Texto está em tramitação na Câmara dos Deputados. somente em 2021, 9,2 mil casais do mesmo sexo formalizaram sua união estável em cartório.
Publicado pelo Portal Vermelho
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), fez um pedido contundente para rejeitar e arquivar um projeto de lei que busca proibir a união civil de pessoas do mesmo sexo no Brasil. Segundo a PFDC, além de ser inconstitucional, a proposta desafia princípios internacionais e representa um retrocesso nos direitos e garantias fundamentais das pessoas LGBTQIA+.
O projeto de lei está atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados e tem causado uma série de debates em todo o país.
De acordo com a procuradoria, negar a possibilidade de união civil homoafetiva implica afirmar que os homossexuais teriam menos direitos do que os heterossexuais, criando uma hierarquia com base na orientação sexual, o que vai de encontro a princípios constitucionais, como a dignidade humana e a proibição de discriminação.
A PFDC enfatiza que tal entendimento é contrário à essência da Constituição da República Federativa do Brasil, que busca promover uma convivência pacífica e harmoniosa entre diferentes grupos da sociedade.
A procuradoria ainda destacou que, caso o projeto se torne lei, novas uniões civis entre pessoas do mesmo sexo seriam vedadas ou não produziriam os efeitos legais desejados, criando um desequilíbrio injustificado entre pessoas homo e heterossexuais.
A união civil é considerada um ato voluntário e privado, cujo objetivo é formalizar uma parceria entre duas pessoas para uma vida em comum, independentemente da orientação sexual, de acordo com a PFDC.
A procuradoria também citou dados do IBGE que indicam que, somente em 2021, 9,2 mil casais do mesmo sexo formalizaram sua união estável em cartório.
O Projeto de Lei 5.167/2009, que está em discussão na Câmara dos Deputados, tem a intenção de modificar o Código Civil, afirmando que nenhuma relação entre pessoas do mesmo sexo pode ser equiparada ao casamento ou à entidade familiar. O texto foi elaborado pelo deputado Pastor Eurico (PL-PE) e tem gerado intensos debates.
Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou as relações entre pessoas do mesmo sexo às uniões estáveis entre homens e mulheres, reconhecendo, assim, a união homoafetiva como núcleo familiar.
Além disso, o STF entendeu que não há uma definição fechada ou limitante de família na Constituição, nem qualquer formalidade necessária para que uma união seja considerada uma família. Em 2013, o Conselho Nacional da Justiça (CNJ) determinou que todos os cartórios do país realizassem casamentos homoafetivos.
A PFDC argumenta que o projeto em discussão na Câmara dos Deputados compromete o caráter laico do Estado brasileiro, ao se basear em argumentos religiosos para definir o casamento, o que pode representar um retrocesso significativo nos direitos civis das pessoas LGBTQIA+.
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