Declarações de Gustavo Marques contra Daiane Muniz geram repúdio do governo, da FPF e do Bragantino, que avalia punir o atleta após acusação de misoginia.
Publicado 23/02/2026 12:19 | Editado 23/02/2026 12:33
O governo federal saiu em defesa da árbitra Daiane Muniz após o zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, fazer declarações de cunho machista ao criticar sua atuação na eliminação do time para o São Paulo pelo Paulistão. Em nota conjunta, os ministérios das Mulheres e do Esporte classificaram o episódio como mais um “absurdo caso de machismo”, afirmando que “mulher deve estar onde ela quiser” e que acompanharão o caso na Justiça Desportiva.
A manifestação ganhou peso depois de as falas do jogador repercutirem negativamente. Na ocasião, Gustavo afirmou que “não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras e Corinthians, e eles colocarem uma mulher pra apitar um jogo desse tamanho. Acho que ela não foi honesta.” O defensor também declarou que Daiane “acabou com nosso jogo” e que “do tamanho dela acho que ela não tem capacidade pra apitar um jogo desse”.
As palavras provocaram forte reação. A Federação Paulista de Futebol (FPF) emitiu um comunicado contundente, chamando a fala de “visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina”, destacando que é “estarrecedor que um atleta questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero”. A entidade reafirmou a qualidade técnica de Daiane, que integra os quadros FPF, CBF e Fifa, e anunciou que enviará o caso à Justiça Desportiva.
Pressionado, o Bragantino revelou que estuda punir o atleta e repudiou publicamente as declarações. “O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques. Nada justifica o que foi dito. Vamos estudar nos próximos dias a punição que será aplicada ao atleta.” O clube informou ainda que o jogador e o diretor esportivo, Diego Cerri, foram ao vestiário da arbitragem pedir desculpas pessoalmente à juíza.
O técnico Vagner Mancini também classificou a fala como um erro grave, mas ressaltou a atitude do atleta ao se retratar: “Não é o sexo que vai determinar a competência da pessoa. (…) Ele foi infeliz na sua declaração, mas o fato de mostrar humildade e pedir desculpas é um ótimo sinal.”
Para o governo, no entanto, o problema ultrapassa o campo esportivo e revela mais um padrão de violência de gênero. “Um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado.” A nota encerra afirmando que o respeito às mulheres é “inegociável” e que seguirá acompanhando o caso para garantir responsabilização.
O episódio reabre o debate sobre misoginia no futebol brasileiro e reforça a necessidade de políticas de enfrentamento à discriminação, dentro e fora de campo.
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com agências
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