O insurrecto movimento da ANL em 1935 marcou a luta antifascista no Brasil, mas sofreu repressão brutal; somente na Conferência da Mantiqueira, em 1943, os comunistas retomaram força
Publicado pelo Portal Vermelho
Há exatos 90 anos, em novembro de 1935, o Brasil assistiu ao capítulo mais ousado — e mais brutalmente reprimido — da história do movimento comunista no país. Conhecido como Levante Comunista, o movimento articulado pelo Partido Comunista do Brasil (então PCB) e pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) representou a primeira tentativa de enfrentamento direto ao governo de Getúlio Vargas, que avançava em direção a um regime autoritário.
Para a tradição histórica preservada pelo PCdoB, o Levante não foi um “golpe”, como a narrativa oficial tentou impor por décadas, mas uma insurreição antifascista, parte de um contexto internacional em que a ascensão do nazifascismo colocava a necessidade de frentes amplas de resistência.
No entanto, o preço pago pelos comunistas foi altíssimo: prisão, tortura, mortes e a quase completa desmontagem da organização partidária.
O contexto da ANL e a escalada autoritária de Vargas
Em 1935, o Brasil vivia uma grave crise política e social: Getúlio Vargas consolidava seu poder ditatorial, enquanto cresciam as pressões da Terceira Internacional para organizar frentes antifascistas. Foi nesse cenário que o Partido Comunista do Brasil impulsionou a Aliança Nacional Libertadora, movimento amplo que pretendia unir operários, tenentes, camponeses e intelectuais contra o governo autoritário e o avanço do integralismo.
A ANL — movimento de massas legal, popular e progressista — foi proscrita por Vargas poucos meses após seu vigoroso crescimento. O governo reagiu com violência às mobilizações que defendiam reformas sociais, combate ao fascismo e oposição ao autoritarismo.
É nesse ambiente de fechamento político que ocorreu o Levante, deflagrado em três cidades: Natal, Recife e Rio de Janeiro. A articulação contava com segmentos militares e civis, inspirados pela perspectiva internacional de luta contra regimes reacionários.
Mas, sem apoio suficiente e já sob estreita vigilância, o movimento foi rapidamente esmagado pela repressão estatal.
Repressão devastadora: Prestes preso, Partido mutilado
A resposta do Estado foi fulminante. Getúlio Vargas utilizou o Levante como justificativa para instalar um regime de exceção, pavimentando o caminho para o Estado Novo (1937). A perseguição se concentrou nos comunistas, com milhares de detidos em todo o país.
O símbolo máximo dessa repressão foi a prisão de Luiz Carlos Prestes, entregue pelo governo e mantido em condições desumanas ao longo de quase nove anos. Ao mesmo tempo, quadros importantes foram mortos, sumiram nas prisões ou tiveram de se exilar.
Para o PCdoB, a repressão de 1935 representou uma tentativa deliberada de liquidação da organização comunista no Brasil. E, de fato, o Partido viveu durante anos uma dispersão profunda, funcionando de forma fragmentada, com sua direção destruída.
Um novo começo: a Conferência da Mantiqueira (1943)
Mesmo fragmentado e ilegalizado, o Partido resistiu. Foi apenas em 1943, no auge da Segunda Guerra Mundial e da luta mundial contra o fascismo, que os comunistas conseguiram refazer suas fileiras e articular um processo nacional de reorganização.
A Conferência da Mantiqueira, realizada de forma clandestina, é considerada pelo PCdoB um divisor de águas histórico. Nela:
Foi, como afirmam análises comunistas, o renascimento político do Partido após anos de devastação provocada pelo aparato repressivo varguista.
Essa conferência marcou a virada política necessária: do sectarismo para uma frente mais ampla, com foco antifascista e de reorganização para o pós-guerra.
Significado dos 90 anos: memória, combate e renovação estratégica
Ao comemorar 90 anos do levante de 1935, é preciso reforçar que esse evento foi um marco político e simbólico: ele encarna a luta contra a repressão, pela democracia e pelo socialismo no Brasil.
Do ponto de vista do PCdoB, o Levante de 1935 representa:
Noventa anos depois, o episódio continua a iluminar debates contemporâneos sobre democracia, soberania, violência política e a necessidade de organização permanente.
Mesmo diante da derrota, os comunistas aprenderam lições fundamentais: a importância da organização clandestina, da frente antifascista e da estratégia de longo prazo — pilares que moldaram o PCdoB moderno.
Se o Levante foi derrotado militarmente, sua memória alimentou gerações de lutadores e lutadoras. A repressão brutal não impediu a reconstrução do Partido — e a Mantiqueira marcou o retorno estratégico da luta comunista ao cenário nacional.
Desafios atuais com olhar histórico
A memória do Levante de 1935 serve hoje como estímulo para reflexões estratégicas: em um contexto de crescente autoritarismo global, a necessidade de frentes populares amplas, mobilização social e compromisso democrático permanece vital.
A trajetória daqueles dirigentes e de seus camaradas reforça que resistência e reorganização são elementos centrais para transformações profundas — lições para os comunistas e para toda a esquerda brasileira contemporânea.
Para o PCdoB, celebrar nove décadas desse episódio é reafirmar que, mesmo diante da violência do Estado e das forças reacionárias, permanece viva uma tradição de coragem, resistência e projeto histórico voltado ao povo brasileiro.
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