Senador defende que um eventual presidente aliado imponha ao STF o respeito a um perdão judicial ao pai; parlamentares da oposição reagem e classificam fala como golpista e ameaça à democracia
Publicado pelo Portal Vermelho
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou, em entrevista publicada neste sábado (7) pela Folha de S.Paulo, que um eventual presidente eleito com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deverá conceder indulto ao pai — e, caso haja resistência do Supremo Tribunal Federal (STF), será necessário “fazer com que o STF respeite os demais Poderes”, mesmo com “uso da força”.
A fala, que, segundo o senador, foi feita em tom analítico, gerou forte reação entre parlamentares, juristas e lideranças políticas. Flávio alegou que não se tratava de uma ameaça, mas de um “cenário” plausível caso o STF decida pela inconstitucionalidade de um eventual indulto concedido ao ex-presidente, hoje réu na Corte por suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022.
“Se Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou aprova uma anistia com o Congresso, e em três meses está tudo resolvido. Aí vem o Supremo e fala: ‘É inconstitucional, volta todo mundo pra cadeia’. Isso não dá”, declarou o senador.
Reações imediatas: “Gravíssima e inaceitável”
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) foi enfática ao classificar a fala de Flávio como “gravíssima e inaceitável”. “Trata-se de mais um capítulo da trama golpista que insiste em rondar a democracia brasileira. Ao sugerir o uso da força contra o STF, Flávio ataca diretamente o Estado Democrático de Direito”, afirmou.
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Para Jandira, a declaração escancara “o desprezo da família Bolsonaro pelas regras do jogo democrático” e exige resposta firme das instituições. “A sociedade brasileira deve estar alerta: essa fala não é isolada — é parte de uma estratégia para manter um projeto autoritário vivo.”
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) foi ainda mais contundente: “A fala de Flávio Bolsonaro é criminosa e inadmissível. Trata-se de um ataque frontal à democracia. Sem anistia para golpistas!”, disse nas redes sociais.
Indulto, anistia e Supremo no alvo
Flávio Bolsonaro sugeriu que o STF poderia barrar um possível perdão presidencial ao pai, e, nessa hipótese, um presidente bolsonarista precisaria agir para que a decisão fosse mantida. “Estamos falando de possibilidade de uso da força, de interferência direta entre os Poderes”, disse.
O senador também afirmou que a anistia dos condenados pelo 8 de Janeiro é “uma saída honrosa para todo mundo”, inclusive para o próprio STF e o ministro Alexandre de Moraes, relator das ações contra os golpistas. Segundo Flávio, Moraes “cometeu abusos de autoridade” e deveria ser incluído no ato de perdão.
Candidaturas e sucessão bolsonarista
Cotado para disputar a Presidência em 2026, Flávio afirmou que não será candidato e que pretende tentar a reeleição ao Senado. No entanto, defendeu que outros nomes da família entrem na disputa para o Senado, como seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
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Ainda inelegível por decisões do TSE, Jair Bolsonaro continua sendo o principal articulador do campo da direita. Segundo Flávio, o ex-presidente insistirá em sua candidatura, mas também avalia apoiar nomes como os governadores Ratinho Jr (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e, principalmente, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
“Tarcísio é imbatível, assim como qualquer outro candidato que o Bolsonaro apoiar”, afirmou.
Democracia em alerta
As declarações do senador reacendem o alerta sobre as ameaças institucionais que pairam sobre o processo eleitoral e a separação entre os Poderes no Brasil. Ao condicionar o apoio político à garantia de um perdão judicial ao ex-presidente, o bolsonarismo reitera sua estratégia de confrontação com as instituições e o Judiciário.
A oposição pede providências legais e políticas contra o que classifica como mais uma tentativa de intimidar o Supremo Tribunal Federal e naturalizar um projeto de impunidade para crimes graves. Resta saber como as instituições — e o eleitorado — responderão a mais esse teste de resistência democrática.
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