Em meio à guerra tarifária promovida por Donald Trump, Brasil diversifica mercados e mantém crescimento das vendas ao exterior, apoiado pelo Plano Brasil Soberano
Publicado pelo Portal Vermelho
A estratégia protecionista do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que impôs tarifas elevadas sobre produtos brasileiros em 2025, não conseguiu frear o crescimento das exportações do Brasil. Pelo contrário: dados apresentados pelo Ministério da Fazenda nesta quinta-feira (13) mostram que o país ampliou significativamente suas vendas para outros mercados, especialmente China e Argentina, compensando com folga as perdas registradas no comércio com os Estados Unidos.
Segundo análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), apresentada durante coletiva de imprensa que divulgou o Boletim Macrofiscal de novembro, as exportações brasileiras para a China cresceram 25,7% em 2025, enquanto para a Argentina o avanço foi de 22%. Juntos, esses dois mercados geraram um ganho de US$ 6,5 bilhões, superando amplamente a queda de US$ 2,5 bilhões (25%) nas vendas aos Estados Unidos entre agosto e outubro.
Tarifaço intensifica perdas nos EUA
O coordenador-geral de Projeções Econômicas da SPE, Rafael Leão, detalhou o impacto das tarifas comerciais norte-americanas. “Quando pegamos o período entre agosto e outubro, as vendas para os Estados Unidos recuaram cerca de US$ 2,5 bilhões, comparado ao acumulado de agosto a outubro deste ano com o do ano anterior. Isso representa uma queda de 25%. Durante esse período, tal movimento foi se intensificando, mês a mês”, ressaltou.
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Os setores mais prejudicados pelas barreiras tarifárias foram petróleo bruto, carne bovina congelada, celulose de eucalipto, ferro bruto e açúcar refinado. Produtos tradicionalmente competitivos do Brasil no mercado americano viram suas vendas despencarem em função do protecionismo de Trump.
China e Argentina salvam a safra exportadora
Apesar da retração nas exportações para os Estados Unidos, as exportações totais brasileiras seguiram crescendo ao longo de 2025. O desempenho foi puxado por China e Argentina, que absorveram produtos brasileiros em volumes crescentes.
Para a China, os destaques foram soja, carne bovina, petróleo e minério de ferro. Já nas vendas para a Argentina, o Brasil ampliou significativamente as exportações de automóveis, caminhões-trator, energia e veículos leves.
A diversificação de mercados permitiu ao Brasil não apenas superar as perdas no mercado norte-americano, mas também expandir o total de vendas ao exterior, demonstrando a resiliência da economia brasileira diante de choques externos.
Plano Brasil Soberano é decisivo para diversificação
“O Plano Brasil Soberano tem sido decisivo nesse processo”, destacou Rafael Leão ao explicar como o governo brasileiro respondeu ao tarifaço americano. O plano, criado para apoiar exportadores na diversificação de mercados, contou com 517 operações de crédito até o início de novembro, somando R$ 7,1 bilhões.
Desse total, R$ 4 bilhões foram destinados especificamente para capital de giro voltado à diversificação de mercados, enquanto R$ 3,1 bilhões foram direcionados para capital de giro tradicional. A análise da SPE mostra que 126 grandes empresas e 391 micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) foram beneficiadas pelo programa.
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Rafael Leão ressaltou que aprimoramentos recentes no Plano Brasil Soberano tendem a potencializar ainda mais os resultados, “protegendo cadeias produtivas e empregos, ao mesmo tempo que diversifica a lista de países compradores de produtos brasileiros”.
Economia brasileira mantém trajetória de crescimento
Durante a coletiva, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, destacou que “apesar de todas essas incertezas e eventos pontuais que passamos durante o ano de 2025, a nossa interpretação prevaleceu”. Ele ressaltou que nem mesmo o “tarifaço” norte-americano conseguiu desestabilizar as projeções econômicas do governo.
A SPE revisou a previsão de crescimento do PIB de 2025 de 2,3% para 2,2%, mantendo o Brasil em trajetória de expansão econômica, com destaque para o crescimento de 9,5% na agropecuária, setor fundamental para as exportações que compensaram as perdas no mercado americano.
Para Guilherme Mello, a estratégia de coordenação entre política fiscal e monetária permitiu a “desaceleração gradual sem ruptura, mantendo o mercado de trabalho saudável, intenso e permitindo a reancoragem da inflação e de suas expectativas”, afirmou.
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