Categories: Sem categoria

2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras reúne milhares em Brasília

Spread the love

2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras reúne milhares em Brasília

 

O ato reivindica a aprovação da chamada PEC da Reparação, que propõe a criação de um fundo nacional de R$ 20 bilhões para a reparação econômica e igualdade racial

 

(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

Depois de 10 anos da marcha que reuniu 100 mil mulheres negras contra o racismo e a violência, a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras contou com a participação de milhares de ativistas de todo o país nesta terça-feira (25) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Com o tema “Reparação e bem viver”, o ato exigiu que o Estado não só reconheça, mas também enfrente a sua dívida “acumulada ao longo de séculos por instituições financeiras, empresas e demais atores que lucraram com a escravidão e com a expropriação das populações negras”.

Desse modo, o movimento reivindica a aprovação da chamada PEC da Reparação, que propõe a criação de um fundo nacional de R$ 20 bilhões para a reparação econômica e de promoção da igualdade racial.

Além dessa reparação, elas reivindicam o “Bem Viver” no sentido de afirmar um projeto político e civilizatório que nasce das experiências e memórias de povos negros, indígenas e comunidades tradicionais.

“Como prática cotidiana que reorganiza a vida a partir da centralidade da existência, do cuidado e da coletividade — em oposição à lógica de exploração, racismo e acumulação capitalista”, diz o manifesto.

Leia mais: Marcha das Mulheres Negras leva pauta de reparação ao centro do poder

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, discursou no ato. “Participar de um evento tão emblemático quanto a Marcha das Mulheres Negras reafirma meu compromisso com a construção de um país verdadeiramente igualitário. Como primeira mulher a assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e como nordestina negra, reconheço a responsabilidade histórica que carrego e a importância de ocupar e abrir caminhos. Tenho certeza que esse também é o compromisso do governo do presidente Lula”, disse.

Para ela, a voz das mulheres negras precisa ecoar em todos os espaços de poder e decisão, influenciando políticas, rumos e prioridades. “E é pela construção de oportunidades reais, que garantam que meninas e mulheres negras possam sonhar e realizar com liberdade, que luto incansável. Nossa luta é pela Reparação e pelo Bem-Viver”, ressalta a minitra.

“É por dignidade, por igualdade racial e de gênero, e pelo fim de todas as formas de violência e desrespeito à nossa diversidade. Somos a maioria da população e a força que move este país! A voz das mulheres negras precisa ser ouvida em todos os espaços de poder e de decisão. Estaremos sempre na rua, firmes e unidas, construindo um futuro antirracista, justo e com dignidade para todas”, completa.

“A nossa luta é pela reparação, é pela igualdade racial, é pela igualdade de gênero. São cerca de 10 milhões de meninas e mulheres por esse Brasil. Então, que essa marcha se estenda por todo o Brasil e por todo o planeta”, disse a ministra das Mulheres, Márcia Helena Lopes.

“Hoje Brasília amanheceu com a força das nossas mais velhas e das que continuam abrindo caminho. Dez anos depois da Marcha de 2015, voltamos à Esplanada para dizer novamente: nossas vidas importam, reparação é urgente e o bem-viver é um direito inegociável”, destaca a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Vítimas

Presente no ato, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB-BA), secretária de Combate ao Racismo do PCdoB, destacou que as mulheres negras são 64% das vítimas de feminicídio e ganham 40% a menos que os homens brancos no mercado de trabalho.

“As mulheres negras estão nas piores ocupações e minoria no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores”, lembra. “Portanto, temos muitos motivos para estar para aqui em Brasília, nas ruas, marchando por um novo Brasil. Um Brasil de reparação e pelo bem viver. Estamos juntas”, prossegue Olívia.

Para a coordenadora da Comissão de Mulheres, LGBTQIAPN +, Combate ao Racismo e Igualdade de Racial do CNDH pela União Brasileira de Mulheres (UBM), Maria das Neves Filha, o movimento foi potente.

“Somos um país majoritariamente negro. As meninas e mulheres negras são as maiores vítimas de violência e da cultura do estupro. Além de ocupar os postos de trabalho menos valorizados”, lembra.

Para ela, chegou a hora de mudar essa realidade. “A PEC da Reparação e a PEC da Segurança Pública são duas bandeiras urgentes que tramitam no Congresso Nacional. Menos chacina, mas escolas e oportunidades para a juventude negra. Por uma vida sem machismo e racismo para as mulheres negras, pelo bem viver. Mostramos nossa força nas ruas e mostraremos nossa força nas urnas!”, disse Neves.

Autor
Blog do Mamede

Recent Posts

Acompanhe Aqui O Podcast “Conexão das 18h” Bate Papo Com Fabrinna Rodrigues

https://www.youtube.com/watch?v=asPm9a9M4GM&list=PLU7EHq4fmk62WyLxYihJgBKgJP0nCbK8p

19 horas ago

STF afasta prefeito e vice de Macapá em investigação sobre desvio de recursos de emendas parlamentares

STF afasta prefeito e vice de Macapá em investigação sobre desvio de recursos de emendas…

19 horas ago

Pela paz mundial, contra as guerras imperialistas de Trump!

Pela paz mundial, contra as guerras imperialistas de Trump!   Além de dominar petróleo e…

20 horas ago

Em dez anos, Brasil registrou mais de 13,7 mil feminicídios

Em dez anos, Brasil registrou mais de 13,7 mil feminicídios   Somente em 2025, foram…

20 horas ago

Mídia ocidental atua como porta-voz de Trump no ataque ao Irã

Mídia ocidental atua como porta-voz de Trump no ataque ao Irã   Cobertura de veículos…

20 horas ago

MPGO denuncia comerciante por maus-tratos a animal e perturbação do sossego em Goiânia

MPGO denuncia comerciante por maus-tratos a animal e perturbação do sossego em Goiânia MP busca…

2 dias ago