Cobertura de veículos tradicionais omite massacres de civis e repete narrativas da Casa Branca para legitimar ofensiva militar de Washington
Publicado pelo Portal Vermelho
“Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. A frase, atribuída a Ésquilo, pai da tragédia grega, nunca pareceu tão atual. Desde o início da ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro (28), a cobertura da grande mídia ocidental tem se revelado uma extensão fiel da narrativa oficial da Casa Branca. Manchetes enviesadas e omissões sistemáticas dominam o discurso, enquanto vítimas civis são relegadas a números frios.
O caso da escola em Minab
Essa distorção reflete uma assimetria informativa que favorece Washington e Tel Aviv, diluindo responsabilidades por possíveis crimes de guerra. Um exemplo flagrante é o bombardeio da Escola Primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã, que matou entre 148 e 171 meninas. A ação é tratada pela imprensa ocidental como um “equívoco” técnico — um “erro de alvo” baseado em supostas falhas de inteligência —, em vez de uma denúncia explícita de massacre e violação ao direito internacional.
Sobre esse cenário, o jornalista Laurindo Lalo Leal Filho afirma: “No plano internacional, o alinhamento ao grande capital desses meios é histórico. Em momentos críticos, como o atual, ele fica mais explícito. Em síntese, há o viés jornalístico de apoio aos países agressores, Estados Unidos e Israel, e a criminalização do agredido, o Irã”.
A guerra como “campanha” promocional
Desde os primeiros dias, veículos como BBC e CNN adotam termos como “lançar ataques” e “manter ataques”, enquadrando o conflito como uma operação planejada e inevitável. O Irã surge como alvo passivo, enquanto EUA e Israel são os sujeitos ativos que “defendem” interesses. A linguagem empregada trata a violência imperialista como algo técnico e evita palavras como “bombardeio” ou “massacre”.
Lalo Leal Filho critica duramente a postura da mídia brasileira: “As matérias chegam a ser vergonhosas. Há blocos inteiros nos telejornais escondendo as respostas eficientes iranianas aos ataques inimigos. Ou criminalizando, sem provas, o governo do Irã, para justificar as agressões externas. A mídia em geral, e a brasileira com grande destaque, não cobre os acontecimentos. Elas [as mídias] são parte dela, no sentido de servirem como força de convencimento público para um dos lados”.
O jornalista Maurício Machado, ex-diretor de comunicação e experiente gestor em emissoras de televisão, reforça a gravidade da cobertura: “Considero tendenciosa e pró-EUA. Quase sempre as versões parecem press release do Pentágono. Quase sempre falta o outro lado com isenção. No Brasil, é efeito manada tendencioso seguindo o grupo O Globo. Se um ET descesse por aqui, iria achar que somos colônia ou um estado dos Estados Unidos”, afirma.
Altamiro Borges denuncia o “infanticídio”
Altamiro Borges, jornalista e coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, classifica a cobertura como conivente com uma “carnificina promovida pelos nazifascistas Donald Trump e Benjamin Netanyahu”. Ele critica o editorial do jornal O Estado de S. Paulo, que tratou a agressão como moralmente justificável.
Para Borges, o bombardeio desmente a tese de “precisão militar”: “Eles dizem que estão mirando apenas alvos militares e tentando punir o regime, não o povo… Mas agora estamos vendo vítimas civis; isso é violação do direito internacional e uma agressão contra o povo iraniano. O jornal manifesta total apoio à agressão, mesmo ferindo o direito internacional e matando centenas de iranianos, incluindo crianças”.
A cobertura da “Guerra de Trump” expõe como o jornalismo ocidental se alinha à agenda imperialista, transformando crimes em equívocos. Enquanto isso, a verdade segue sendo sacrificada no altar dos interesses geopolíticos de Washington. Para o jornalista Gabriel Priolli, os jornalões “estão fazendo o de sempre: cobrir pelo ângulo ‘ocidental’. Dando como verdade o que emana dos EUA e duvidando do que vem do país atacado da vez”, conclui.
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