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Morre aos 81 anos Jimmy Cliff, lenda jamaicana do reggae

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Morre aos 81 anos Jimmy Cliff, lenda jamaicana do reggae

 

Ícone do reggae e do ska, artista deixa legado global e forte ligação com o Brasil, onde marcou gerações, fez shows históricos e inspirou músicos nacionais.

 

Jimmy Cliff | Foto: Getty Images

O cantor e compositor jamaicano Jimmy Cliff, um dos maiores nomes da história do reggae, morreu nesta segunda-feira (24), aos 81 anos. A informação foi confirmada por sua mulher, Latifa, em texto publicado no perfil oficial do artista no Instagram. Segundo ela, o músico sofreu uma convulsão provocada por um quadro de pneumonia.

“Para todos os seus fãs em todo o mundo, saibam que o vosso apoio foi a força dele durante toda a sua carreira. Ele realmente apreciou cada fã pelo seu amor”, diz o texto também assinado por seus filhos, Lilty e Aken.

 

A morte do artista mobilizou homenagens de admiradores de várias gerações. O primeiro-ministro jamaicano, Andrew Holness, afirmou que Cliff foi “um verdadeiro gigante cultural cuja música levou o coração de nossa nação para o mundo… Jimmy Cliff contou nossa história com honestidade e alma”

Um dos pilares do reggae e do ska

Dono de sucessos eternizados como “The Harder They Come”, “You Can Get It If You Really Want”, “Wonderful World, Beautiful People”, “Vietnam” e “I Can See Clearly Now”, Jimmy Cliff ajudou a consolidar o reggae como linguagem planetária. Sua musicalidade expansiva e seu temperamento otimista renderam-lhe uma base global de fãs e a Ordem de Mérito da Jamaica, uma das mais altas honrarias culturais do país.

Nascido em Saint James em 1944, Cliff começou a cantar ainda jovem. Ao se mudar para Kingston, iniciou colaboração com o produtor Leslie Kong, figura central do ska e do reggae. Nos anos 1960, após diversos hits locais, representou a Jamaica na Exposição Mundial de Nova York de 1964.

Em 1967, lançou seu primeiro álbum, “Hard Road to Travel”, e passou a integrar a Island Records, gravadora que também projetaria Bob Marley.

 

Cliff viveu em Londres no fim dos anos 1960, onde enfrentou o racismo — experiência que influenciou suas letras socialmente conscientes. O single “Wonderful World, Beautiful People” alcançou o 6º lugar nas paradas britânicas e consolidou sua carreira internacional.

Seu último single, “Human Touch”, lançado há poucos anos, marcou um retorno ao reggae clássico dos anos 60, refletindo sobre solidão e espiritualidade.

 

Astro de “The Harder They Come” e figura decisiva do cinema jamaicano

O ápice do impacto cultural de Cliff ocorreu em 1972, quando estrelou o filme “The Harder They Come”, de Perry Henzell. A produção se tornou um marco do cinema jamaicano e ajudou a levar o reggae aos Estados Unidos — onde o filme estreou apenas em 1975, mas virou cult posteriormente.

A trilha sonora reuniu Cliff, Desmond Dekker, Toots & the Maytals e outros nomes decisivos do gênero. O artista recordava que o ambiente violento retratado no longa lhe era familiar: “Quando cheguei a Kingston, morei em áreas infestadas por gangsters e… a única coisa que me impedia de me juntar a essas gangues era não saber onde eu iria me esconder se minha família descobrisse que eu estava em Kingston atirando com uma arma”

Apesar do sucesso, Cliff voltaria ao cinema apenas ocasionalmente. Seu papel mais notável depois disso foi em “Club Paradise” (1986), ao lado de Robin Williams.

Colaborações históricas

Nos anos 1970, Cliff lançou diversos álbuns, fez participação no Saturday Night Live, viajou pela África em busca de reconexão espiritual e se converteu ao Islã. Seu disco “Give Thankx” (1978) foi marcado por essa fase.

Nos anos 1980, Bruce Springsteen ajudou a popularizar “Trapped”, incluindo a música em sua turnê e no álbum beneficente “We Are the World”. Em 1994, Cliff alcançou enorme sucesso com “I Can See Clearly Now”, tema do filme Cool Runnings, que o recolocou no Top 40 do Reino Unido e no topo das paradas francesas.

Ele colaborou com Rolling Stones, Sting, Wyclef Jean e Tim Armstrong (Rancid). Com Armstrong, lançou um álbum que lhe rendeu outro Grammy de Melhor Álbum de Reggae — somando duas vitórias e sete indicações. Seu disco mais recente, Refugees (2022), coroou mais de 30 álbuns lançados ao longo da carreira.

Uma relação profunda com o Brasil

Poucos países fora da Jamaica mantiveram com Cliff uma relação tão profunda quanto o Brasil.

A história brasileira de Cliff começa ainda em 1968, quando o então jovem intérprete subiu ao palco do Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, onde apresentou “Waterfall”. A recepção foi calorosa — uma prévia do que viria a ser uma longa relação de afeto.

Nos anos 1980, Jimmy Cliff esteve no país tantas vezes que virou uma espécie de lenda local. Em 1980, realizou turnê com Gilberto Gil, lotando casas de show e influenciando uma geração inteira de músicos brasileiros. Em uma dessas apresentações, antes de subir ao palco, recebeu a notícia da morte do pai e, mesmo estando muito abalado, cantou. “Veio uma energia muito forte aquela noite. Consegui me ouvir cantando com uma força que nunca tinha sentido”, disse.

Esse episódio marcaria para sempre sua relação emocional com o público brasileiro — um sentimento de troca, entrega e acolhimento que atravessou décadas.

Em 1984, Cliff escolheu as praias do Rio de Janeiro para gravar o clipe de “We All Are One”, dirigido por Tizuka Yamasaki. Pouco depois, entre 1985 e 1986, sua música“Hot Shot” invadiu as casas brasileiras ao integrar a trilha sonora da novela “Ti Ti Ti”, novela exibida na TV Globo. No mesmo ano, o disco “Cliff Hanger” ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Reggae.

 

Em 1997, Cliff participou do icônico Acústico MTV dos Titãs, interpretando seu clássico “The Harder They Come”. Por aqui, a canção virou “Querem Meu Sangue”, imortalizada pela banda e pelo Cidade Negra — mostrando a dimensão de sua influência na formação do reggae nacional. Seu otimismo, sua crítica social e sua cadência caribenha ajudaram a moldar uma estética brasileira que reconhece no reggae um gênero de resistência, espiritualidade e festa.

 

Sua ligação com o Brasil também é familiar. Sua filha Nabiyah Be, fruto da união com a psicóloga baiana Sônia Gomes da Silva, nasceu em Salvador em 1992. Anos depois, Be se tornaria atriz de projeção internacional ao participar do filme “Pantera Negra”, da Marvel — motivo de orgulho constante para o artista.

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com agências

Autor
Blog do Mamede

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