Com aval de Trump e apoio de Netanyahu, Israel divulga vídeos que mostram Gaza transformada em resort de luxo sem palestinos
Publicado pelo Portal Vermelho
“É assim que Gaza será no futuro.” A frase, publicada pela ministra da Inovação, Ciência e Tecnologia de Israel, Gila Gamliel, acompanha um vídeo feito com inteligência artificial (IA) que mostra uma Gaza futurista, à beira-mar, repleta de arranha-céus, turistas e um enorme edifício com o nome “Trump”. Na peça de propaganda, a ministra aparece ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e do premiê israelense Benjamin Netanyahu, promovendo o que seria a “nova Riviera do Oriente Médio”.
Segundo Gamliel, o vídeo representa uma “visão possível” para Gaza, viável apenas com a “migração voluntária dos moradores” — um eufemismo para a expulsão da população palestina do território. “Somos nós ou eles”, declarou. Ela afirma ter apresentado oficialmente o plano ao gabinete de governo menos de uma semana após o ataque do Hamas a Israel, em outubro de 2023.
A propaganda do apagamento: IA e limpeza étnica
O vídeo postado por Gamliel segue a mesma linha de outra montagem já divulgada por Donald Trump em fevereiro de 2025, sob o título “Gaza 2025”. A peça mostra uma Gaza totalmente reconstruída — e completamente esvaziada de palestinos. Desta vez, com uma estátua dourada de Trump no centro da cidade, Netanyahu em uma piscina, e Elon Musk distribuindo dólares a crianças na praia. A trilha sonora repete: “Trump vai te libertar”.
As imagens não são apenas alegóricas. Elas ilustram um projeto político concreto: a remoção definitiva de todos os 2,3 milhões de palestinos da Faixa de Gaza. Sem mencionar os 2,7 milhões de palestinos da Cisjordânia que vivem sob a instabilidade permanente da invasão violenta de 700 mil colonos israelenses. A proposta foi apresentada por Israel e conta com o entusiasmado apoio de Trump, que disse desejar “limpar” a região, encaminhando seus habitantes para países vizinhos, como Egito e Jordânia.
Desde que os vídeos de IA começaram a circular com uma Gaza fictícia, os próprios palestinos começaram a divulgar imagens da Gaza real antes da guerra destacando seus locais favoritos para lazer, demonstrando como a cidade já era um belo balneário cheio de vida e belezas, como pode ser visto no vídeo abaixo:
ONU: “expulsar palestinos é crime de guerra”
A proposta gerou forte reação internacional. A Agência de Direitos Humanos da ONU alertou que qualquer tentativa de expulsão em massa seria considerada crime de guerra. A Federação Árabe Palestina classificou o plano como “limpeza étnica escandalosa”.
A denúncia remete a um memorando sigiloso do Instituto Misgav, um centro de estudos israelense ligado ao governo Netanyahu, que vazou em outubro de 2023. O documento descrevia o momento pós-ataques do Hamas como uma “oportunidade rara” para a realocação definitiva dos palestinos em Gaza. O Egito seria o principal destino dos deslocados, em troca de investimentos maciços em sua economia.
“Campo de concentração” no Sul de Gaza
Na prática, a limpeza já começou. O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, anunciou planos para isolar a população palestina em uma “zona humanitária” nas ruínas de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. A área será militarmente cercada, e os deslocados — cerca de 600 mil no início — passarão por triagem para excluir supostos membros do Hamas, como sempre são classificados os homens palestinos, mesmo na adolescência. Segundo o governo, todos os 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza devem ser transferidos à força para esta área controlada.
Para o presidente da Federação Árabe Palestina no Brasil, Ualid Rabah, o plano se assemelha a um “campo de concentração moderno”, com controle absoluto sobre comida, abrigo e mobilidade. “Estamos agora na fase final da solução final”, disse ele, em referência direta ao Holocausto.
Um plano antigo, agora em voz alta
Em maio de 2025, Netanyahu assumiu publicamente, durante reunião no Parlamento, que o objetivo de Israel é tornar Gaza inabitável para os palestinos. “Eles não terão para onde voltar. O único desfecho lógico será o desejo de emigração”, afirmou o premiê, que espera encontrar países dispostos a recebê-los.
Desde outubro de 2023, o governo israelense já havia dado ordens ao Exército para elaborar um plano de “pós-guerra” prevendo a expulsão de toda a população da Faixa de Gaza. A operação militar chamada “Carruagens de Gideão” consolidou a ocupação de cerca de 70% do território, com 92% das edificações destruídas, segundo a ONU.
“Ilegal à luz do direito internacional”
Especialistas em direito internacional alertam que a expulsão planejada de palestinos é flagrantemente ilegal. O professor Kai Lehmann, da USP, lembra que a Convenção de Genebra proíbe o deslocamento forçado de civis em áreas de conflito. “O que vemos é uma tentativa deliberada de limpeza étnica”, afirma. Segundo ele, esse processo já ocorre há décadas na Cisjordânia, com a expansão de assentamentos israelenses.
Com 1,9 milhão de deslocados e mais de 57 mil mortos em nove meses de guerra, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, a situação humanitária é catastrófica. Apesar da trégua firmada em julho, Israel impede a entrada contínua de ajuda humanitária e realiza triagens militares que restringem a movimentação de civis, frequentemente fuzilados conforme procurem alimentos em áreas de distribuição controladas por Israel.
Diplomatas internacionais temem que a expulsão em massa dos palestinos cause uma crise geopolítica sem precedentes. O Egito já sinalizou que não aceitará refugiados, o que pode abalar o histórico Acordo de Camp David. Também há preocupação com novos fluxos migratórios em direção à Europa e um possível ressurgimento do terrorismo jihadista.
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