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Enquanto acusa Maduro de chefiar cartel e intensifica ações militares no Caribe, Trump diz estar disposto a negociar — contradição típica de sua estratégia de pressão por vantagem
Publicado pelo Portal Vermelho
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a adotar sua conhecida estratégia de “pressionar para depois negociar”. No domingo (16), mesmo após semanas elevando o tom contra o governo de Nicolás Maduro — a quem acusa de liderar o suposto Cartel de los Soles — o republicano afirmou que Washington poderia “ter algumas conversas” com o líder venezuelano. A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do planeta, às quais os EUA acessam de forma extremamente restrita.
A fala veio em meio ao maior destacamento militar americano no Caribe desde 2019, com o porta-aviões USS Gerald Ford na região e uma série de operações contra embarcações acusadas de narcotráfico, que já resultaram em mortes de pescadores. A contradição entre ameaça e abertura de diálogo, porém, se alinha ao modus operandi de Trump, que frequentemente combina escalada militar com gestos diplomáticos calculados para ampliar poder de barganha.
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Campanha militar arriscada e questionada
Desde setembro, os EUA realizaram 21 ataques contra embarcações alegadamente ligadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico, deixando ao menos 83 mortos, segundo dados do Pentágono. As operações, justificadas como parte de uma “guerra contra o narcoterrorismo”, têm sido criticadas por parlamentares, grupos de direitos humanos e países aliados.
Organizações como a Anistia Internacional classificam as ações como execuções extrajudiciais. Além disso, Washington ainda não apresentou provas de que todos os alvos eram de fato traficantes. Mesmo assim, o Departamento de Justiça publicou parecer defendendo a legalidade dos bombardeios e a imunidade dos militares envolvidos.
O acirramento também ocorre após a decisão de designar o Cartel de los Soles — cuja existência é contestada por especialistas — como “organização terrorista estrangeira”, medida que abre brechas para ações mais agressivas contra ativos venezuelanos. Assim como Israel classifica qualquer palestino como terrorista para justificar o apartheid e genocídio, os EUA passam a classificar venezuelanos como narcoterroristas para justificar extermínio indiscriminado.
Negociações como instrumento de poder
Ao sugerir que poderia conversar com Maduro, Trump evita se comprometer, mas indica espaço para rearranjos diplomáticos. O republicano afirmou que “conversa com qualquer um”, ao mesmo tempo em que mantém sobre a mesa a ameaça de ações militares, que, segundo ele, não exigiriam autorização do Congresso.
A estratégia lembra movimentos anteriores de sua política externa: Trump costuma usar escaladas calculadas como fator de coerção, oferecendo negociação apenas depois de elevar a tensão a níveis críticos. Foi assim com Coreia do Norte e Irã.
Para Caracas, contudo, o gesto é pouco convincente. O governo venezuelano afirma que as operações americanas visam provocar ou justificar ações militares para derrubar Maduro. No entanto, seus estrategistas temem não darem conta de derrubar o governo, como ja se tentou antes, levando seus soldados a um conflito desgastante em terras estrangeiras.
Mas também temem não serem capazes de impor um governo alinhado com Washington jogando a Venezuela no caos, ou na radicalização, como já fizeram com Líbia, Iraque, Síria, Afeganistão, Haiti etc. Uma realidade que mergulha toda a região continental em consequências dramáticas. Esta encruzilhada decisória abre janelas para redução das tensões a para a retórica ambígua e contraditória de Trump.
Escalada pode redefinir cenário regional
A presença do porta-aviões USS Gerald Ford, de oito navios de guerra, um submarino nuclear e caças F-35 no Caribe aumenta o risco de incidentes e pressiona países vizinhos. No sábado (15), Maduro criticou novos exercícios militares dos EUA com Trinidad e Tobago e pediu esforços pela paz, citando até a música Imagine, de John Lennon.
Enquanto isso, Trump, que diz já ter “meio que decidido” seus próximos passos, alimenta incertezas sobre o rumo da crise. Uma pesquisa Reuters/Ipsos indica que apenas 35% dos americanos apoiam ações militares contra a Venezuela — um número baixo para sustentar uma intervenção aberta.
Entre pressão e pragmatismo
A postura duelista de Trump — acusar Maduro de narcotráfico e, simultaneamente, acenar a negociações — não é incoerência acidental. Trata-se de uma tática recorrente: inflar a ameaça para elevar o preço de qualquer concessão que Caracas faça.
No tabuleiro geopolítico, Washington tenta reforçar sua influência no Caribe e responder a críticas internas sobre a expansão do fluxo de drogas. Já Maduro busca sobreviver politicamente, capitalizando o sentimento anti-intervenção e denunciando a escalada militar americana, angariando solidariedade internacional (e regional) que não vinha tendo.
Entre ataques, designações terroristas e declarações contraditórias, o próximo movimento dependerá menos dos gestos públicos e mais do cálculo estratégico de cada lado — num contexto em que diplomacia e intimidação seguem andando de mãos dadas.
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