Fica evidente a traição nacional e a tentativa de coação do Poder Judiciário. Bolsonarismo se isola e fermenta tensões no campo da direita
Publicado pelo Portal Vermelho
As recentes revelações da Polícia Federal (PF) sobre o grupo de golpistas liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro jogam por terra qualquer contestação aos procedimentos da Justiça para julgá-los e puni-los. Ficaram absolutamente evidentes as manobras para atacar o ministro Alexandre de Moraes – o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) – e o Poder Judiciário como um todo, a democracia e a soberania nacional. O relatório da PF mostrou estratégias articuladas para tentar deslegitimar o julgamento dos golpistas.
De acordo com Alexandre de Moraes, o caso mostra uma série de episódios, como descumprimento de medidas cautelares e tentativa de articulação internacional com advogados ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O relatório revela troca de acusações e xingamentos (uma espécie de chorume do bolsonarismo), e até a existência de uma carta com pedido de asilo político endereçada ao presidente argentino Javier Milei. Silas Malafaia, pastor que usa a religião como escudo para atitudes criminosas, é citado como peça-chave nessa articulação, atuando na mobilização digital para atacar ministros do STF.
O truculento filho do ex-presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), utilizando-se do linguajar raso e chulo típico do grupo golpista, confessou que a proposta de anistia não tem a finalidade de beneficiar os presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro, mas a busca de uma saída individual para Jair Bolsonaro. Se a “anistia light”, segundo suas palavras, for aprovada, o ex-presidente “não teria mais amparo dos Estados Unidos”. As mensagens também revelam divisões no grupo, inclusive com Eduardo atacando o governador Tarcísio de Freitas e se dirigindo ao pai com seu palavrório desclassificado.
O inquérito da PF demonstra, de forma objetiva, que todos do grupo convergem para a coação ao Poder Judiciário, a tentativa de intimidar sobretudo o ministro Alexandre de Moraes, mobilizando as redes sociais para criar no país um ambiente de instabilidade institucional, com apoio de uma potência imperialista agindo abertamente com ameaças e medidas ilegais à luz do direito internacional. Viola inclusive a Carta das Nações Unidas, que defende o “respeito ao princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos”.
O grupo também age com chantagens, defendendo a ideia de que o tarifaço de Trump só será revogado se houver anistia a Bolsonaro e seu bando. Ou seja: em primeiro lugar está o objetivo de livrar o ex-presidente da prisão. As trombadas de Eduardo com o pai não escondem que ambos atuam como aliados do governo dos Estados Unidos nos ataques ao Brasil, uma ação que traz prejuízos consideráveis para empresas e empregos, conduta sem dúvida de lesa-pátria.
São atitudes que demonstram até onde vai a vileza do grupo, expondo a sordidez do pastor boquirroto, a desfaçatez de Eduardo e o jogo sujo de Jair Bolsonaro, posturas com a gravidade de traição nacional, de conluio com uma potência estrangeira para ingerências e autoritarismo, como o tarifaço de Trump e seus rompantes contra a democracia e a soberania do Brasil.
Essa conduta joga por terra o moralismo e o patriotismo apregoados aos quatro ventos pela extrema direita, o clã Bolsonaro e seus comparsas. Ao expô-los sem essa máscara, fica explícito para além do caráter pútrido, a condição de verdadeiros agentes de uma potência estrangeira contra os interesses nacionais.
A pantomima se manifesta também pelas negociatas de Bolsonaro, que recebeu R$ 30,5 milhões em um ano, segundo o relatório da PF com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ou seja: golpismo com financiamento de fontes que precisam ser esclarecidas por ser um recurso espúrio, destinado a atentados ao Estado Democrático de Direito, à soberania nacional, ao desenvolvimento do país e aos direitos do povo.
O momento é grave e exige firmeza de propósitos, ações unitárias e amplas em apoio ao governo do presidente Lula que, conforme mostram as pesquisas, melhora significativamente sua popularidade, resultado de atitudes acertadas e assertivas no curso da luta política do país. Essa postura de Lula abre caminho para a recomposição da base governista no Congresso e para a construção da aliança ampla visando a disputa de 2026. Ao mesmo tempo é preciso respaldar o STF para que a Justiça se faça: Bolsonaro e os demais integrantes do “núcleo crucial” da organização criminosa merecem e precisam de uma punição rigorosa para que não venham praticar novas tentativas de golpe de Estado.
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