Especialistas em saúde discutem os impactos da onda de calor sem precedentes no País. Conheça as recomendações do Ministério da Saúde para se proteger
Publicado pelo Portal Vermelho
A atual onda de calor que assola o Brasil tem levantado sérias preocupações entre os profissionais de saúde. Com temperaturas extremamente elevadas e um alerta meteorológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no nível laranja, especialistas alertam para os perigos iminentes que a população enfrenta. As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, em especial nas regiões Norte, Centro-Oeste e parte do Sudeste. Alguns municípios podem registrar temperaturas de 40°C.
Para entender melhor os riscos à saúde física e mental causados por essa onda de calor, dois médicos especialistas compartilharam suas preocupações sobre essa situação crítica em artigo ao The Conversation: Jonathan Vicente, biomédico e membro da The Global Climate and Health Alliance, e Otavio Ranzani, epidemiologista e pesquisador no Instituto do Coração (InCor), ambos da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).
Jonathan Vicente explicou que a atual onda de calor é uma das maiores já registradas no Brasil, e o mês de julho de 2023 foi o mais quente desde 1961. “Estamos testemunhando não apenas um aquecimento global, mas o que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, descreveu como a ‘ebulição global’”, alertou Vicente.
Diversos grupos da população estão particularmente em risco durante esses dias de calor extremo, incluindo idosos, crianças, trabalhadores expostos ao sol e pessoas que vivem em áreas socialmente vulneráveis. Além disso, Vicente destacou a importância de distinguir entre diferentes condições físicas que podem ocorrer devido à exposição ao sol. Uma delas é o heatstroke, conhecida popularmente como insolação, que é uma condição grave em que a temperatura corporal da pessoa pode ultrapassar os 40ºC, levando a sintomas como pele quente, avermelhada, seca, dores de cabeça, náuseas, vômitos, desmaios e até insuficiência renal.
Otavio Ranzani complementou as informações de Vicente, explicando que além do heatstroke, há outras condições como a exaustão por calor e o estresse por calor, que também podem ser confundidas com insolação. A exaustão por calor, por exemplo, é caracterizada por suor excessivo, tontura, pele pegajosa e cãibras musculares. Já o estresse por calor pode causar irritabilidade, dores de cabeça e desidratação.
Ranzani enfatizou que o heatstroke é o mais perigoso dentre essas condições e muitas vezes é difícil de ser reconhecido. Ele ressaltou a importância de estar atento aos sintomas e de chamar um serviço de saúde emergencial durante um episódio de heatstroke. Além disso, ele recomendou a colocação da pessoa afetada em um local fresco, com roupas leves, e o uso de tecidos úmidos em áreas do corpo que tendem a superaquecer.
Saúde mental
A saúde mental também está em risco durante essa onda de calor. Ranzani mencionou que há evidências na literatura científica de que as altas temperaturas podem desencadear ansiedade, depressão e até potencializar casos de automutilação e suicídio. A qualidade do sono também é afetada, o que pode impactar a regulação do humor das pessoas.
Outro fenômeno mencionado por Ranzani é a solastalgia, que ocorre quando as pessoas não se sentem mais conectadas ao lugar em que vivem devido a eventos climáticos extremos, como enchentes causadas pelas mudanças climáticas.
Sistema de saúde
Jonathan Vicente alertou ainda que as ondas de calor aumentam as chances de hospitalização e morte por causas cardiovasculares e respiratórias, com maior risco para crianças, idosos e mulheres. Pessoas com doenças preexistentes, como doenças cardíacas e pulmonares crônicas, também enfrentam um risco significativamente maior durante esses períodos.
Para enfrentar os desafios das mudanças climáticas, Vicente destacou a importância de treinar profissionais de saúde, como os Agentes Comunitários de Saúde, para reconhecer diferentes condições que podem se intensificar durante ondas de calor. Essa preparação é essencial para fortalecer o Sistema Único de Saúde e proteger a saúde da população diante dos crescentes desafios climáticos.
Diante da atual situação, a população brasileira deve estar ciente dos riscos à saúde física e mental representados por essa onda de calor sem precedentes e tomar medidas preventivas para proteger a si mesmos e aos outros. É fundamental buscar orientação médica ao menor sinal de desconforto causado pelo calor excessivo e seguir as recomendações dos profissionais de saúde para evitar consequências graves.
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