Armado com a agenda da classe trabalhadora, aprovada na Conclat 2022, o sindicalismo pode ser base importante para impulsionar o governo
Publicado pelo Portal Vermelho
A resolução política produzida a partir da última reunião do Comitê Central do PCdoB aponta que a orientação tática fundamental dos comunistas é lutar pelo êxito do governo Lula na sua missão de reconstruir e transformar o nosso país.
Não será tarefa fácil. Lula alcançou vitória por pequena margem e herdou um país que continua polarizado politicamente. Ao mesmo tempo, o presidente se defronta com problemas na economia, grave situação social e estruturas do Estado em frangalhos.
Para reverter esse quadro e superar as dificuldades, Lula precisará manter e ampliar a frente política com a qual foi eleito. E essa frente deve consolidar a democracia e descortinar novas perspectivas para o País e para o povo. Isso exigirá sabedoria política, amplitude e muita luta.
Nesse rumo, a resolução do PCdoB propõe quatro tarefas centrais para o governo: conquistar uma base estável no Congresso, assegurar apoio majoritário na sociedade, retomar o crescimento econômico e, de imediato, adotar medidas que melhorem a vida do povo.
Para conquistar uma maioria estável no parlamento, Lula precisará realizar política ampla e flexível, concertar alianças e atrair para a base do governo partidos e parlamentares com perfil mais conservador. Não tem outro caminho.
Simultaneamente a este esforço político, o presidente precisar adotar medidas, como já vem fazendo, que melhorem a vida do povo. É o caso da valorização do salário mínimo e da retomada de programas sociais como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos, entre outros.
Mas uma premissa fundamental para o governo Lula ser bem-sucedido é superar a estagnação econômica e iniciar um novo ciclo de crescimento. Para isso, o Estado precisa ser protagonista na ampliação dos investimentos, retomada da industrialização e geração de emprego.
Paralelamente, o Brasil precisa derrotar a taxa de juros absurda praticada pelo Banco Central, ter uma política macroeconômica desenvolvimentista e usar os bancos públicos para alocar recursos para o financiamento da economia e elevação do bem-estar social.
Por último, mas não menos importante, é condição necessária para o governo Lula ser vitorioso conquistar uma base de massas politizada e mobilizada para defender o programa de reconstrução e transformação nacional. E o movimento sindical é estratégico para isso.
Armado com a agenda da classe trabalhadora, aprovada na Conclat em abril de 2022, o sindicalismo, com autonomia e espírito propositivo, pode ser base importante para impulsionar o governo Lula no rumo das mudanças ancoradas em políticas de valorização do trabalho.
Essa agenda deve incorporar a luta pelo fortalecimento sindical e valorização das negociações coletivas. Direitos trabalhistas não caem do céu. Precisam de sindicatos fortes e legislação trabalhista avançada. É este o tamanho do desafio do movimento sindical no governo Lula.
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