõem o grupo e de outros países de baixa e média renda.
Relação prioritária
O Ministro das Relações Exteriores também falou sobre a relação com os países vizinhos, definida como “prioridade para o Brasil”. Ele avalia que uma relação harmoniosa entre essas nações e também dentro delas é de grande importância para o país.
O chanceler citou como exemplo as ações realizadas em conjunto com outros países da União Sul-Americana de Nações (Unasul) que conseguiu estabelecer o diálogo entre governo e oposição na Venezuela, algo que parecia impossível de ocorrer. “Conseguimos estabelecer consequências dessa ação conjunta em várias frentes, inclusive estabelecendo condições para diminuir a violência nas cidades venezuelanas”, comemorou.
O ministro negou que a integração entre os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela) esteja mais atrasada que a dos países da recém-formada Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile). Para ele, a integração do Mercosul está mais adiantada.
O chanceler acrescentou que a relação entre Brasil e Chile chegou ao ponto de 98% das importações e exportações entre os dois países estarem liberadas, enquanto entre o Chile e os países que compõem a aliança esse percentual seria de 90%. “Temos hoje livre comércio com o Chile. Isso é impressionante.”
No caso do Mercosul, ele defendeu que o comércio no bloco continua crescendo. “O futuro da América do Sul será de uma maior aproximação entre todos. Queremos uma América do Sul forte”, disse.
Interesse da sociedade
Para o ministro, o interesse pela política externa tem sido crescente na sociedade brasileira, o que é um ótimo sinal. “A política externa que queremos ver implantada é uma atividade básica de desenvolvimento nacional”, disse.
Segundo Figueiredo, a população está cada vez mais esclarecida de que a participação do Brasil no cenário externo está diretamente ligada à diminuição das injustiças sociais internas e externas.
De acordo com o embaixador, a desatualização de órgãos internacionais, como o Conselho de Segurança das Nações Unidas, é ainda um grande obstáculo para que o país tenha sua importância reconhecida. “No ano que vem, o Conselho de Segurança completará 70 anos. Países importantíssimos, como a Índia, não estavam independentes politicamente há 70 anos”, citou.
Portal Vermelho
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