Porta-voz de Trump disse que sanções já foram aplicadas ao Brasil e falou em força militar; Itamaraty repudiou a ingerência e Eduardo Bolsonaro celebrou a ameaça
Publicado pelo Portal Vermelho
A Casa Branca afirmou nesta terça-feira (9) que os Estados Unidos “não terão medo de usar o poder econômico e militar” para defender a chamada liberdade de expressão, em resposta a uma pergunta sobre o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
A declaração, feita pela porta-voz Karoline Leavitt, provocou reação imediata do Itamaraty, que em nota condenou “o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força” contra a democracia brasileira e denunciou tentativas de “instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais”.
Durante a coletiva de imprensa em Washington, Leavitt foi questionada pelo jornalista Michael Shellenberger se o governo Trump cogitava adotar novas medidas contra o Brasil diante da provável condenação de Bolsonaro.
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A porta-voz respondeu que o presidente já aplicou tarifas e sanções ao país com esse objetivo e reforçou que “a liberdade de expressão é a questão mais importante do nosso tempo”, acrescentando que Trump “não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”.
Apesar da contundência do discurso, Leavitt afirmou que “não há, neste momento, novas ações a antecipar”.
A fala repercutiu imediatamente nas redes sociais da própria representação norte-americana no Brasil. A embaixada republicou o vídeo da declaração, mas omitiu a parte em que Leavitt menciona o uso do poder militar. Ao mesmo tempo, voltou a direcionar ataques ao ministro Alexandre de Moraes, relator do julgamento de Bolsonaro no STF, afirmando que ele e outros “indivíduos cujos abusos de autoridade têm minado liberdades fundamentais” continuarão a ser alvo de medidas cabíveis por parte de Washington. O texto divulgado pela embaixada foi uma republicação de mensagem do subsecretário de Diplomacia Pública do Departamento de Estado, Darren Beattie, feita um dia antes.
As ameaças ocorrem no contexto das sanções já em curso e da possibilidade de novas medidas. Desde julho, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e estuda sobretaxas adicionais, como punição ao Brasil por importar diesel da Rússia — política semelhante à aplicada contra a Índia. Aliados de Bolsonaro esperam ainda que os Estados Unidos anunciem a cassação de vistos após a condenação do ex-presidente. Ao mesmo tempo, a retórica contra o Brasil se soma a pressões diretas sobre as Forças Armadas e ao cerco a ministros do STF, reforçando a escalada da ofensiva norte-americana em meio ao processo judicial contra o núcleo do golpe de 2022.
A Casa Branca afirmou nesta terça-feira (9) que os Estados Unidos “não terão medo de usar o poder econômico e militar” contra o Brasil, numa declaração que expõe a escalada imperialista de Washington e a tentativa de interferir diretamente no julgamento de Jair Bolsonaro.
A reação do Itamaraty foi imediata e em nota, a chancelaria condenou “o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força” e afirmou que os Poderes da República não se intimidarão diante de qualquer atentado à soberania nacional.
A porta-voz Karoline Leavitt, respondendo a uma pergunta do jornalista Michael Shellenberger, afirmou que Donald Trump já aplicou tarifas e sanções ao Brasil sob a justificativa de “proteger a liberdade de expressão” e advertiu que o presidente “não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América” para esse fim.
A porta-voz respondeu que o presidente já aplicou tarifas e sanções ao país com esse objetivo e reforçou que “a liberdade de expressão é a questão mais importante do nosso tempo”, acrescentando que Trump “não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”.
O filho do réu, o ainda deputado Eduardo Bolsonaro, tratou de amplificar as ameaças da Casa Branca. Em vez de defender a soberania do país, comemorou a disposição de Trump em usar a máquina de guerra dos Estados Unidos, preocupado apenas em livrar a si próprio e ao pai da cadeia.
A postura ecoa a lógica da extrema direita brasileira, que se alia a potências estrangeiras para atacar as instituições nacionais.
A reação veio do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que protocolou no STF um pedido de prisão preventiva e de bloqueio de verbas parlamentares de Eduardo.
O documento sustenta que o deputado atua como articulador da ofensiva internacional, extrapolando o campo da opinião política e configurando pressão direta contra a Justiça.
Para Lindbergh, a cooperação de Eduardo com Trump representa “interferência estrangeira contra a soberania nacional e a independência da Justiça”, justificando medidas mais duras para resguardar a ordem pública e a aplicação da lei.
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Embaixada dos EUA volta a ameaçar a soberania nacional
Logo após a coletiva em Washington, a embaixada dos EUA em Brasília tratou de amplificar a declaração. Publicou o vídeo da fala de Leavitt, mas editou a mensagem: não mencionou a ameaça militar, preferindo insistir nos ataques a Alexandre de Moraes.
A representação diplomática acusou o ministro do STF e “outros indivíduos” de minarem liberdades fundamentais e garantiu que continuará a adotar “medidas cabíveis” contra eles.
Ameaças de Washington não ficam apenas no discurso. Desde julho, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e agora avalia sobretaxas adicionais pelo fato de o Brasil importar diesel da Rússia, numa lógica punitiva que já foi aplicada contra a Índia.
Entre os bolsonaristas, cresce a expectativa de que, após a condenação do ex-presidente, os EUA avancem com novas sanções, incluindo cassação de vistos.
Enquanto isso, a retórica oficial da Casa Branca serve de combustível para pressionar as Forças Armadas brasileiras e intimidar ministros do Supremo, revelando o grau de hostilidade da política externa norte-americana em meio ao processo judicial que desmonta o núcleo do golpe de 2022.
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