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Câmara aprova 20 dias para licença-paternidade

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Câmara aprova 20 dias para licença-paternidade

Ampliação é fruto da atuação da bancada feminina, coordenada pela deputada federal Jack Rocha (PT-ES); prazo será aumentado gradualmente a partir de 2027

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Para a líder da bancada feminina, a licença-paternidade significa ter um núcleo familiar fortalecido, comprometido com o futuro

A noite da última terça-feira (4) foi histórica para as famílias brasileiras. A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 3935/2008, que amplia gradualmente de 5 para 20 dias a licença-paternidade. A iniciativa prevê o pagamento do mês em valor igual à remuneração integral. A proposta inicial, defendida pela bancada feminina, que protagonizou o debate na Casa nos últimos anos, era que a licença fosse de 30 dias.

Entretanto, não houve consenso e o plenário acabou aprovando 20 dias. O período será implantado progressivamente ao longo de quatro anos de vigência da futura lei, ficando: 2027 – 10 dias, 2028 – 15 dias e 2029 – 20 dias. Agora, a matéria segue para votação no Senado.

 

Defesa dos 30 dias

A deputada federal e coordenadora geral da Secretaria da Mulher da Câmara, Jack Rocha, afirmou na tribuna que era preciso que os auto-intitulados defensores das famílias atuassem pela defesa dos 30 dias.

“Nós mulheres temos o direito de dividir tarefas. E é neste momento, senhor presidente, que eu falo aqui, enquanto também coordenadora da bancada feminina, que foi preciso ser a bancada feminina, junto a líderes aliados, a pautar um projeto como este, quando deveria ser uma voz única deste plenário, que pudesse reconhecer que uma mulher, sobretudo, não faz uma criança sozinha. E o direito à licença-paternidade é também reconhecer que a divisão de tarefas faz parte de um cotidiano e de uma sociedade que precisa ser cada vez mais evoluída”, defendeu.

Ela ainda observou que, quando se comemoram os 35 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), trazer o debate da licença-paternidade como uma causa e como um direito das crianças indica que é possível “fazer uma escolha desse futuro mais inclusivo que nós estamos construindo aqui.”

Leia mais: Licença-paternidade: luta de famílias por mais tempo de cuidado com seus filhos

Quem paga

Atualmente, a empresa ou órgão público concede licença de 5 dias estipulada na Constituição, assumindo o custo.

Com o aumento do período, a Previdência Social passará a arcar com o salário-paternidade. A empresa empregadora deverá pagar o valor ao empregado e compensar com os valores de contribuições sobre a folha devidas ao INSS. As micro e pequenas empresas compensarão no recolhimento de qualquer tributo federal.

No entanto, há algumas regras. O salário-paternidade terá:

– Valor igual ao último salário de contribuição para o segurado empregado doméstico;

– Valor do salário mínimo para o segurado especial que não contribua facultativamente; ou

– 1/12 da soma dos 12 últimos salários de contribuição para os segurados que sejam contribuintes individuais ou facultativos.

Nesse caso, o período dentro do qual essas últimas 12 contribuições serão somadas não poderá ser superior a 15 meses.

O salário-paternidade e o salário-maternidade poderão ser recebidos simultaneamente em relação a nascimento, adoção ou guarda judicial para fins de adoção de uma mesma criança ou adolescente.

Leia mais: Plano Nacional de Cuidados é regulamentado

Trabalho x família

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) ressalta que políticas de conciliação entre vida profissional e familiar são fatores essenciais de promoção da igualdade de gênero e de aumento da produtividade econômica. Segundo o UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de 2/3 das crianças no mundo nascem em países onde o pai não tem direito sequer a um dia de licença remunerada.

Para a coordenadora da bancada feminina, o direito à licença-paternidade também reconhece que a divisão de tarefas faz parte de uma sociedade cada vez mais evoluída. “A emancipação social passa pela garantia e autonomia das mulheres, para o compartilhamento da responsabilidade também com os homens”, declarou.

Leia mais: 4º Relatório de Transparência Salarial: mulheres recebem 21,2% a menos que os homens

Da Redação do Elas por Elas, com informações da Agência Câmara

Blog do Mamede

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