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Ex-assessor de Bolsonaro é condenado por gesto supremacista

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Ex-assessor de Bolsonaro é condenado por gesto supremacista

 

Filipe Martins fez gesto em sessão do Senado, em 2021. Ele recebeu pena convertida em prestação de 850 horas de serviço comunitário e multas e indenizações que somam R$ 52 mil

 

Filipe Martins filmado ao fazer gesto racista com a mão e tentar dissimular. Imagem: Transmissão Senado

Em março de 2021, Filipe Martins protagonizou um gesto de supremacia branca durante transmissão da TV Senado. O ex-assessor de assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro aproveitou as câmeras apontadas para o presidente da casa, senador Rodrigo Pacheco, e fez com uma das mãos o símbolo racista White Power.

Por esse crime que tentou dissimular ao ajeitar o blazer que vestia, Martins foi condenado pelo juiz David Wilson de Abreu Pardo, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal. Ele foi enquadrado pela Lei de Crimes Raciais, que pune crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Leia mais: Maioria dos brasileiros acredita que o país é racista, aponta Datafolha

A pena imposta é de dois anos e quatro meses de prisão que foi convertida a:

  • prestação de 850 horas de serviço comunitário;
  • pagamento de 14 parcelas mensais de R$ 1 mil para uma instituição social indicada pela justiça;
  • pagamento de R$ 8,2 mil em multa;
  • pagamento de danos morais coletivos de R$ 30 mil.

Defesa

A defesa do condenado indicou que a interpretação do juiz é fantasiosa, que seu cliente sofre assédio judicial e que irá recorrer: “utilizaremos todos os meios nacionais e internacionais para fazer cessar o assédio judicial que tem sido empreendido contra Filipe Martins e recorreremos para que a justiça seja restabelecida, com o rigor técnico, a imparcialidade e o respeito à lei que o direito exige”.

Sentença

Na sentença, o juiz Abreu Pardo refutou a defesa de que o réu ajustou o paletó, sendo que “a voluntariedade na realização do gesto é respaldada pela circunstância de o réu olhar para a sua própria imagem, enquanto gesticulava, ao mirar para a tela que transmitia em tamanho maior o Presidente do Senado (Martins está ao fundo).”

O juiz ainda lembra que o gesto “dissemina ataque não verbal a pessoas e grupos sociais historicamente vulnerabilizados no Brasil, fortalecendo a narrativa, contra essas pessoas e grupos sociais, de que eles não estão incluídos”, disse.

*Com informações Agência Brasil

Blog do Mamede

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