USS Eisenhower se junta aos equipamentos militares já deslocados para a região após o início do conflito. Tensões no sul do Líbano e na Síria escalam receio de uma guerra regional
Publicado pelo portal Vermelho
Os Estados Unidos enviaram neste sábado (14) um segundo grupo de ataque de porta-aviões para a região do Oriente Médio. A medida é vista como mais um aceno do presidente americano Joe Biden em meio a escalada de tensão com o Iran, Síria e o grupo paramilitar Hezbollah, que atua no Líbano.
O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin afirmou que o envio é parte da estratégia de “dissuadir ações hostis contra Israel ou qualquer esforço direcionado a ampliar a guerra após os ataques do Hamas”.
O porta-aviões USS Eisenhower se junta aos equipamentos militares já deslocados no início do conflito, em 7 de outubro. O USS Eisenhower deve demorar três semanas para aportar em Haifa, no norte de Israel, segundo autoridades militares.
O site do comando naval americano destaca que a embarcação de propulsão nuclear “oferece uma ampla gama de capacidades flexíveis de missão, incluindo operações de segurança marítima, projeção de poder expedicionário, presença naval avançada, resposta a crises, controle marítimo, dissuasão, contra-terrorismo, operações de informação e cooperação de segurança”.
O navio é alocado em missões das Forças Armadas americanas desde os anos 1970. Foi deslocado para a atuação militar durante a Guerra do Golfo, nos anos 1990, e mais recentemente nas guerras no Afeganistão e no Iraque. A embarcação chega a até 56 km/h, tem capacidade para levar 90 aeronaves e dispõe de dois lançadores de mísseis RIM-7 Sea Sparrow, dois lançadores de mísseis de fuselagem rolante RIM-116 e ao menos três canhões Phalanx CIWS 20 mm.
Os EUA já haviam enviado para Israel o maior navio de guerra do mundo, o USS Gerald R. Ford com intuito de realizar “operações marítimas e aéreas, a fim de assegurar aliados e parceiros em toda a região e garantir a estabilidade”. Segundo comunicado do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, o grupo de militares na embarcação “está preparado para toda a gama de missões”.
A ação foi criticada pelos governos da Rússia e da Turquia, que acusaram os EUA de intensificarem os conflitos no Oriente Médio.
Além das embarcações, o Departamento de Defesa afirma que “também está trabalhando com a indústria dos EUA para acelerar o envio de equipamento militar que os israelenses já tinham encomendado”. O país vai aumentar o apoio a Israel, incluindo “capacidades de defesa aérea e munições”, segundo o governo.
Tensões aumentam com Iran, Síria e Hezbollah
O segundo envio de aparato militar pelos Estados Unidos indicam que inteligência americana acredita na possibilidade real do conflito local se espalhar pela região do Oriente Médio, envolvendo outros atores como o Irã, a Síria e o Hezbollah.
Apesar ayatollah Ali Khamenei, autoridade máxima do Irã, negar o envolvimento do país no ataque lançado pelo Hamas contra Israel, no 7 de outubro, o ministro das relações exteriores do país persa Hossein Amir-Abdollahian disse que novas frentes de conflito poderão ser abertas se Israel continuar os seus “crimes de guerra e cerco humanitário a Gaza”.
“Naturalmente, com a continuação dos crimes de guerra israelenses e o cerco humanitário a Gaza e à Palestina, qualquer decisão e possibilidade por parte de outros membros do movimento de resistência é provável”, disse Amir-Abdollahian.
O ministro iraniano espantou o ocidente ao encontrar-se, neste sábado (14), com o líder do grupo Hamas Ismail Haniyeh, em Doha (Qatar). Haniyeh é chefe do gabinete político do Hamas desde 2017.
Após o encontro, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, citou neste domingo (15) um “possível envolvimento direto do Irã”. “Não podemos descartar que o Irã decida envolver-se diretamente de alguma forma. Temos de nos preparar para qualquer eventualidade”, disse.
Além do Irã, outro ponto de preocupação do ocidente é que o Hezbollah também entre definitivamente conflito. Desde o início da contraofensiva israelense, militantes do grupo vem trocando fogo com o exército do país judeu no sul da fronteira do Líbano.
Desde a escalada da tensão, uma série de vítimas fatais e outros feridos foram registrados na fronteira. Na sexta (13), o jornalista Issam Abdallah, da agência Reuters, morreu após um ataque israelense atingir um comboio de carros da imprensa. Líderes do grupo Hezbollah e civis israelenses também estão entre as vítimas dos confrontos.
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