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Governo abre diálogo e centrais vão às ruas por revogação das medidas

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Os presidentes das centrais sindicais saíram do encontro com o governo, nesta segunda-feira (19) no escritório da Presidência da República em São Paulo, reafirmando que não abrem mão dos direitos e vão sair às ruas para impedir o retrocesso das conquistas.

 

 

Reunião aconteceu nesta segunda (19), em São PauloReunião aconteceu nesta segunda (19), em São Paulo

Na reunião, convocada pelo governo, as centrais reivindicaram a revogação das medidas que alteraram a concessão de alguns benefícios previdenciários e trabalhistas, como seguro-desemprego, auxílio-doença e pensão por morte, entre outras. Para as centrais, as alterações implicam a perda de direitos dos trabalhadores.

“Deixamos claro que vamos às ruas, mobilizar os trabalhadores porque depois de tudo o que fizemos e do projeto que ajudamos a eleger essas medidas estão na contramão, pois sacrificam o trabalhador. Não há contradição entre apoiarmos um projeto mudancista e, ao mesmo tempo, pressioná-lo para que possa encontrar o caminho para avançar nas mudanças”, enfatizou Adílson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). As centrais já definiram uma agenda de manifestações que se inicia com o Dia Nacional de Lutas, em 28 de janeiro, e culmina com uma marcha em 26 de fevereiro.

As centrais também manifestaram-se contrários as medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como a retomada da cobrança da Cide sobre a gasolina e aumento do IOF sobre operações de crédito. Para os representantes das centrais, as medidas terão impacto sobre o consumo e, consequentemente, sobre o mercado de trabalho.

Na reunião, os ministros Miguel Rossetto (Secretaria-geral da Presidência), Nelson Barbosa (Planejamento), Manoel Dias (Trabalho) e Carlos Gabas (Previdência) tentaram justificar as alterações como medidas para corrigir distorções, mas propuseram uma negociação. “Apresentamos às centrais as razões técnicas que levaram o governo a adotar as medidas ainda em 2014. Para que tenham validade a partir de 2016, não podemos desistir delas. Mas abrimos o debate sobre o conteúdo dessas medidas provisórias”, disse o ministro Miguel Rossetto, que não descartou a possibilidade de alterações.

“Precisamos lutar incessantemente para reverter essas medidas. O governo não dá sinais de que vá reverter, embora tenha assumido o compromisso de continuar dialogando”, destacou Araújo. No encontro ficou acertado que na próxima semana a equipe técnica das centrais vai se reunir com técnicos do governo para debater as medidas. “Evidentemente que a nossa análise não é técnica, mas política e ao tomar essas medidas o governo demostra claramente que vai cortar do lado mais fraco”, completou o sindicalista.

“Não abrimos mão dos direitos, nem que a vaca tussa”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, em referência à frase que virou tema da campanha eleitoral da presidenta Dilma Rousseff. Segundo Freitas, o Brasil enfrentou a crise internacional “não sendo ortodoxo e não aceitando a linha tradicionalmente sugerida por organismos como o Fundo Monetário Internacional”.

Algumas centrais cogitam a possibilidade de ir à Justiça para impedir as mudanças nos casos de pensão por morte, auxílio doença e abono salarial, presentes na Constituição. “Vamos analisar e agir  com todas as nossas possibilidades, inclusive as jurídicas”, afirmou o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

 

Portal Vermelho