“Vamos fazer um grande movimento nacional para pressionar o Congresso a colocar em votação o fim dessa jornada que tanto penaliza os trabalhadores e as trabalhadoras, em especial do comércio”, diz Márcio Ayer
Publicado pelo portal Vermelho
A semana foi de ótimas notícias para os trabalhadores que lutam contra a escala 6×1. Com atividades programadas, apresentação de novo projeto de lei na Câmara dos Deputados e convocação de um plebiscito nacional, a pauta se fortaleceu ainda mais como a prioridade dos movimentos sociais para 2025.
O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro (SEC) está na linha de frente dessa luta. Na próxima segunda-feira (10), a entidade promove, em sua sede, um grande encontro com entidades, partidos e lideranças que apoiam o fim da escala. Mais de dez parlamentares – entre deputados e vereadores – estão confirmados. É o caso dos deputados federais Tarcísio Motta (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ).
“Nosso objetivo é causar uma ebulição no movimento social, especialmente nos sindicatos, além de levar essa bandeira de luta aos parlamentos”, diz ao Vermelho Márcio Ayer, presidente do SEC. De acordo com o sindicalista, sua base é uma das mais prejudicadas com as “brechas que fazem os patrões” elevarem a jornada.
“Já remos registros de comerciários que trabalham dez, 15 dias consecutivos, sobretudo em shoppings centers. Alguns desses trabalhadores nem sequer recebem todos os direitos previstos nas convenções coletivas”, agrega o sindicalista.
Com mais de 300 mil trabalhadores na base, os comerciários do Rio vão incluir o fim da escala 6×1 na pauta de reivindicações da campanha salarial de 2025. A data-base é 1º de maio, mas as negociações devem começar já nas próximas semanas. A cada ano, o SEC fecha 26 convenções coletivas.
Projeto de lei
Em outra frente de luta, a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) apresentou um projeto de lei que fixa a jornada de trabalho em 40 horas, com garantia de dois dias de folgas por semana. No caso dos trabalhadores do comércio, a proposta também limita a jornada para oito horas diárias.
“Essa alteração reconhece o enorme desgaste desses trabalhadores e promove avanços muito relevantes para que possam ter uma melhor qualidade de vida”, aponta a parlamentar na justificativa do projeto. Segundo Daiana, “a redução da jornada de trabalho é uma medida fundamental para alinhar o Brasil a outros países em situação econômica similar”.
Hoje, conforme a Constituição de 1988, a jornada dos brasileiros não pode exceder 44 horas. A Lei nº 12.790/2013 – que regulamentou a profissão de comerciário – reconheceu a carga de 44 horas semanais e oito diárias para a categoria, mas não estabeleceu o direito a dois dias de folgas semanas.
Na Câmara, a luta para reduzir a jornada e adequar as escalas de trabalho já era, desde 2024, o alvo de uma Proposta de Emenda à Constituição apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), em coautoria com a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).
O texto da PEC propõe um novo modelo: “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e trinta e seis horas semanais, com jornada de trabalho de quatro dias por semana, facultada a compensação de horários e a redução de jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”.
Plebiscito
A terceira notícia positiva da semana foi o anúncio de um “plebiscito popular” em todo o País. A iniciativa foi aprovada pelos movimentos sociais na terça-feira (4), em reunião conjunta da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, em São Paulo.
No plebiscito, os brasileiros poderão opinar sobre dois pontos: a escala 6×1 e a taxação das grandes fortunas. O objetivo, conforme as entidades, é “debater com os trabalhadores, fazer pressão sobre as instituições, como governo e Congresso Nacional, e avançar na organização, comunicação e unidade dos movimentos sociais”.
Na visão de Márcio Ayer, as entidades devem articular essas ações para promover uma “força-tarefa” contra a escala 6×1. “É fundamental a participação dos movimentos sociais nesta pauta. Vamos fazer um grande movimento nacional para pressionar o Congresso a colocar em votação o fim dessa jornada que tanto penaliza os trabalhadores e as trabalhadoras, em especial do comércio.”
https://www.youtube.com/watch?v=8wGmc2ZOGYU&list=PLU7EHq4fmk62WyLxYihJgBKgJP0nCbK8p
https://www.youtube.com/watch?v=asPm9a9M4GM&list=PLU7EHq4fmk62WyLxYihJgBKgJP0nCbK8p
STF afasta prefeito e vice de Macapá em investigação sobre desvio de recursos de emendas…
Pela paz mundial, contra as guerras imperialistas de Trump! Além de dominar petróleo e…
Em dez anos, Brasil registrou mais de 13,7 mil feminicídios Somente em 2025, foram…